Etiqueta de roupa Zara: tamanho EUR M, USA M, MEX 28; fabricada em Espanha Foto Adriana Iacob/Shutterstock.com

Inditex promete manter preços estáveis apesar da inflação e dos novos custos comerciais

A Inditex não pretende utilizar a inflação ou os aumentos de custos associados às tarifas como justificação automática para subir preços.

Durante um fórum dedicado ao sector do retalho dinamizado pelo jornal El Economista, Óscar García Maceiras, CEO do grupo proprietário da Zara, Bershka, Pull&Bear, Stradivarius e Massimo Dutti, afirmou que “o preço é uma decisão comercial, não financeira”, defendendo que as equipas comerciais devem partir daquilo que os clientes estão dispostos a pagar.

A partir desse nível de preço, cabe à empresa procurar eficiência suficiente para preservar rentabilidade.

Diversificação geográfica reduz exposição às tarifas

A estratégia é apoiada pela dispersão da cadeia de abastecimento. A Inditex produz atualmente em cerca de 50 países e vende através de lojas físicas em 99 mercados, enquanto as plataformas digitais chegam a 215 mercados.

Para o gestor, esta diversificação reduz o risco associado a alterações tarifárias específicas. Uma empresa dependente de um único mercado de produção e de um único destino de vendas estaria muito mais exposta a mudanças nas políticas comerciais.

A companhia pretende manter as margens estáveis, mas não coloca a maximização do resultado de um trimestre específico acima da estratégia de crescimento de longo prazo. A prioridade continua a ser aumentar vendas através de uma oferta capaz de captar rapidamente tendências e responder às preferências dos consumidores.

Esta abordagem ganha relevância num momento em que custos de transporte e matérias-primas têm pressionado a rentabilidade do sector. Nos resultados mais recentes, a margem bruta da Inditex ficou aquém das expectativas dos analistas, apesar de um bom desempenho comercial no início da coleção de outono.

Estados Unidos passam para o centro da expansão

A Inditex continua a identificar oportunidades de crescimento em praticamente todos os mercados, mas os Estados Unidos assumem particular importância. O país já é o segundo maior mercado do grupo, apesar de a companhia estimar possuir apenas cerca de 0,5% do mercado norte-americano de moda.

A empresa prevê terminar 2026 com cerca de 110 lojas físicas nos Estados Unidos. A Bershka abriu a sua primeira unidade norte-americana em agosto, enquanto a Massimo Dutti prepara uma segunda loja no Soho, em Nova Iorque.

A Zara continuará igualmente a expandir presença com projetos em Pittsburgh e San Francisco, além da renovação da Quinta Avenida.

Espanha representa 16% das vendas

Apesar da internacionalização, Espanha mantém um papel central e representa aproximadamente 16% das vendas do grupo,.

Paralelamente, ainda existir espaço para crescer, tanto através da renovação do parque comercial como da melhoria do desempenho das diferentes marcas. Em 59 dos 99 mercados com lojas físicas, pelo menos uma insígnia do grupo ainda fatura menos de 50 milhões de euros, o que a administração interpreta como margem adicional para expansão.

Investimento de 2,3 mil milhões de euros em 2026

O grupo prevê investir cerca de 2,3 mil milhões de euros este ano em lojas, tecnologia, plataformas digitais e logística.

em 2025, a Inditex realizou cerca de 400 intervenções comerciais, entre remodelações, reaberturas e relocalizações.

Nos últimos anos, a estratégia tem passado menos pela multiplicação de pequenas lojas e mais pela criação de unidades maiores, melhor localizadas e mais integradas com o digital.

Logística é um dos principais ativos competitivos

Entre 2024 e 2025, o grupo investiu também cerca de 1,8 mil milhões de euros em logística. A rede conta atualmente com 16 centros de distribuição primária, 15 em Espanha e um nos Países Baixos. Estas infraestruturas permitem abastecer aproximadamente 5.500 lojas duas vezes por semana, além de suportarem os pedidos de comércio eletrónico.

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