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Fiambre de aves em crescimento no linear de charcutaria

A charcutaria sempre foi um sector com importância no consumo em Portugal, uma vez que compõe grande parte das nossas refeições, desde a simples sandes com fiambre ao tradicional cozido à portuguesa. No entanto, a Organização Mundial da Saúde cada vez mais alerta para o consumo excessivo de carnes processadas, colocando o consumidor português numa posição entre o tradicional e o que deve ser. Também as marcas têm evoluído, investigando e desenvolvendo novos produtos à base de carne, bem como melhorando os já existentes, como é o exemplo de alguns produtos/gamas que têm como principal preocupação a saúde e bem-estar do consumidor, quer seja através da redução de sal e gordura ou isenção de glúten. T

A Marktest Retail, através do seu estudo Precise – Auditoria de Ponto de Venda, apresenta alguns dados de linear desta categoria. Tendo como base os últimos quatro anos, podemos verificar que, ao contrário das mudanças de paradigmas por parte dos consumidores e da mudança de estratégia das marcas, os lineares dos nossos hipers, supers e discounts não registaram alterações significativas.

A categoria com maior destaque nos lineares continua a ser o fiambre, seguida do presunto e das salsichas em vácuo. De salientar que o chourição e o paio têm registado uma diminuição gradual nestes últimos anos. Esta situação verifica-se em todas as insígnias, com a exceção do El Corte Inglés, onde o presunto é o segmento com maior espaço de linear.

 No entanto, é de salientar que temos assistido a algumas alterações dentro da categoria de fiambres. De ano para ano, verifica-se um aumento do espaço ocupado em linear pelo segmento de aves em detrimento de porco. Analisando o primeiro trimestre deste ano, podemos afirmar que aves já detém, praticamente, o mesmo espaço de linear do que porco (18,63% vs 18,71%). Facto que não se verificou no primeiro trimestre dos anos anteriores, onde porco detinha mais 3,24 pontos percentuais (p.p.) do que aves em 2016 e 4,75p.p. em 2015. Em 2017, o “share of shelf” do segmento de fiambre de aves já é superior ao de fiambre de porco em insígnias como o Continente e o El Corte Inglés.

Já no que respeita a marcas, este sector é conhecido pela multiplicidade de marcas existentes, onde nele podemos encontrar marcas regionais, nacionais e estrangeiras. No sector da charcutaria, é a marca própria que está em maior destaque no linear, detendo, em média, nos últimos anos, cerca de 37%.

Considerando apenas as marcas mais conhecidas da população (Campofrio, Damatta, Izidoro e Nobre), podemos afirmar que são as marcas da Campofrio Food Group (Campofrio e Nobre) que mais “share of shelf” ocupam (19%). No entanto, é de referir que, nos últimos quatro anos, enquanto as marcas Nobre e Izidoro apresentam um percurso descendente relativamente ao espaço ocupado em linear, as marcas Campofrio, Damatta e marca própria têm registado um aumento.

No primeiro trimestre deste ano, a marca própria continuou a ser a líder com 38,5%. Já as marcas da Campofrio Food Group apresentaram 19,2%, enquanto as do Grupo Montalva registaram 3,7%. De referir que nas lojas Pingo Doce, a Campofrio já regista um maior “share of shelf” do que a Nobre.

Analisando em detalhe os segmentos de aves e porco em fiambres, em ambos é a marca própria que ocupa mais espaço de linear. No que respeita a marcas de fabricante, em aves, destaca-se a Campofrio, enquanto em porco é a Nobre que tem maior “share of shelf”.

Em suma, podemos afirmar que o linear de charcutaria não tem sofrido alterações significativas no que respeita às categorias nele presente. No entanto, verificamos que, dentro da sua maior categoria – fiambre –, estamos perante algumas mudanças, sobretudo no que respeita ao crescimento do segmento de aves.

Este artigo foi publicado na edição 44 da Grande Consumo.

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