Corredor de supermercado com prateleiras cheias de produtos e uma pessoa ao fundo Imagem: Shutterstock

Mercado global de proximidade vai superar 867 mil milhões de euros até 2030

As vendas mundiais do retalho de proximidade deverão crescer de cerca de 780 mil milhões de euros, em 2025, para mais de 867 mil milhões de euros em 2030, embora o canal perca peso no mercado alimentar global.

As previsões da IGD apontam para um crescimento médio anual de 3,5% até ao final da década, abaixo dos 4% esperados para o conjunto do mercado alimentar. A quota do canal deverá, por isso, recuar de 10,7%, em 2025, para 10,4% em 2030.

Os 20 maiores operadores mundiais de proximidade deverão representar, em conjunto, mais de 69 mil milhões de euros em vendas.

“O crescimento destacado esconde um desafio estrutural: o canal de proximidade corre o risco de se tornar maior, mas desempenhar um papel menor na despesa alimentar, a menos que retalhistas e fornecedores se adaptem”, afirma Sneha Haria, insight manager da IGD.

Discount e entregas rápidas aumentam concorrência

A perda de quota resulta da intensificação da concorrência por parte dos operadores discount, dos supermercados de pequena dimensão e das plataformas de entregas rápidas.

Os discounters estão a aproximar-se dos consumidores através de redes mais densas e formatos locais, atraindo compradores particularmente atentos ao preço. Paralelamente, os supermercados têm vindo a melhorar os seus formatos de proximidade, reforçando o sortido, as refeições prontas e as soluções para compras rápidas.

As plataformas de entrega rápida também estão a reduzir a necessidade de deslocação às lojas para compras urgentes ou de reposição. O consumidor consegue aceder, em poucos minutos, a uma variedade de produtos que anteriormente exigiria uma visita ao estabelecimento mais próximo.

Em conjunto, estas mudanças estão a enfraquecer vantagens historicamente associadas ao canal, como a localização, a rapidez e a clareza da missão de compra.

Perceção de preços elevados penaliza canal

A IGD identifica ainda os custos operacionais crescentes e as limitações regulatórias à flexibilidade dos preços como fatores de pressão sobre o desempenho.

A perceção de que as lojas de proximidade apresentam preços mais elevados torna-se particularmente prejudicial nos períodos de inflação, quando os consumidores comparam mais frequentemente os valores entre canais e procuram alternativas económicas.

Para combater esta imagem, os operadores terão de reforçar a visibilidade do valor oferecido, recorrendo à marca própria, aos programas de fidelização e a estruturas de preços mais simples.

O desafio não passa necessariamente por igualar os preços dos discounters, mas por tornar mais evidente a relação entre preço, conveniência, qualidade e serviço.

Europa deverá ganhar quota

A evolução do canal deverá variar significativamente entre regiões. A Europa será a região com o maior aumento de quota, que deverá passar de 11,3% para 11,9% entre 2025 e 2030. A progressão será impulsionada pela expansão das redes de lojas e pelo recurso crescente ao franchising.

A Ásia deverá gerar o maior crescimento absoluto de vendas. A penetração do canal continuará, contudo, abaixo de 8%, devido à forte presença do comércio tradicional e dos mercados alimentares locais.

Já a América do Norte, atualmente o maior mercado mundial de proximidade, deverá apresentar o crescimento mais lento. A quota do canal deverá cair de 16,9% para 15,1%, pressionada pela expansão dos discounters e das plataformas de entrega rápida.

Proximidade, por si só, deixa de ser suficiente

Os operadores que estão a ganhar quota não dependem apenas da localização das lojas. Segundo a IGD, estão a redefinir a função dos estabelecimentos e a organizar a oferta em torno de missões de compra mais concretas.

Entre estas encontram-se as soluções de alimentação para consumo imediato, as propostas destinadas a refeições posteriores e as compras planeadas de reposição.

A estratégia passa igualmente por acrescentar serviços, alimentos preparados e experiências que os concorrentes digitais ou os grandes formatos tenham dificuldade em reproduzir à escala local.

“Os operadores que estão a ganhar quota estão a reformular deliberadamente a oferta em torno de missões alimentares claras, valor visível e utilidade quotidiana”, acrescenta Sneha Haria.

Tecnologia pode proteger as margens

A automatização e a tecnologia terão também um papel crescente na redução dos custos e na melhoria da eficiência operacional. Soluções de previsão da procura, gestão automatizada de inventário, otimização de horários, equipamentos de pagamento autónomo e análise de dados poderão ajudar a proteger as margens num formato caracterizado por lojas pequenas e custos elevados por unidade vendida.

O estudo “Global Convenience Trends 2026” conclui que o canal continuará a crescer em valor, mas terá de evoluir mais rapidamente para evitar que a concorrência fique com uma parcela crescente das compras alimentares.

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Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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