A H&M continua a “navegar” um contexto desafiante no retalho de moda, combinando uma melhoria da rentabilidade com sinais de abrandamento na procura. O grupo sueco registou um aumento expressivo dos resultados operacionais e líquidos no arranque do exercício, apesar de uma quebra nas vendas.
No primeiro trimestre (dezembro de 2025 a fevereiro de 2026), o resultado operacional cresceu 25,68%, atingindo 1.512 milhões de coroas suecas (cerca de 139,9 milhões de euros). Por sua vez, o resultado líquido aumentou 21,59%, para 704 milhões de coroas (65,1 milhões de euros).
Este desempenho contrasta com a evolução das vendas, que recuaram 10,34% no mesmo período. Fixaram-se, assim, em 49.607 milhões de coroas suecas (aproximadamente 4.589,6 milhões de euros), penalizadas sobretudo pelo impacto cambial.
Disciplina operacional
O desfasamento entre lucros e receitas evidencia uma mudança de ciclo na gestão da empresa. Num momento em que o crescimento já não é garantido apenas pela expansão comercia, está mais focada na eficiência operacional e no controlo de custos. De facto, a H&M tem vindo a racionalizar a sua rede física, encerrando lojas e privilegiando localizações mais estratégicas.
Paralelamente, a cadeia de moda continua a aprofundar a sua aposta na economia circular, nomeadamente através da revenda de roupa usada. Especificamente, em 2025, esta atividade gerou 1.844 milhões de coroas suecas (mais de 170 milhões de euros), representando um crescimento de 31% face ao ano anterior.
Apesar do ritmo de crescimento, o impacto no negócio global permanece ainda limitado. A revenda representa apenas cerca de 0,8% das receitas totais do grupo, que ascenderam a mais de 228 mil milhões de coroas suecas (cerca de 21.100 milhões de euros).
Sellpy como pilar da estratégia de segunda mão
A plataforma Sellpy assume um papel central nesta transformação. Detida maioritariamente pela H&M desde 2019, tem sido o principal motor da operação de revenda, suportando a expansão do serviço para novos mercados, como a Polónia e a República Checa, e consolidando a presença em 24 geografias.
Nesse sentido, para sustentar este crescimento, a empresa investiu cerca de 108 milhões de euros, em 2025, entre custos operacionais e investimento direto na área de revenda, com foco na logística e na escalabilidade do modelo.
Ainda assim, a própria empresa assume a revenda como uma alavanca de longo prazo e não como um motor imediato de receitas.








