Letreiro preto e branco com o logótipo «JD» na fachada de um edifício Foto sylv1rob1/Shutterstock

JD Sports fatura 6,88 mil milhões de euros, mas lucro ajustado cai 19,7%

A JD Sports terminou o primeiro semestre do exercício 2026/27 com 5,9 mil milhões de libras em vendas, cerca de 6,88 mil milhões de euros, o que representa uma quebra homóloga de 0,7%.

O lucro antes de impostos e itens de ajustamento recuou 19,7%, para 282 milhões de libras, aproximadamente 328,7 milhões de euros.

A retalhista britânica manteve, contudo, a previsão anual já revista em baixa no mês passado, apontando para um lucro antes de impostos e ajustamentos entre 700 e 800 milhões de libras, o equivalente a cerca de 816 milhões a 932,5 milhões de euros, no conjunto do exercício 2026/27.

Em 2025/26, este indicador tinha atingido 852 milhões de libras, aproximadamente 993,1 milhões de euros.

América do Norte pesa nos resultados

A América do Norte representa 38% das vendas do grupo e terminou o semestre com receitas de 2,23 mil milhões de libras, cerca de 2,60 mil milhões de euros. As vendas comparáveis caíram 3,5% e as orgânicas 1,7%.

A pressão aumentou durante o segundo trimestre, quando as vendas like-for-like na região recuaram 6,8%, num contexto de menor confiança dos consumidores e maior intensidade promocional.

O CEO, Régis Schultz, atribuiu a evolução a um ambiente marcado pela pressão do custo de vida, por dificuldades no ciclo de produto do calçado e por um mercado fortemente promocional. A empresa admite que vários destes fatores poderão prolongar-se durante a segunda metade do exercício.

A América do Norte continua a incluir insígnias como JD Sports, Hibbett, DTLR, Shoe Palace e Finish Line.

A empresa iniciou ainda um programa para encerrar cerca de 170 lojas Hibbett de menor desempenho ao longo dos próximos três anos, mantendo simultaneamente novas aberturas em localizações consideradas de maior potencial.

Europa mantém-se praticamente estável

Na Europa, que representa 33% das vendas do grupo, as receitas atingiram 1,95 mil milhões de libras, cerca de 2,27 mil milhões de euros. As vendas orgânicas recuaram apenas 0,5%, embora as comparáveis tenham descido 2,6%.

A região foi condicionada por condições meteorológicas adversas no sul da Europa durante o primeiro trimestre e por um ambiente promocional e de consumo menos favorável.

Ainda assim, a JD Sports destacou o desempenho dos seus negócios de artigos desportivos na Península Ibérica, Grécia e Chipre.

As operações ibéricas incluem a Sprinter em Espanha e a Sport Zone em Portugal, tendo registado um primeiro semestre que a empresa classificou como forte.

O vestuário e acessórios apresentaram também um comportamento positivo na Europa, com vendas orgânicas a crescer cerca de 7%, enquanto o negócio online avançou 2,1%.

Calçado continua sob pressão

O calçado permanece uma das áreas mais desafiantes para o grupo. Na Europa, as vendas orgânicas desta categoria recuaram aproximadamente 2%, com a JD Sports a apontar para a menor procura por algumas linhas em final de ciclo.

O desempenho foi parcialmente compensado por produtos associados ao running de performance, moda sazonal e eventos específicos.

A Reuters destaca também a importância da Nike, responsável por mais de 40% das vendas da JD Sports, numa altura em que a marca norte-americana atravessa um processo de transformação do portefólio e procura recuperar a inovação de produto.

Digitalização e expansão internacional continuam

Apesar da pressão sobre o consumo, a JD Sports mantém os investimentos na transformação digital e expansão geográfica. Durante o semestre, foram lançadas novas plataformas de comércio eletrónico no Reino Unido e Irlanda, estando prevista para a segunda metade do exercício a migração dos restantes mercados europeus.

A marca JD contava, em agosto, com 2.085 lojas próprias a nível mundial, excluindo franquias. Mais de 80% da rede encontra-se fora do Reino Unido.

O grupo assinou também recentemente um acordo de franchising com o Grupo Axo para entrar no México, onde estão previstas mais de 140 lojas JD a partir de 2027, reforçando a estratégia de crescimento através de parceiros em novos mercados.

A administração mantém uma posição prudente para o segundo semestre, num cenário em que a recuperação dependerá tanto da confiança dos consumidores como da capacidade das principais marcas de desporto e moda para gerar maior procura através de novos produtos.

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