Os discounters deverão assumir a liderança do crescimento no retalho alimentar global até 2030, com uma taxa média anual de crescimento (CAGR) de 4,8%, superando o ritmo do mercado total, estimado em 4%.
A conclusão é de um relatório da IGD, que aponta para uma transformação estrutural no sector.
De acordo com o estudo, o canal discount continuará a ser o segmento físico de retalho alimentar com maior crescimento. Esta evolução assentará na procura por valor, pela expansão acelerada de lojas e pela crescente inovação operacional e de produto.
Até 2030, os discounters deverão representar 9,7% das vendas globais de retalho alimentar, acrescentando cerca de 209 mil milhões de dólares, cerca de 192,3 mil milhões de euros, em novas receitas ao mercado.
Lidl e Aldi impulsionam crescimento
O crescimento será fortemente suportado pelos principais players globais, como Lidl e Aldi. Em conjunto, deverão gerar cerca de 334 mil milhões de dólares em vendas até ao final da década.
Este desempenho será sustentado por investimentos contínuos em marca própria e expansão internacional, nomeadamente do Aldi nos Estados Unidos. Destaque ainda para a aposta do Lidl em dados e programas de fidelização.
A Europa continuará a ser o principal bastião do modelo discount, com uma quota de 23,6% do retalho alimentar. No entanto, mercados como Estados Unidos, Rússia e Polónia deverão ganhar peso como novos polos de crescimento acelerado.
Não alimentar cresce ainda mais rápido
O relatório destaca ainda que os discounters focados em não alimentar, como a Action ou a Dollar Tree, deverão crescer a um ritmo ainda superior, com um CAGR de 6,3% até 2030.
Este crescimento será impulsionado pela proposta de valor, pelas compras por impulso e pelo aumento da penetração de marcas próprias.
Quatro tendências a moldar o futuro
A IGD identifica quatro grandes tendências que estão a redefinir o canal discount. A primeira é o valor sem compromisso, com maior foco na qualidade e experiência, além do preço.
A consultora destaca também o aumento de tráfego e frequência, através de promoções, programas de fidelização e ofertas não alimentares.
Nota ainda para a saúde acessível, com maior transparência e facilitação de escolhas saudáveis. E para a sustentabilidade visível, com compromissos claros e integração de práticas circulares
Estas tendências estão a reposicionar os discounters como players inovadores, afastando-se da perceção tradicional de baixo custo.
“O estigma está a desaparecer”
Segundo Dan Butler, insight partner na IGD, “os discounters deixaram de ser vistos como alternativas de baixo custo para se posicionarem na vanguarda do retalho”.
O responsável destaca a sua capacidade de inovação e adaptação rápida às mudanças no comportamento do consumidor. Além disso, acrescenta que o desaparecimento do estigma associado ao consumo em discount está a reforçar a sua atratividade, sobretudo em períodos de pressão sobre o poder de compra.
O relatório deixa também um alerta para a indústria: os fornecedores terão de acompanhar o ritmo dos discounters. Nesse sentido deverão reforçar a colaboração em áreas como a eficiência da cadeia de abastecimento, a inovação orientada por dados e o desenvolvimento de produtos focados no valor.








