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Portugueses gastam mais mas desacelera crescimento em volume

Foto Shutterstock

Segundo o estudo “Growth Reporter” da Nielsen, os bens de grande consumo registaram, no mercado nacional e no último ano, um dinamismo total de 2,8% em valor, que comprova a boa performance verificada em todos os trimestres de 2018. No entanto, a variação em volume, no total do ano, foi metade da registada em 2017, verificando-se um abrandamento do crescimento.

No último trimestre do ano, os bens de grande consumo registaram um crescimento de 1,8% sobre um período homólogo que já era positivo. Tal como aconteceu durante todo o ano, o dinamismo deste trimestre foi especialmente sustentado por um efeito-preço positivo de 1,6%. Em volume, este sector manteve-se estável (+0,2%), crescendo a um ritmo muito mais lento do verificado no período homólogo.

Para Ana Paula Barbosa, Retailer Vertical Director da Nielsen, “é necessário ter em consideração que, embora se continuem a verificar bons crescimentos em valor, sustentados pelo efeito-preço, o mesmo crescimento não se verifica em volume. O panorama em Portugal continua positivo, mas a tendência é de abrandamento”.

No último trimestre de 2018, os portugueses voltaram a mostrar-se mais confiantes do que os consumidores a nível europeu. Segundo os resultados do relatório “The Conference Board Global Consumer Confidence Survey”, desenvolvido pela Nielsen, o grau de confiança registado entre os consumidores portugueses totalizou 87 pontos, posicionando-se três pontos acima da média europeia (84).

Em 2013, 89% os portugueses acreditavam que o seu país estava em recessão. Em 2018, esta percentagem baixou para 46%. Consolidando o seu crescente otimismo, quase metade (47%) dos portugueses afirma acreditar em melhorias na sua situação financeira. Para além disso, 41% prevê que a sua situação laboral vai melhorar nos próximos 12 meses e 28% diz que, tendo em conta a atual situação económica em que se encontra e o custo de vida atual, este é o momento certo para comprar aquilo de que precisa.

Também em 2013, a principal preocupação dos portugueses era o emprego. Agora é a saúde (28%), verificando-se uma importância crescente deste tipo de produtos na cesta dos consumidores nacionais.

Há cinco anos, quando 38% dos portugueses assumiam que não lhes sobrava dinheiro após o pagamento das despesas iniciais, eram muito poucos aqueles que gastavam em atividades de lazer. Neste último trimestre de 2018, os gastos com entretenimento fora de casa (26%), férias (25%) ou roupa (23%) são as categorias onde os portugueses dizem optar gastar o seu dinheiro.

Para além da maior aposta e disponibilidade para gastar em atividades que lhes deem prazer, a compra de produtos de gama mais premium é uma realidade cada vez mais comum, em resposta a um estilo de vida cada vez mais preenchido e a procura de uma vida mais equilibrada e feliz.

Ana Paula Barbosa alerta que “o mercado deve ter em conta que será cada vez mais difícil crescer em volume. A população não está a aumentar e os consumidores têm mais dinheiro para gastar, estão mais confiantes e fazem mais refeições fora de casa. Desta forma, a maior aposta de crescimento deverá ser a partir do efeito-preço”.

A responsável da Nielsen salienta ainda a necessidade entre os retalhistas de “reduzir a dependência de promoções, que continuaram a crescer em 2018, atingindo 46% das vendas, realizar promoções em produtos de gama premium e apostar em gamas de maior qualidade e sofisticação”.

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