Luxo Foto Shutterstock

Luxo europeu pressiona rendas e Lisboa mantém-se no radar das grandes marcas

Escassez de espaços prime leva rendas do luxo a subir na Europa, com Lisboa a reforçar atratividade internacional


Metade das principais ruas de comércio de luxo da Europa deverá registar aumentos nas rendas ao longo de 2026, numa altura em que a escassez de espaços disponíveis continua a intensificar a competição entre marcas internacionais. A conclusão é do estudo Global Luxury Retail Outlook 2026, da Savills, que aponta para uma crescente pressão sobre as localizações prime, mesmo num contexto económico mais moderado.

Depois de um crescimento global de 6,6% em 2024, as rendas prime do retalho de luxo avançaram apenas 0,9% em 2025. Ainda assim, a Europa contrariou a desaceleração internacional, registando uma subida de 1,2%, sustentada sobretudo pelas zonas comerciais mais exclusivas, onde a oferta disponível é praticamente inexistente.

Segundo José Galvão, head of retail da Savills Portugal, Lisboa continua a destacar-se entre os destinos mais procurados pelas marcas de luxo. A Avenida da Liberdade mantém níveis elevados de procura internacional e deverá receber novas insígnias nos próximos dois anos, muitas delas pela primeira vez em Portugal.

“A elevada procura, combinada com a escassez de oferta, continuará a pressionar as rendas, à semelhança do que sucede nas principais capitais europeias”, refere o responsável.

Londres surge como o exemplo mais evidente desta tendência. Em 2025, 42% das novas lojas de luxo abertas na capital britânica resultaram de expansões de espaços já existentes ou da mudança para lojas maiores, a percentagem mais elevada entre as cinco principais cidades mundiais do setor.

De acordo com Anthony Selwyn, co-head of global retail da Savills, o mercado não enfrenta uma quebra de procura, mas sim uma reorganização estratégica. “A qualidade e a escassez das oportunidades passaram a ditar toda a atividade”, afirma, sublinhando que a competição pelas melhores localizações tem sido suficiente para manter a subida das rendas, mesmo num cenário económico mais desafiante.

O fenómeno já não se limita a cidades como Londres, Paris ou Milão. Mercados como Amesterdão, Viena e Copenhaga começam também a ganhar protagonismo no retalho de luxo europeu, refletindo a expansão geográfica das marcas premium.

O estudo destaca ainda que, perante a dificuldade em encontrar espaços nas zonas tradicionais, algumas marcas estão a criar novos eixos comerciais de luxo, alargando as áreas consideradas prime. Trata-se, contudo, de uma estratégia reservada sobretudo aos operadores com maior dimensão e capacidade financeira.

Para a Savills, a pressão sobre a oferta deverá manter-se durante 2026, sustentando a valorização das rendas nas principais artérias comerciais europeias e reforçando o papel de cidades como Lisboa no mapa internacional do luxo.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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