Profissional da construção com capacete e colete de segurança utiliza tablet em obra, com elementos gráficos digitais sobrepostos que simbolizam análise de dados e tecnologia
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Sector da construção entra em 2026 com digitalização no centro da competitividade

A integração de dados, a inteligência artificial e os modelos preditivos vão redefinir a gestão de projetos no setor da construção.

O sector da construção enfrenta um contexto de máxima exigência, marcado pela pressão sobre as margens e pelo aumento dos custos, especialmente na energia e nos materiais. Mas também pela volatilidade na cadeia de abastecimento e pela escassez de talento qualificado.

A estes fatores somam-se o aumento da complexidade dos projetos e um enquadramento regulatório cada vez mais exigente. Tudo isto está a obrigar as empresas a repensar os seus modelos operacionais.

Neste cenário, a tecnologia deixou de ser um elemento de apoio para se afirmar como um fator estrutural de competitividade, controlo e eficiência operacional. A Stratesys, multinacional tecnológica especializada em transformação digital, destaca que, nos próximos anos, se verificará uma clara diferenciação entre as empresas que digitalizaram os seus processos e aquelas que conseguiram transformar os dados dos projetos em decisões operacionais e financeiras em tempo real, consolidando modelos de gestão mais avançados e resilientes.

Segundo Pablo Meijide, sócio-diretor de infraestruturas, construção e real estate na Stratesys, “a transformação do sector da construção passa por integrar a tecnologia no centro da operação, ligando dados, processos e pessoas. Apenas as empresas que consigam converter a informação dos projetos em decisões em tempo real estarão preparadas para responder com sucesso aos desafios de rentabilidade, eficiência e sustentabilidade exigidos pelo mercado”.

A consultora identifica seis tendências tecnológicas que estarão a marcar a evolução do sector da construção ao longo de 2026.

Plataformas colaborativas

A fragmentação histórica do sector evolui para modelos assentes em plataformas colaborativas que centralizam toda a informação do projeto. Estas soluções afirmam-se como o eixo operacional da obra, integrando planeamento, controlo económico, qualidade, segurança e documentação. O seu principal valor reside em alinhar todos os intervenientes sob uma única versão da realidade, reduzindo erros e acelerando a tomada de decisão.

Integração real

A desconexão entre a execução do projeto e os sistemas financeiros começa a desaparecer graças a integrações robustas entre plataformas de obra e sistemas ERP. Este avanço permite uma rastreabilidade completa, desde o orçamento inicial até ao fecho do projeto. Desse modo, melhora o controlo de custos, certificações e previsões e elimina processos manuais.

Estandardização

A industrialização do sector assenta na estandardização de processos e modelos de dados, permitindo comparar projetos, reutilizar conhecimento e escalar boas práticas. Esta abordagem facilita a automatização e a análise avançada, criando uma linguagem comum em organizações com múltiplas obras em simultâneo.

Inteligência artificial

A inteligência artificial atinge uma fase de maturidade no sector, com uma abordagem prática baseada na sua integração em plataformas e sistemas existentes. Os casos de uso mais relevantes centram-se na previsão de desvios, análise de risco, automatização de tarefas administrativas e apoio à decisão em obra, sempre com base em dados fiáveis e recolhidos em tempo real.

Gestão proativa

O acesso a dados integrados impulsiona a evolução para modelos de controlo económico preditivo. As empresas mais avançadas utilizam esta informação para antecipar desvios de custos e prazos, passando de uma gestão reativa para uma gestão proativa que alinha execução, finanças e estratégia.

O fator humano

Para além da tecnologia, o sucesso da transformação depende da sua adoção no contexto operacional. As organizações líderes estão a dar prioridade à usabilidade, à formação e à integração das ferramentas no dia a dia das equipas de obra, conscientes de que a transformação digital só gera impacto quando é efetivamente aplicada no terreno.

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