A Comissão Europeia abriu uma investigação à aquisição da retalhista alemã de mobiliário Porta pelo grupo austríaco XXXLutz, para avaliar os potenciais efeitos da operação na concorrência.
A Comissão considera que a concentração poderá restringir significativamente a concorrência, tanto na distribuição a retalho como nas compras aos fornecedores.
Concorrência no retalho sob escrutínio
A investigação centra-se na Alemanha, Chéquia e Eslováquia, refere a GlobalData, mercados onde ambas as empresas têm posições relevantes, redes alargadas de lojas de mobiliário de gama completa e concorrem diretamente nas mesmas áreas de influência comercial.
Na Alemanha, a Comissão manifesta preocupações particulares com o segmento de mobiliário de desconto. A eliminação da concorrência entre dois dos poucos operadores com uma oferta abrangente poderá traduzir-se em preços mais elevados e menor escolha para os consumidores.
Risco de maior pressão sobre os fornecedores
A análise abrange ainda os efeitos da operação sobre os fabricantes na Alemanha, Chéquia, Eslováquia e Polónia. Segundo a Comissão, a XXXLutz já dispõe de um poder de compra significativo através da GIGA International, a sua central de compras europeia.
A integração da Porta poderá eliminar um dos poucos clientes de grande dimensão alternativos disponíveis para os fabricantes, aumentando a sua dependência do grupo e colocando em desvantagem os retalhistas concorrentes.
Mais de 1.900 lojas na Europa
A operação junta as mais de 140 lojas da Porta, que operam sob as insígnias porta Möbel, SB Möbel Boss, Möbel LETZ e ASKO, à rede europeia da XXXLutz, que conta com mais de 1.800 lojas.
O grupo austríaco inclui marcas como XXXLutz, Mömax, Roller, Braun, Home24 e Möbelix, enquanto os seus acionistas controlam também a POCO e várias operações da Conforama.
A Comissão Europeia deverá tomar uma decisão sobre a aquisição até 25 de fevereiro de 2027, podendo autorizar a operação, impor medidas corretivas ou proibi-la. Em paralelo, está a investigar se houve implementação antecipada do negócio antes da notificação formal.









