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Greenpeace denuncia “roubo” de pescado na África Ocidental por parte de empresas europeias

Foto Nowaczyk/Shutterstock.com

A Greenpeace denuncia que, todos os anos, as empresas europeias contribuem para o que define como o “trágico desvio” de peixe fresco, essencial para manter a segurança alimentar de mais de 33 milhões pessoas na região da África Ocidental.

De acordo com um estudo da organização não governamental (ONG) e da fundação Changing Markets, mais de meio milhão de toneladas de pequenos peixes são extraídas, todos os anos, ao largo da costa da África Ocidental e se convertem em alimento para ser utilizado na aquicultura e na agricultura, em suplementos dietéticos e cosméticos e em produtos alimentares para animais de companhia fora do continente africano. “A indústria das farinhas e óleo de peixe, assim como todos os governos e empresas que as apoiam, estão a privar as populações locais do seu meio de subsistência e da sua principal fonte de proteína. Isto vai contra os compromissos internacionais sobre o desenvolvimento sustentável, a erradicação da pobreza, a segurança alimentar e a igualdade de género”, assinala Javier Raboso, responsável de Paz, Democracia e Direitos Humanos na Greenpeace.

 

Empresas europeias

O estudo baseia-se na investigação do comércio de farinha e óleo de peixe e dos vínculos na cadeia de abastecimento entre esta indústria na África Ocidental e o mercado europeu. Contempla comerciantes, empresas aquícolas e agroalimentares em Espanha, França, Noruega, Dinamarca, Alemanha e Grécia.

As exportações de farinha e óleo de peixe para a Europa estão a roubar o sustento das populações costeiras, ao privá-las de uma importante fonte de alimento e de receitas. As empresas europeias de alimentação para aquicultura e os seus retalhistas não podem ignorar este importante problema meio-ambiental e de direitos humanos. É o momento de repensar as cadeias de abastecimento e eliminar o uso de pescado selvagem para alimentar os peixes de aquicultura e outros animais, de modo a preservar este recurso marinho para as gerações futuras”, sublinha Alice Delemare Tangpuori, diretora de campanhas da Changing Markets.

A União Europeia foi o primeiro mercado de destino das exportações de óleo de peixe da Mauritânia e do Senegal, em 2019, com França a concentrar mais de 60% das importações da Mauritânia, com 15.101 toneladas.

 

Situação crítica para a pesca artesanal

O estudo alerta para uma situação crítica para o sector da pesca artesanal, um importante pilar económico na África Ocidental, o que terá motivado muitos jovens e os próprios pescadores da região a arriscarem-se a alcançar as costas europeias, em busca de alternativas. Apesar da existência de outros fatores concomitantes, sem dúvida que esta grave situação está a contribuir para a reativação da rota migratória canária, que é, hoje em dia, das mais perigosas do mundo, diz o estudo.

A Greenpeace África e a Changing Markets pedem às empresas, aos responsáveis políticos e aos governos que deixem de usar pescado apto para o consumo humano na África Ocidental para alimentar a procura de farinha e óleo de peixe, em especial salmão, na União Europeia e na Noruega.

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