O Banco Central Europeu (BCE) antecipa que a inflação dos alimentos na zona euro continue a moderar-se nos próximos meses, beneficiando da redução das expectativas de preços de venda e da normalização gradual das cadeias de abastecimento.
A conclusão consta de um estudo recente do Eurosistema, divulgado pelo Banco Central Europeu. De acordo com as projeções macroeconómicas, a inflação alimentar deverá descer para 2,1% no terceiro trimestre de 2026, mantendo-se em níveis moderados ao longo do horizonte de projeção.
No curto prazo, esta trajetória é sustentada pela descida das expectativas de preços de venda dos fabricantes de alimentos e bebidas, que se encontram atualmente abaixo da média histórica registada entre 1999 e 2019.
Retalho mantém maior resistência na descida de preços
Em contraste, as expectativas de preços entre os retalhistas de alimentos, bebidas e tabaco revelam uma moderação menos acentuada, permanecendo acima da média de longo prazo. Segundo o BCE, esta resistência poderá refletir, em parte, a pressão ainda elevada dos custos salariais no sector da distribuição.
O estudo sublinha que a inflação alimentar tem um impacto desproporcionado na perceção dos consumidores sobre a inflação geral, uma vez que os alimentos são adquiridos com elevada frequência, representam uma parcela significativa do orçamento familiar e oferecem menor margem de substituição face a outros bens.
Dados da “Consumer Expectations Survey” do BCE mostram que quase dois terços dos consumidores afirmam que os preços dos alimentos influenciam diretamente as suas expectativas de inflação. Estes consumidores tendem a antecipar uma inflação superior à meta de 2% definida pelo BCE no horizonte de 12 meses.
Café, açúcar e carne continuam a pressionar os preços
Em novembro de 2025, a taxa anual de inflação alimentar medida pelo IHPC na zona euro situava-se em 2,4%, após um pico de 15,5% em março de 2023. No acumulado de 2025 (janeiro-novembro), a inflação média dos alimentos foi de 2,9%, acima da média pré-pandemia de 2,2%.
Entre as categorias que mais contribuíram para esta pressão destacam-se o café, o chá e o cacau, o açúcar e os produtos de confeitaria e a carne, que, apesar de representarem menos de 25% do cabaz alimentar, foram responsáveis por mais de 50% da inflação alimentar em vários momentos de 2025.
Apesar da tendência de moderação, o BCE alerta que a evolução dos preços alimentares continuará a ser um fator-chave para o comportamento do consumidor, influenciando decisões de compra, perceção de valor e sensibilidade ao preço, variáveis críticas para as estratégias de pricing, promoção e marca própria no retalho alimentar.







