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Confiança dos portugueses nas instituições melhorou, mas ainda está longe do ideal

Foto Shutterstock

A DECO PROTESTE, com as suas congéneres na Bélgica, em Itália e em Espanha, repetiu o inquérito realizado em 2016 sobre a confiança que os cidadãos depositam em várias instituições nacionais e internacionais. As empresas também foram alvo de escrutínio quanto à imagem que projetam.

Neste estudo, mereceram especial atenção o Serviço Nacional de Saúde (SNS), o sistema judiciário português, o Parlamento Europeu e a Organização Mundial de Saúde (OMS). Os resultados basearam-se em cinco questões específicas para aferir o grau de conhecimentos dos cidadãos sobre missão, atividade e estrutura destas organizações. Para medir os níveis de confiança, foi pedido aos inquiridos para atribuírem uma classificação de um a 10.

Em Portugal, o ensino público surge destacado no índice de confiança, com a nota mais alta (6,9). Em segundo lugar na confiança dos portugueses (6,7) foi referido o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, seguindo-se o exército (6,6), a polícia (6,5) e o Serviço Nacional de Saúde (6,3). A gestão da pandemia de Covid-19 contribuiu para melhorar a imagem que os portugueses têm das autoridades de saúde. Em comparação com o inquérito de 2016, o índice de confiança no SNS passou de 5,1 para 6,3.

 

Melhoria do sistema

Ainda assim, parece haver um longo caminho a percorrer na melhoria do sistema. No inquérito, o grau de conhecimento e de confiança no SNS oscilou consoante as perguntas. Um terço dos inquiridos, por exemplo, desconhece o valor das taxas moderadoras em vigor no SNS e 40% não sabe como apresentar uma reclamação dos serviços prestados. Metade dos portugueses revela baixa confiança no SNS para responder atempadamente às suas necessidades, sobretudo devido ao aumento das listas de espera com a pandemia.

No polo oposto, com a avaliação mais baixa no gráfico da confiança, está o sistema judiciário (4) que, ao contrário das restantes instituições, não registou alterações assinaláveis face ao estudo de 2016. Seguem-se a Autoridade da Concorrência (4,4) e o Banco de Portugal (4,9) com os menores índices de confiança.

No panorama internacional, a gestão da pandemia pela Organização Mundial de Saúde não afetou a confiança dos cidadãos na instituição. Em comparação com o inquérito de 2016, passou de 5 para 5,8. No entanto, uma percentagem relevante dos inquiridos (41%) não acredita na independência da OMS perante os interesses da indústria farmacêutica ou dos governos.

O Parlamento Europeu é a outra instituição internacional com pouco nível de confiança dos portugueses (5,4 numa escala de 1 a 10), seja por causa da ação dos eurodeputados, seja pela crença de que a instituição privilegia certos países e grupos económicos. As gerações mais novas são as que atribuem maior pontuação ao Parlamento Europeu no inquérito.

 

Empresas

Quanto à imagem das empresas, a Google reúne as preferências dos inquiridos, ao obter 7,4 (na escala de 1 a 10), seguida da Microsoft (7) e da Volkswagen (6,7). A NOS e a Nowo, duas operadoras de telecomunicações, ocupam o fim da lista, com a pior pontuação das empresas analisadas (4,9 e 4,1, respetivamente).

De uma forma geral, os cidadãos revelam um enorme desconhecimento sobre as organizações nacionais e internacionais, o que fazem, como atuam ou estão organizadas. Quanto maior é o grau de informação sobre as mesmas, maior é também o nível de confiança.

Em comparação com o estudo realizado há cinco anos, nota-se uma subida na confiança dos portugueses atribuída à grande maioria das instituições, mas os resultados estão ainda longe do ideal”, conclui Rita Rodrigues, Head of Public Affairs & Media Relation da DECO PROTESTE. “Uma das razões para a desconfiança parece estar relacionada com a convicção de um elevado número de inquiridos de que estas organizações não são independentes e são permeáveis a interesses de governos ou de grupos económicos, por isso, melhorar o acesso dos cidadãos à informação pode ajudar a mitigar essa desconfiança”, conclui a responsável.

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