As empresas portuguesas classificam a sua produtividade com uma média de 6,77 valores, numa escala de zero a dez. Além disso, atribuem 6,82 valores à capacidade de adaptação das suas estruturas internas às necessidades do negócio.
Ainda que a perceção global seja positiva, o estudo promovido pela Adecco Portugal, em parceria com o Instituto de Informação em Recursos Humanos, evidencia que a consolidação desta performance dependerá de uma maior aposta na estruturação de processos, na medição e na tecnologia.
Entre os principais sinais identificados pelo estudo está a necessidade de reforçar a gestão do conhecimento dentro das organizações. Atualmente, 47,97% das empresas inquiridas não dispõem de qualquer programa estruturado de disseminação de conhecimento. Apenas 12,16% referem ter um modelo bem estruturado com embaixadores responsáveis por essa partilha.
A isto junta-se o facto de só 18,92% contarem com manuais de procedimentos em todas as funções críticas. Isto demonstra que, em muitos casos, o conhecimento continua demasiado concentrado nas pessoas e pouco consolidado em processos.
Também no plano tecnológico permanece um desfasamento entre intenção e execução. Apesar de 73,04% das empresas considerarem a tecnologia uma área prioritária de investimento para reforçar a produtividade, 66,39% dizem não ter qualquer programa específico para a integração de inteligência artificial. Os dados mostram, assim, que existe ainda uma margem significativa para transformar essa prioridade estratégica em planos concretos de implementação.
A medição do desempenho surge igualmente como uma área com potencial de evolução. Apenas 12,3% das empresas contam com KPI automáticos integrados tecnologicamente nos seus processos críticos. Isto limita a capacidade de monitorização em tempo real e de tomada de decisão sustentada em dados. O reforço desta dimensão poderá ser decisivo para aumentar previsibilidade, agilidade e eficiência operacional.
Na gestão do absentismo, o estudo aponta também para a necessidade de uma abordagem mais estruturada. Atualmente, 72,0% das empresas adotam apenas planos pontuais para lidar com este desafio e 54,73% admitem não medir o absentismo como custo direto ou indireto. Ao mesmo tempo, perante picos de trabalho, 56,1% continuam a recorrer sobretudo a horas extra. Tal sugere que a resposta operacional permanece, em muitos casos, assente no esforço adicional das equipas.
Produtividade empresarial
Sérgio Duarte, national outsourcing director da Adecco Portugal, explica que o objetivo do estudo é, precisamente, ajudar a identificar os principais caminhos para uma eficiência mais consistente e sustentável. “O retrato que este estudo nos deixa é o de organizações que reconhecem a importância da produtividade, mas que têm agora o desafio de a sustentar através de modelos mais estruturados. Melhorar o desempenho não passa apenas por mais tecnologia. Passa também por criar as condições, os processos e os modelos de medição que permitam às equipas responder com maior consistência às exigências do negócio. O foco deve estar em transformar a reatividade em planeamento”, afirma.
O estudo baseou-se em 273 respostas de gestores e quadros intermédios de diferentes sectores de atividade, oferecendo uma leitura alargada sobre o grau de maturidade operacional das empresas em Portugal.
Entre os inquiridos, quase 64% estão sediados em Lisboa, 68,1% são mulheres e 42% têm entre 45 e 54 anos, o que configura uma amostra maioritariamente sénior e com responsabilidade de decisão. Cerca de 30% pertencem a empresas com 51 a 250 colaboradores e 44% trabalham em organizações com presença internacional.








