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“Somos uma empresa de inovação e que se preocupa com o que o cliente tem na vitrine”

Em 1987, nascia aquele que é hoje um dos líderes do sector das massas congeladas de padaria e pastelaria. Padeiro de profissão, mas empreendedor e visionário por natureza, Pere Gallés julgava detetar aqui uma oportunidade de negócio. Apostou e investiu em tecnologia de frio para satisfazer tanto as necessidades dos consumidores como as dos profissionais de padaria e restauração, com uma oferta de qualidade. Nestes 30 anos, esta empresa familiar cresceu e muito. Com presença em mais de 50 países e 16 centros de produção ativos em cinco geografias, incluindo Portugal, mais do responder aos desafios que lhe são colocados, a Europastry tem procurado ser ela própria a desafiar o mercado. O resultado são mais de 600 milhões de euros em vendas. O segredo, esse, está num regresso às origens, numa homenagem ao fundador, mas também numa resposta ao consumidor moderno, que cada vez mais valoriza os produtos com o sabor, o aroma e a textura de outros tempos.

O sector das massas congeladas representa mais de 35% do mercado de panificação fresca nos maiores mercados europeus, grupo que inclui a Alemanha, a França, a Espanha e o Reino Unido, segundo dados Gira, e a expectativa é que estes produtos incrementem a sua quota de nos próximos anos. Mercado que a Europastry quer conquistar. Já está no top 5 da Europa e lidera o mercado das massas congeladas nos produtos ditos “american style”, ou seja, dots, pastelaria frita e massa de muffin. Inovação, qualidade e desenvolvimento internacional fazem parte da atual filosofia do grupo, assim como um grande foco na eficiência e na melhoria contínua.

2017 foi um ano de comemorações para empresa, que celebrou o seu 30.º aniversário alcançando uma faturação de mais de 600 milhões de euros. Mas não só. A sucursal portuguesa, que responde por uma fatia cada vez mais interessante das vendas totais, mais concretamente 40 milhões de euros, assinalou também ela duas décadas e a unidade de produção no Carregado, que tem consistentemente vindo a incrementar a capacidade de produção para responder às solicitações quer do mercado interno, quer do mercado internacional – cerca de 30% da produção destina-se a países como Espanha, França, Itália, Estados Unidos da América e Colômbia -, soprou 10 velas. “O negócio tem vindo a evoluir de uma forma muito positiva e muito equilibrada em termos de padaria e pastelaria”, confirma Filipe Canário Marketing & Sales Director da Europastry Portugal. “Apesar do retalho estar com uma evolução mais forte, o Horeca continua a acompanhar a tendência de crescimento. O consumidor, neste momento, privilegia cada vez mais os produtos premium e acaba por reconhecer que estes têm características diferentes. Hoje, já valoriza elementos como vegetais nos produtos de pastelaria e a Europastry sempre foi muito forte nessa posição. Sempre esteve muito atenta às necessidades do mercado e sempre fez por oferecer aos clientes o melhor produto possível, em estar na linha da frente do que serão as tendências de consumo, nunca descurando aquela inquietude que lhe é característica de querer mostrar produtos novos e inovadores. Ainda recentemente apresentámos um dots quadrado. Queremos trazer para o mercado conceitos e ideias fora da caixa”.

Inovação
Todo este trabalho de inovação é possível pela aposta contínua em investigação e desenvolvimento protagonizada por este grupo de origem catalã, mas cada vez mais global. Neste momento, já possui 16 centros de produção ativos em cinco países. Em Portugal, a unidade fabril do Carregado, que há 10 anos tinha sido projetada para cerca de quatro mil toneladas de capacidade de produção, já ultrapassa as 10 mil. Um desafio para encontrar soluções que permitissem à capacidade produtiva evoluir e dar resposta às necessidades do mercado num espaço que, ao mesmo tempo, já estava limitado fisicamente.

Com a unidade produtiva aproximada do mercado, Portugal tem vindo a registar bons desempenhos, porque muito rapidamente a empresa consegue responder às necessidades do cliente e aos desafios que este apresenta. “Quando não somos nós a desafiá-lo”, contrapõe Filipe Canário. “Queremos criar produtos específicos e exclusivos para cada cliente, é por aqui que esta indústria deve evoluir. O mercado cada vez mais exige que os operadores consigam responder com soluções diferenciadas”. 

Recentemente, a Europastry apresentou cerca de 16 novidades, alcançando o número médio de mais de 45 produtos lançados só em Portugal. Para tal, também contribui muito o laboratório de ideias CEREAL, que é o mesmo que dizer Center for Research Europastry Advanced Lab. Situado em Barcelona, nas instalações que acolheram a primeira fábrica da empresa, em Sant Joan Despí, este centro internacional de I&D é pioneiro na Europa na aceleração do desenvolvimento da inovação na padaria e pastelaria. Representou um investimento de três milhões de euros e é hoje a “casa” de cerca de 130 engenheiros, biólogos, nutricionistas e mestres padeiros, que trabalham de forma completamente artesanal na criação de novas soluções que tragam benefícios para o consumidor. “Só assim se conseguem desenvolver produtos personalizados e à medida de cada cliente, como o dot quadrado que acabámos de lançar e que surgiu a propósito do desafio de um cliente em Portugal”, detalha Filipe Canário.

Sustentabilidade
Também fruto deste trabalho de investigação, a Europastry consegue antecipar-se e criar novas tendências. Se hoje o consumidor está cada vez mais atento ao perfil nutricional do que consome, há já muito tempo que a empresa vem a dar resposta a esta tendência. A redução do teor de sal nos produtos de padaria é uma realidade há vários anos, movimento que tem agora replicação na diminuição do açúcar nos produtos de pastelaria. Onde também já se eliminou a presença de gorduras parcialmente hidrogenadas, as chamadas gorduras trans. A gama de padaria e pastelaria não utiliza corantes nem conservantes e está-se a terminar com todos os fermentos que não sejam naturais. “Continuamos a trabalhar para ter produtos cada vez mais equilibrados, elaborados segundo receitas tradicionais. A saúde e bem-estar dos nossos consumidores é fundamental e, como tal, trabalhamos para ter cada vez mais alimentos com componentes naturais, produzidos de forma sustentável e com ingredientes certificados, como o cacau e o óleo de palma”.

De acordo com Filipe Canário, o objetivo da Europastry é conseguir ter um produto industrial com o nível de qualidade do produto artesanal, que é uma das grandes tendências atuais no sector da panificação. É que apesar de quererem produtos mais saudáveis, os consumidores não descuram, em momento algum, o sabor e a componente de prazer associada à degustação dos produtos de padaria e pastelaria. Há que apelar aos cinco sentidos, sem esquecer ainda a durabilidade do produto. “Uma das características em que estamos a apostar, neste momento, é a produção das nossas próprias massas mãe. A Europastry acaba por ter também capacidade de produzir a sua própria massa mãe e, assim, proporcionar a cada um dos clientes uma oferta diferenciadora. Assim como estamos a investir fortemente em tornar o processo o mais semelhante possível com o processo artesanal. É este o caminho. As tendências de consumo assim o ditam e sempre foi este o objetivo desta companhia, uma vez que a sua génese vem de um padeiro tradicional, o senhor Pere Gallés, que deste modo queremos homenagear”.

Apesar de serem feitos de forma industrial, os produtos têm todas as características do pão artesanal. Todos os pães são terminados de forma manual e o processo de produção é extremamente cuidado, com muita atenção ao tempo de fermentação e às características da matéria-prima usada. A gama Saint Honoré, lançada em 2017, é um paradigma do que os industriais hoje podem fazer. “Demos um passo em frente ao nível do que são os tempos de fermentação, da utilização de matérias-primas com origem mais natural e, no caso destes pães, de origem biológica. A vantagem adicionada é alguma tecnologia que permite trabalhar as massas, garantindo o processo tradicional. É um investimento num ‘back to basics’ atualizado”.

Este pão rústico tem vindo a ter bastante sucesso, principalmente pela sua textura e sabor característicos, assim como pela sua durabilidade. O grupo tem vindo a evoluir no sentido da sustentabilidade, com produtos 100% naturais e biológicos e uma oferta também já bastante interessante de pães sem glúten. Na área da pastelaria, o cacau utilizado tem certificação UTZ e origem controlada, com a empresa a evoluir também para outro tipo de gorduras que possam ser adicionadas aos produtos, sempre com a garantia da sustentabilidade. Até porque a Europastry quer marcar uma posição, ao procurar acompanhar todo o ciclo produtivo do campo à mesa, desde a seleção dos trigos, passando pela sementeira e colheita, juntamente com o fornecedor de matéria-prima, até ao resultado final, na mesa do consumidor. “Somos uma empresa de inovação e que se preocupa com o que o cliente tem na vitrine e em incentivá-lo a animar a sua oferta. Há que reinventar constantemente para se conseguir ter sempre o produto com preços ajustados ao mercado”.

Filipe Canário considera que os portugueses estão muito recetivos a novidades, apesar de cada vez mais exigentes com o que comem. “O conceito do pequeno-almoço mudou e continua a evoluir, passou-se a ter a exigência de produtos mais naturais e saudáveis. O consumidor já exige saber que tipo de croissant está a consumir, qual o valor calórico que aporta. Há uma mudança no consumo para uma seleção de produtos cada vez mais saudáveis e uma exigência de transparência por parte do industrial. Conseguir ter produtos equilibrados a nível nutricional é um desafio do ponto de vista da atividade produtiva, mas que temos de abraçar. Até porque sabemos que vêm novos desafios em 2018. Já estamos a trabalhar em tipologias de massas que possam responder às novas exigências do mercado”, conclui.

Este artigo foi publicado na edição n.º 49 da Grande Consumo. Veja aqui o vídeo da entrevista:

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