Mulher a sair de um retail park com sacos de compras Foto Shutterstock

Retail parks lideram nova oferta de retalho com mais de 77 mil metros quadrados em desenvolvimento

Os retail parks concentram o maior volume de nova oferta comercial atualmente em desenvolvimento em Portugal, com mais de 77 mil metros quadrados em pipeline, segundo a mais recente análise da consultora imobiliária Dils.

O mercado nacional conta atualmente com 57 retail parks e sete projetos em desenvolvimento. O dinamismo deste formato ocorre num contexto em que o retalho manteve a atratividade junto dos investidores, apesar de o capital aplicado no sector ter diminuído face ao primeiro semestre de 2025.

O investimento em ativos de retalho atingiu 77 milhões de euros no segundo trimestre e aproximadamente 417 milhões no acumulado dos primeiros seis meses do ano, um valor 30% inferior ao registado no período homólogo.

Formato beneficia da expansão fora dos grandes centros urbanos

A concentração da nova oferta nos retail parks reflete a procura por espaços com maior acessibilidade automóvel, custos de ocupação inferiores aos dos centros comerciais e capacidade para receber operadores de média e grande dimensão.

Estes projetos têm vindo a ganhar presença em cidades secundárias e áreas periféricas, acompanhando as estratégias de expansão de cadeias de retalho alimentar e não alimentar.

No segmento alimentar, a Dils identifica uma estratégia de crescimento e diversificação por parte de vários operadores, com maior recurso a formatos de menor dimensão. Esta tendência permite às insígnias entrar em zonas com áreas de influência mais reduzidas e adaptar o investimento às características locais da procura.

O retalho alimentar conta atualmente com 2.108 unidades comerciais analisadas pela consultora, enquanto o segmento de estabelecimentos autónomos, ou stand alone, reúne 631 unidades.

Rendas dos retail parks mantêm-se nos 13 euros

As rendas permaneceram estáveis no segundo trimestre nos principais segmentos do retalho. Os centros comerciais continuaram a apresentar o valor prime mais elevado, de 130 euros por metro quadrado por mês. No retalho alimentar, a renda de referência situou-se nos 15 euros, enquanto nos retail parks permaneceu nos 13 euros.

Os espaços stand alone apresentaram uma renda prime de 11 euros por metro quadrado por mês.

A diferença de valores ajuda a explicar a atratividade dos retail parks para operadores que procuram superfícies maiores, estacionamento e maior controlo sobre a configuração da loja, sem suportarem os níveis de renda dos centros comerciais mais consolidados.

No segmento dos centros comerciais, Portugal dispõe de 110 ativos e de um pipeline de nova oferta de 10.500 metros quadrados. Entre os projetos previstos encontram-se a expansão do Centro Colombo e uma nova fase de ampliação do Vila do Conde Porto Fashion Outlet.

Comércio de rua em Lisboa aumenta renda prime em 11%

No comércio de rua, Lisboa registou uma valorização das rendas nas localizações mais procuradas. A renda prime aumentou 11% em termos homólogos, para 155 euros por metro quadrado por mês. O segundo trimestre ficou marcado pelas aberturas da Weekend Max Mara e da Bottega Veneta na Avenida da Liberdade, reforçando a presença de marcas de luxo neste eixo comercial.

A Manteigaria abriu também um novo espaço no Rossio, demonstrando a procura por localizações turísticas e de elevada circulação pedonal por parte de conceitos de restauração e alimentação especializada.

No Porto, a renda prime manteve-se estável nos 85 euros por metro quadrado por mês. Entre as novas aberturas destacam-se a Parfois e a Brera na Rua de Santa Catarina e o Honest Greens na Avenida do Brasil.

A Dils considera que estas entradas evidenciam a diversificação dos conceitos presentes tanto em zonas comerciais consolidadas como em localizações emergentes.

Investimento imobiliário cresce para 1,4 mil milhões

No primeiro semestre, o mercado imobiliário comercial português movimentou 1,4 mil milhões de euros, mais 11% do que no mesmo período de 2025.

Apesar do crescimento acumulado, o volume investido no segundo trimestre diminuiu 18%, para 462 milhões de euros.

O capital estrangeiro representou 76% do montante transacionado entre abril e junho, mantendo um papel determinante nas operações de maior dimensão.

As estratégias consideradas core e core plus, normalmente associadas a ativos estabilizados e com rendimentos mais previsíveis, concentraram mais de 80% do investimento. Ainda assim, a consultora observou uma maior presença de operações value add e oportunísticas.

A hotelaria e o sector industrial e logístico foram os principais destinos do capital no trimestre, com quotas de 36% e 26%, respetivamente.

Hotelaria supera volumes anuais de 2024 e 2025

Por sua vez, o investimento em hotelaria realizado apenas no primeiro semestre de 2026 ultrapassou já os volumes registados no conjunto de 2024 e de 2025.

Entre as principais operações encontram-se a aquisição de 72% do Corinthia Lisbon por 150 milhões de euros, a venda de oito ativos do Project Nau por 90 milhões e a compra de uma participação de 50% no centro comercial Aqua Portimão por 60 milhões.

A lista inclui ainda a transação do edifício Triunfo, avaliada entre 20 milhões e 25 milhões de euros, e a venda do Santiago de Alfama Boutique Hotel por 22 milhões.

“Apesar da redução pontual do volume transacionado, o investimento atingiu 1,4 mil milhões de euros no primeiro semestre, mais 11% do que no mesmo período de 2025, num contexto internacional de maior incerteza”, afirma Pedro Lancastre, CEO da Dils Portugal.

Segundo o responsável, a presença de capital estrangeiro nas maiores operações demonstra que Portugal continua a ser reconhecido como um mercado competitivo.

Yields permanecem estáveis

As yields mantiveram-se estáveis durante o segundo trimestre, num sinal de confiança, mas também de maior seletividade na avaliação dos ativos. Os investidores estão a atribuir maior importância à qualidade das localizações, à segurança dos rendimentos e ao potencial de valorização.

No retalho, esta exigência favorece ativos com ocupação elevada, operadores sólidos, contratos de arrendamento de maior duração e capacidade para responder à evolução dos hábitos de consumo.

Neste contexto, os retail parks apresentam-se como um dos formatos com maior perspetiva de crescimento da oferta, beneficiando da expansão de operadores, da procura por superfícies modernas e da capacidade para integrar diferentes categorias numa mesma localização.

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Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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