Cliente efetua pagamento com cartão num ponto de venda, enquanto segura um saco de compras, ilustrando uma experiência de compra em ambiente de retalho
Retalho

Retalho alimentar facilita integração da população imigrante

A população estrangeira residente em Portugal quadruplicou desde 2017 e o universo do grande consumo tem um papel essencial na integração, mostra estudo do CLab

No final de 2024, residiam em Portugal mais de 1,5 milhões de estrangeiros, um número que quadruplicou desde 2017 e que já representa cerca de 14% da população. A imigração deixou de ser apenas um tema demográfico: é um tema de mercado.

Num estudo conduzido pelo The Consumer Intelligence Lab (CLab), e apresentado numa reunião com os associados da Centromarca, o retalho alimentar e o universo do grande consumo surgem como alguns dos principais veículos de integração para a população imigrante. Com dezenas de entrevistas dedicadas, nas quais decorreram 50 horas de conversa e um acompanhamento detalhado dos hábitos de vida de várias famílias, às quais se juntaram 829 inquéritos presenciais, o estudo revela vários hábitos de consumo que traduzem tendências em função das marcas e insígnias, mas também conforme o grau de adaptação e o tempo de permanência no país.

Os imigrantes fazem compras em menos insígnias do que os portugueses, no entanto, movem-se com naturalidade e agilidade entre as diferentes lojas. Surge ainda uma diferença importante entre as compras do dia a dia e as de fim de semana ou associadas a festividades. O primeiro carrinho é mais funcional, enquanto o segundo é aquele em que se pratica mais a biculturalidade, onde se sente que vale mais a pena procurar produtos específicos em lojas especializadas para ocasiões especiais.

Escolha das marcas

Ainda assim, o estudo revela que uma fatia expressiva deste mercado (30%) parece ser pouco sensível à escolha da marca. Ou porque não distingue, não dá importância ou porque compra sempre o mais barato. As bebidas, os lacticínios e os produtos de higiene são as categorias em que mais se compra de marca de fabricante.

Muitos imigrantes mantêm uma ligação emotiva aos sabores, ingredientes e marcas do país de origem, ainda que, ao mesmo tempo, adotem produtos e rotinas portuguesas. O carrinho de compras torna-se, assim, bicultural: mistura-se o que é do novo país com o que se conhece do país de origem.

Este processo de aculturação acontece naturalmente e de forma gradual: quase metade dos imigrantes que estão no país há 10 a 15 anos admite ter alterado e aderido bastante aos hábitos alimentares dos portugueses. Em contraste, apenas um quarto de quem está cá há menos de dois anos tem a mesma experiência. Esta dimensão é mais visível em categorias alimentares, mas também pode estender-se à beleza e à higiene.

Sara Vaz, da Return on Ideas e responsável pelo estudo do CLab, considera que “estas comunidades já são demasiado relevantes para serem ignoradas e a sua dimensão é uma oportunidade para o sector do grande consumo. O desafio não está apenas em chegar até elas, mas fazê-lo compreendendo o seu contexto e necessidades”.

A configuração do mercado português está a sofrer uma transformação silenciosa, mas, apesar disso, muito significativa. E num mercado bastante amadurecido, a população imigrante a viver no nosso país, é – hoje – a sua parcela mais dinâmica, motivando marcas e retalhistas para uma atenção redobrada a este grupo tão heterogéneo de consumidores”, refere Pedro Pimentel, diretor-geral da Centromarca.

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