Ilustração de um alvo verde com uma seta no centro e elementos naturais, simbolizando metas ambientais, sustentabilidade e objetivos climáticos Foto Shutterstock

União Europeia arrisca falhar metas climáticas por falta de matérias-primas críticas

A União Europeia pode falhar os seus objetivos climáticos e energéticos devido à falta de matérias-primas críticas, segundo um relatório do Tribunal de Contas Europeu (TCE).

O organismo alerta para fragilidades profundas na estratégia de abastecimento do bloco. A conclusão é clara: sem acesso garantido a materiais essenciais, a transição energética europeia está em risco.

Dependência externa compromete autonomia estratégica

A transição energética da União Europeia depende de tecnologias como baterias, turbinas eólicas e painéis solares. Todas elas são altamente intensivas em matérias-primas como lítio, níquel, cobalto, cobre e terras raras.

Atualmente, a maior parte destes recursos provém de países terceiros, como a China, a Turquia e o Chile. Tal expõem a União Europeia a riscos geopolíticos e de abastecimento.

Segundo o TCE, esta dependência “perigosa” compromete não só os objetivos climáticos, mas também a competitividade industrial e a autonomia estratégica do bloco.

Estratégias europeias sem resultados concretos

Apesar dos esforços de Bruxelas para diversificar fornecedores e reforçar a produção interna, o relatório aponta falhas significativas. Desde logo, a ausência de impacto real das parcerias internacionais. Além disso, a produção interna enfrenta entraves estruturais e a reciclagem permanece numa fase inicial.

Nos últimos cinco anos, a União Europeia assinou 14 parcerias estratégicas. Porém, em cerca de metade dos materiais analisados, as importações desses parceiros diminuíram entre 2020 e 2024.

Metas ambiciosas

O Regulamento das Matérias-Primas Críticas, aprovado em 2024, define objetivos para reduzir a dependência externa. Nomeadamente, 10% do consumo proveniente de extração interna, 25% assegurado por reciclagem e 40% de capacidade de transformação.

No entanto, o TCE considera que estas metas estão longe de ser alcançadas. A reciclagem, por exemplo, apresenta níveis extremamente baixos: sete dos 26 materiais têm taxas entre 1% e 5%. Dez não são reciclados de todo

A aposta na produção interna enfrenta obstáculos significativos. De facto, os projetos mineiros podem demorar até 20 anos a tornar-se operacionais e os custos elevados e as barreiras regulatórias dificultam o investimento. Devido ao preço da energia, tem-se procedido ao encerramento de unidades de transformação. Este contexto cria um “círculo vicioso”, em que a falta de abastecimento limita o desenvolvimento industrial, que, por sua vez, reduz o incentivo ao investimento na cadeia de valor.

Transição energética sob risco real

O relatório alerta ainda que muitos projetos financiados pela União Europeia dificilmente serão concluídos dentro dos prazos previstos. Consequentemente, coloca em causa o cumprimento das metas até 2030.  Sem uma resposta mais eficaz, a Europa poderá perder terreno face a outras regiões mais ágeis no acesso e transformação de matérias-primas críticas.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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