As vendas globais dos supermercados e hipermercados deverão atingir 3,5 biliões de dólares, cerca de 3,07 biliões de euros, em 2030, mantendo estes formatos como o maior canal moderno de distribuição alimentar, apesar da crescente concorrência dos operadores discount e do comércio eletrónico.
As previsões da IGD apontam para um crescimento médio anual de 3% entre 2025 e 2030, abaixo dos 4% esperados para o mercado alimentar global. Como resultado, a quota conjunta dos supermercados e hipermercados deverá diminuir de 36% para 34,3% durante o período.
A perda de peso relativo não significa, contudo, uma contração do canal. Os dois formatos deverão acrescentar 481 mil milhões de dólares, cerca de 421,7 mil milhões de euros, às vendas globais até ao final da década, confirmando a dimensão que continuam a representar na distribuição alimentar.
Discount e online conquistam quota
O crescimento mais rápido dos operadores discount resulta, segundo a IGD, do reforço da perceção de preço, da melhoria da qualidade dos produtos e da adaptação dos sortidos às novas necessidades dos consumidores.
Esta evolução permite aos discounters competir num número crescente de missões de compra, ultrapassando a função tradicional de canal procurado essencialmente pelo preço.
Também o comércio eletrónico está a enfraquecer uma das principais vantagens historicamente associadas aos supermercados e hipermercados: a amplitude do sortido. Os canais digitais conseguem atualmente oferecer uma variedade comparável à das maiores lojas, acrescentando conveniência, personalização e facilidade de pesquisa.
Em conjunto, o discount e o online estão a conquistar uma parte crescente tanto das compras de abastecimento como das missões de reposição, desviando despesa dos estabelecimentos de maior dimensão.
“Os consumidores estão cada vez mais a redirecionar a despesa para canais mais alinhados com a evolução das suas expectativas”, afirma Lucy Beaumont, senior insight analyst da IGD. Para a responsável, os grandes formatos terão de reformular a forma como criam valor ou arriscam manter a dimensão física, mas assumir um papel menor nas compras alimentares.
Escala e sortido deixam de ser suficientes
A escala, a diversidade de produtos e a possibilidade de concentrar todas as compras num único espaço continuam a ser atributos relevantes, mas já não são suficientes para garantir a preferência dos consumidores.
Outros canais conseguem hoje reproduzir ou superar algumas destas vantagens. Os discounters combinam preços competitivos com sortidos mais qualificados, enquanto as plataformas digitais oferecem variedade sem as limitações físicas do linear.
Neste contexto, a IGD antecipa que os supermercados e os hipermercados evoluam para modelos mais multifuncionais, utilizando os espaços, as infraestruturas e os serviços disponíveis para criar novas fontes de crescimento.
Lojas tornam-se centros de serviços e distribuição
Entre as oportunidades identificadas encontra-se a rentabilização dos ativos físicos através do retail media, de parcerias com outras empresas e da integração de novos serviços.
As lojas deverão igualmente reforçar a função logística, funcionando como centros de preparação de encomendas para o comércio eletrónico e para os serviços de entrega rápida. Esta utilização permite aproximar o stock do consumidor e aproveitar redes já estabelecidas em zonas urbanas e residenciais.
A transformação passa também pela reorganização dos espaços em função de missões e ocasiões de consumo. Em vez de apresentar apenas categorias de produtos, os retalhistas poderão estruturar a oferta em torno de necessidades concretas, como refeições imediatas, compras de reposição, soluções para o trabalho ou momentos de convívio.
O objetivo será aumentar a relevância da visita, incentivar compras complementares e elevar o valor do cabaz num ambiente em que o consumidor distribui a despesa por mais canais.
Maior canal, mas com um papel em transformação
As projeções fazem parte do relatório “Global supermarket and hypermarket trends 2026”, no qual a IGD analisa o crescimento regional, a concorrência entre canais e a adaptação dos formatos, dos modelos operacionais e das estratégias de loja.
A principal conclusão é que supermercados e hipermercados continuarão a dominar o retalho alimentar moderno em valor absoluto. O seu papel, contudo, deverá mudar: de grandes espaços centrados no sortido e na compra completa para plataformas que combinam venda, serviços, comunicação de marcas, experiência e distribuição.








