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Fitness: a “moda” veio para ficar?

Os portugueses continuam a demonstrar um crescente interesse em manter um estilo de vida saudável. Para além de uma alimentação mais saudável, os portugueses estão cada vez mais adeptos do fitness. O que parecia ser uma moda é agora uma realidade que veio para ficar. Após uma queda acentuada entre 2010 e 2013, a prática de exercício físico tem vindo a aumentar. Portugal continua, no entanto, a ser dos países da União Europeia que menos pratica desporto, cenário que parece estar a mudar com o aparecimento de cadeias de ginásio low cost.

Seja por uma questão mais estética relacionada com a imagem ou pela procura de um estilo de vida mais saudável, o fitness parece afirmar-se como uma tendência de futuro. Com valores ainda relativamente baixos, a verdade é que a prática de exercício físico, sobretudo associada aos ginásios, é cada vez maior. Em 2010, o Eurobarómetro da Comissão Europeia revelava dados de que mais de metade dos portugueses (64%) não praticavam qualquer atividade física, valor mais elevado que a média europeia (59%), apontando as dificuldades económicas e a falta de tempo como as principais razões. Segundo o barómetro da AGAP, Associação de Empresas de Ginásios e Academias de Portugal, referentes ao ano de 2015, o mercado português de fitness cresceu 13% em 2015, somando assim 730 mil pessoas, o que equivale a 7,1% da população total e 8,3% da população com mais de 15 anos. O número de ginásios aumentou para 1.365, levando a uma média de 537 membros por clube, situando-se a mensalidade média nos 36 euros. O valor de mercado total estimado é de 286 milhões de euros.

Com quase 20 anos de existência, a associação aponta os seus esforços na defesa do sector, contando com mais de 1.000 ginásios como associados e 700 profissionais ligados. Para Armando Moreira, da direção geral da AGAP, muito mudou neste sector. “Em 20 anos, praticamente tudo mudou no mercado: regulamentação, profissionalização e novos modelos de negócio. Vivemos numa sociedade cada vez mais envelhecida e sedentária, pelo que é incontornável e imperioso que tudo o que diga respeito à saúde e bem-estar seja promovido e fortalecido, do ponto de vista social, económico e fiscal. Hábitos geracionais não se apagam de um dia para o outro. O lado positivo é que tem sido o fitness a dar uma resposta crescente para as pessoas que procuram ativar-se”, explica.

Low cost
Se o fator preço se revela determinante para os portugueses na decisão de praticar exercício físico, o aparecimento de cadeias de ginásio low cost veio dar um novo, e grande, impulso ao sector. “O mito que o ginásio é um luxo foi extinto. Nos últimos anos, temos vindo a assistir a uma diminuição do preço médio da mensalidade em Portugal. Em 2011, os dados apontavam para 46 euros, sendo que baixou 22% até 2015 (36 euros). O low cost foi o segmento de mercado que mais cresceu e fez crescer a procura, ‘abrindo a porta’ a milhares de novos utilizadores, quebrando a barreira do fator preço”, acrescenta Armando Moreira.

Um dos exemplos é o Pump Fitness Spirit, ginásio eleito Escolha do Consumidor 2017 e distinguido pelo Prémio 5 Estrelas 2017. Em 2011, abria portas, na Avenida da República, o primeiro espaço. Um ginásio de última geração que nasceu da vontade de revolucionar o conceito de fitness, tonando-o flexível, moderno e acessível. Atualmente, com sete clubes em funcionamento, o Pump conta já com mais de 20 mil sócios e não gosta de se assumir como uma cadeia low cost. “Apesar de praticarmos uma média de preços enquadrada no segmento low cost, não nos assumimos como uma marca low cost. Diferenciamo-nos dos restantes operadores low cost, que operam numa ótica de self-service, por manter um serviço personalizado desde a receção ao ginásio, valorizando sempre a proximidade e a simplicidade de utilização”, explica Hugo do Ó, marketing & sales director do Pump.

Com um perfil de sócios bastante heterogéneo, Hugo do Ó acredita que o aparecimento do Pump veio, de certa forma, impulsionar a adesão dos portugueses ao fitness. “Creio que a perceção geral, da população portuguesa, em relação aos benefícios do exercício físico na saúde tem vindo a mudar pela positiva e isso reflete-se nos fatores de decisão de adesão ao ginásio. Acima de tudo, temos tido a capacidade de alargar o universo global de clientes de fitness. O mercado nacional estava dividido entre duas a três marcas e o incremento de novos atores no mercado, com um custo apelativo, despertou uma maior procura de praticantes. Portanto, fazemos parte desta mudança e orgulhamo-nos de contribuir para o aumento da prática de exercício físico em Portugal”, acrescenta.

Apesar do número de praticantes de exercício físico em Portugal ser inferior à média europeia, a realidade é que estamos a assistir a um crescimento significativo na procura e prática de fitness em Portugal. Com um papel importante nesta nova etapa, o Pump espera inaugurar cinco novos espaços até ao final de 2017, alargando o seu processo de expansão para fora da Grande Lisboa. “Os próximos clubes já confirmados são o de Faro e Seixal, com abertura prevista ainda no primeiro semestre de 2017. A estratégia passa pela descentralização dos clubes para fora da área da Grande Lisboa e pela constante mutação na oferta de serviços”, remata.

Personalização
Mas nem só de grandes cadeias vive este mercado. As nove empresas líderes em Portugal, onde se destacam o Holmes Place, com 19 ginásios, o Fitness Hut, com 14, e o Solinca, com 12 clubes, reúnem 30% do total dos membros inscritos em ginásios em Portugal. Se estas grandes cadeias de ginásios demonstram um crescimento brutal de 39%, a taxa de crescimento dos ginásios singulares situa-se nos 9%. O Puxa e Estica, em Alfornelos, é um ginásio de pequena dimensão que comemora este ano 20 anos de existência. Fruto de um desafio entre três amigos para se associarem a um projeto ligado ao desporto, o ginásio Puxa e Estica assume-se como diferenciador no mercado pelo seu forte investimento no fator humano. “Neste momento, a concorrência quase ‘desleal’ baseada em preços muito baixos não deixa praticamente margem para os ginásios de pequena ou média dimensão. O conceito low cost permite o acesso a ginásios a preços reduzidos, embora havendo um desinvestimento ao nível dos recursos humanos e da assistência prestada aos clientes. No caso do Puxa e Estica, o investimento ao nível da assistência a todos os clientes é superior. Para não sermos ‘engolidos’ neste mercado, investimos nas pessoas e na nossa reinvenção, estando atentos a todos os pormenores, e procuramos disponibilizar uma competência profissional superior. Temos sócios com 20 anos de casa e que nos procuram, sobretudo, pelo ambiente familiar e pela vertente associada à saúde que colocamos em todas as nossas atividades”, explica Marta Godinho, diretora técnica do Puxa e Estica.

A interação e o acompanhamento pessoal e permanente aos sócios, bem como os serviços de nutrição e a forte qualificação dos profissionais, são para Marta Godinho fatores a ter em conta quando se fala do Puxa e Estica. “O fitness é uma tendência que veio para ficar. As pessoas ficam mais sensibilizadas, perante os benefícios que vão experimentando e pela a sensação de bem-estar que gradualmente adquirem. Acabam por se ‘render’. A mediatização do fenómeno do fitness e da atividade física ajuda a divulgar e a motivar a população em geral para seguir as tendências. No entanto, acreditamos que mais importante ainda é a transmissão e a motivação entre amigos e família. Há cada vez mais uma tendência para a atividade, no entanto há ainda muita população sedentária. A mediatização da atividade física como um pilar fundamental para uma vida mais saudável com efeitos concretos e comprovados cientificamente tem permitido que a população perspetive a atividade física para lá dos desportos tradicionais. Nem todos temos que ser atletas, mas manter uma vida ativa é fundamental para um maior e mais duradouro bem-estar”, acrescenta.

Com expectativas elevadas de crescimento para os próximos anos, os operadores no negócio do fitness mostram-se otimistas em relação ao futuro. Um negócio que começa a mostrar cada vez mais os seus músculos e que representa oportunidades em diversas áreas. Para além do segmento dos ginásios, onde até o internacional português Cristiano Ronaldo já decidiu investir através da abertura de uma cadeia de ginásios low cost, a CR7 Crunch Fitness, que conta já com dois espaços em Madrid, outras áreas têm vindo a aproveitar esta tendência. Nos lineares da grande distribuição é possível encontrar já uma forte oferta de produtos de nutrição e suplementos alimentares, tão apreciados pelos adeptos de fitness. Uma oferta variada que veio também romper o estigma sobre produtos especialmente indicados para os praticantes de atividade física, muitas vezes associados a esteróides.

Outra demonstração do potencial desta área é a aposta por parte de gigantes do retalho têxtil em coleções próprias para ginásio. O grupo Inditex, através de insígnias como a Zara, tem agora de forma fixa secções direcionadas para a prática desportiva. Também a portuguesa Sport Zone, insígnia da Sonae direcionada para o desporto, tem vindo a dar especial atenção à área de fitness, aliando-se a conceituados estilistas portugueses para a criação de coleções únicas de fitness.

Se há algum tempo poderia ser considerado uma moda, a verdade é que o fitness vem, de ano para ano, a conquistar cada vez mais adeptos e a demonstrar que os portugueses querem combater o sedentarismo. Uma tendência para o futuro que vem não só melhorar o estilo de vida de cada um, como criar diversas oportunidades de negócio.

Este artigo foi publicado na edição 44 da Grande Consumo.

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