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Metade das embalagens de vidro compradas em Portugal é já de vidro reciclado

Durante o evento de lançamento da Plataforma Vidro+, promovida e coordenada pela Associação Smart Waste Portugal, que decorreu no Ministério do Ambiente e da Ação Climática, Tiago Moreira da Silva, coordenador da plataforma, afirmou que “a maior parte das pessoas não sabe que, hoje, quando compram uma embalagem de vidro em Portugal, metade é composta por vidro reciclado”.

Esta declaração surge no âmbito da apresentação da Plataforma Vidro+, onde o coordenador da plataforma salientou a importância de trabalhar a cadeia de valor do vidro, que se encontra fragmentada, ao unir esforços e associar outros agentes, como universidades e centros de investigação, para a mudança da realidade das taxas de reciclagem atuais em Portugal.

Para Tiago Moreira da Silva, “quanto mais vidro de embalagem for recuperado no mercado nacional, melhor para a indústria, para a economia do país e para o ambiente, uma vez que, para a descarbonização, o segundo fator é a incorporação do vidro de embalagem na produção. E se as embalagens de vidro forem mais verdes e sustentáveis, os produtos têm mais valor, trazendo benefícios para Portugal”.

Jean-Paul Judson, coordenador da iniciativa europeia Close the Glass Loop, plataforma de ação para unir a cadeia de valor de recolha e reciclagem do vidro na Europa, que junta, até agora, 11 países, referiu que “Portugal é o primeiro país a contribuir ativamente para o objetivo da recolha de 90% das embalagens de vidro, com o lançamento desta plataforma colaborativa, mas há fatores a melhorar. Se olharmos para a economia circular em toda a Europa, Portugal tem das menores taxas de reciclagem de vidro, sendo um dos sete países prioritários identificados que, juntos, são responsáveis por mais de 80% das embalagens de vidro que ainda não são recicladas na União Europeia”.

Adeline Farrelly, secretária-geral da FEVE (Federação Europeia do Vidro de Embalagem), também marcou presença no evento, em videoconferência, para destacar a importância da reciclagem das embalagens de vidro na Europa para a atingir a neutralidade carbónica. “80% das emissões de CO2 resulta da energia utilizada do processo produtivo do vidro, o gás natural, e 20% da utilização das matérias-primas virgens. Temos de ter acesso a energias limpas para reduzir a pegada carbónica do processo produtivo, mas, se também conseguirmos substituir as matérias-primas virgens pelo casco de vidro de embalagem, conseguimos poupar já 20% das emissões”, adianta.

 

Circularidade

No painel que se seguiu, dedicado às boas práticas rumo à circularidade do vidro de embalagem, e que contou com a presença de cinco oradores, que são já membros efetivos da Plataforma Vidro+, foi destacada a importância da comunicação no canal Horeca, um dos considerados na sessão como sendo o maior desafio para a recolha das embalagens de vidro.

Joana Xavier, responsável de comunicação da Valorsul, em representação da EGF, salientou a importância de “perceber como é que devemos comunicar, por exemplo, numa cozinha, numa copa, para garantir uma correta separação do vidro de embalagem. É comum quando trabalhamos na mesma cadeia apontar o dedo quando há falhas. Esta plataforma vem unir os esforços para trabalharmos em equipa, para encontramos soluções conjuntas”.

Já Luís Assunção, vice-presidente do Conselho de Administração da Porto Ambiente, deu como exemplo “as nossas equipas de sensibilização que vão aos estabelecimentos, para verificar se os mesmos fazem uma correta separação. No caso de não cumprirem, dão alternativas. Em vez de terem multa, têm a opção de fazer uma formação para os capacitar a fazer a separação de forma correta”. Luis Assunção referiu ainda que “o vidro é o material que as pessoas mais sabem reciclar. Temos é de lhes dar ferramentas para que elas não se sintam tentadas em não separar o material. Por exemplo, um dos fatores que contribui para a baixa taxa de reciclagem é a falta de capacidade de armazenamento dos resíduos nos estabelecimentos”.

 

Digitalização

Carolina Sousa, responsável de sustentabilidade e responsabilidade social corporativa da Trivalor, acrescentou ainda que “seria interessante se cada cidadão conseguisse saber, através dos serviços municipalizados, qual a quantidade de vidro que efetivamente recicla, o que seria possível através da digitalização dos ecopontos”.

Para Graça Borges, diretora de comunicação, relações institucionais e sustentabilidade do Super Bock Group, “deverá ser colocada informação que impele à ação da reciclagem nas embalagens de vidro. O canal Horeca tem um grande peso e a nossa preocupação tem sido perceber as barreiras de linguagem existentes. Há trabalho e esforço na separação, mas quem leva os resíduos, ao final do dia, para a reciclagem são as equipas de limpeza dos estabelecimentos e, no final dos turnos, o cansaço é notório. É necessário perceber quais são as razões para a não reciclagem para encontrar uma linguagem simples e consensual”.

Sobre que recomendações os oradores deixam para o início da Plataforma Vidro+, Isabel Santos, Head Of Procurement Department da Sogrape, salientou a importância de “ouvir todos os intervenientes, perceber quais são as suas dores, para se poderem estudar alternativas de as ultrapassar, porque todos beneficiamos com isso”.

Graças Borges partilhou ainda no painel a necessidade de “divulgar as métricas que temos, a nossa taxa atual de reciclagem, para sensibilizar a população em geral. Se todos soubermos que, com o nosso contributo, só se consegue incorporar cerca de 52% do casco reciclado nas embalagem de vidro, vamos questionar-nos porquê e tentar perceber como podemos melhorar”.

 

Plataforma Vidro+

A Vidro+, plataforma oficialmente lançada, é uma iniciativa colaborativa que tem como objetivo criar um compromisso entre os diferentes agentes da cadeia de valor do vidro de embalagem, que atuam no mercado nacional, incluindo também entidades governamentais, universidades e centros de investigação, associações e organizações não governamentais, definindo metas e objetivos ambiciosos para promover o aumento da taxa de reciclagem do vidro em Portugal. “Esta é mais um iniciativa relevante, promovida pela Associação Smart Waste Portugal, que a Secretaria-Geral do Ambiente e o Ministério do Ambiente e da Ação Climática não podiam deixar de se associar e envolver”, declara Alexandra Carvalho, secretária-geral do Ambiente.

Também o presidente da direção da Associação Smart Waste Portugal, Aires Pereira, ressalvou que “hoje damos o primeiro passo numa longa e exigente caminhada. Temos a oportunidade única de criar uma mudança positiva e tornar Portugal num país de referência na recolha e reciclagem das embalagens de vidro e incorporação de vidro reciclado na produção de novas embalagens, servindo de inspiração no movimento de transição para uma economia mais circular“.

A Plataforma Vidro+ tem como objetivo a recolha de 90% das embalagens de vidro usadas, colocadas no mercado, para reciclagem, até 2030. Até ao momento, conta já com 33 membros, como, por exemplo, BA Glass, Central de Cervejas, EGF, Electrão, Interfileiras, Lipor, Novo Verde, Porto Ambiente, Sociedade Ponto Verde, Sogrape, Sonae, Super Bock Group, Trivalor, Verallia Portugal e Vidrala.

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