Close-up de uma mão protegida por uma luva de jardinagem azul e cinzenta a espalhar granulado fertilizante sobre um terreno agrícola preparado para cultivo. As pequenas partículas são lançadas manualmente sobre o solo escuro, enquanto algumas ervas verdes surgem em primeiro plano Foto Shutterstock

Líderes mundiais pedem ação coordenada urgente sobre segurança alimentar

Os líderes do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM) e da Organização Mundial do Comércio (OMC) emitiram um comunicado conjunto apelando a uma ação coordenada para ajudar os países vulneráveis a lidar com as ameaças crescentes à segurança alimentar.

As medidas propostas incluem a prestação de assistência alimentar e financeira de emergência às famílias e aos países, a facilitação do comércio sem entraves e o investimento na produção alimentar sustentável e na segurança nutricional.

Em concreto, o presidente do Banco Mundial, David Malpass, a diretora geral do FMI, Kristalina Georgieva, o diretor executivo do PAM, David Beasley, e a diretora geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, dizem, nesta declaração conjunta, que “o mundo está a ser abalado por crises cada vez maiores. As consequências da guerra na Ucrânia juntam-se à atual pandemia de Covid-19, que entra no seu terceiro ano, enquanto as alterações climáticas e o aumento da fragilidade e dos conflitos representam danos persistentes para as pessoas em todo o mundo. Os preços das matérias-primas e a escassez de oferta estão a aumentar a pressão sobre as famílias e a empurrar milhões para a pobreza. A ameaça é maior para os países mais pobres, com uma grande parte do consumo de alimentos importada, mas a vulnerabilidade está a aumentar rapidamente nos países de rendimento médio, que abrigam a maioria dos pobres do mundo. As estimativas do Banco Mundial alertam que, por cada aumento de um ponto percentual nos preços dos alimentos, 10 milhões de pessoas são atiradas para a pobreza extrema em todo o mundo“.

 

Preços

Os líderes destas instituições lembram também que “a subida dos preços dos produtos alimentares é exacerbada por um aumento dramático do custo do gás natural, um ingrediente-chave nos adubos azotados. O aumento dos preços dos fertilizantes, associado a cortes significativos nos fornecimentos globais, tem implicações importantes para a produção de alimentos, na maioria dos países, incluindo os principais produtores e exportadores, que dependem fortemente das importações de fertilizantes. O aumento dos preços dos alimentos e os choques de abastecimento podem alimentar tensões sociais em muitos dos países afetados, especialmente aqueles que já são frágeis ou afetados por conflitos.”

Como tal, estes líderes apelam à comunidade internacional para que apoie os países vulneráveis através de ações coordenadas, que vão desde o fornecimento de emergência de alimentos, apoio financeiro, aumento da produção agrícola e comércio aberto. “Estamos empenhados em combinar os nossos conhecimentos e financiamentos para intensificar rapidamente a nossa política e apoio financeiro para ajudar os países e famílias vulneráveis, bem como aumentar a produção agrícola nacional e o fornecimento aos países afetados. Podemos atenuar as pressões da balança de pagamentos e trabalhar com todos os países para manter os fluxos comerciais abertos. Além disso, vamos reforçar, ainda mais, a nossa monitorização das vulnerabilidades alimentares e estamos a expandir rapidamente os nossos conselhos políticos multifacetados para os países afetados, guiados pelas vantagens comparativas das nossas respetivas instituições“.

 

Apelo

Os líderes exortam igualmente a comunidade internacional a ajudar a apoiar necessidades financeiras urgentes, incluindo através de subvenções. “Exortamos também todos os países a manterem o comércio aberto e a evitarem medidas restritivas, como a proibição da exportação de alimentos ou de fertilizantes, que exacerbam, ainda mais, o sofrimento das pessoas mais vulneráveis. É especialmente importante não impor restrições à exportação de alimentos humanitários pelo Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas. É fundamental prestar um rápido apoio aos países com insegurança alimentar de forma coordenada. Estamos prontos a trabalhar em conjunto com os nossos parceiros multilaterais e bilaterais, para ajudar os países a enfrentar esta crise urgente“.

 

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