Logótipo da Amazon com lettering preto e seta laranja em forma de sorriso sobre fundo branco

Amazon cresce 17% no primeiro trimestre, impulsionada pelo e-commerce e inteligência artificial

A Amazon iniciou 2026 com resultados robustos, impulsionados sobretudo pelo desempenho do seu negócio de comércio eletrónico e pela aceleração das suas áreas tecnológicas. No primeiro trimestre, as vendas líquidas cresceram 17%, atingindo 181,5 mil milhões de dólares (cerca de 167 mil milhões de euros).

Sem o efeito cambial positivo, o crescimento fixou-se nos 15%, ainda assim um indicador sólido da dinâmica do negócio principal.

E-commerce impulsiona crescimento

O segmento de retalho voltou a ser determinante. A América do Norte registou vendas de 104,1 mil milhões de dólares (cerca de 95,8 mil milhões de euros), mais 12% face ao período homólogo. Já o negócio internacional cresceu 19%, para 39,8 mil milhões de dólares (aproximadamente 36,6 mil milhões de euros).

Este desempenho reflete uma combinação de fatores. Por um lado, a expansão do sortido, com mais de 600 novas marcas introduzidas na plataforma. Por outro, a melhoria da experiência de compra, com maior rapidez de entrega e novas funcionalidades baseadas em inteligência artificial.

A empresa destaca que já entregou mais de mil milhões de produtos no próprio dia ou no dia seguinte em 2026, um marco relevante na sua estratégia logística. Ao mesmo tempo, serviços como o Amazon Now, com entregas em menos de 30 minutos, estão a ser alargados a novos mercados, incluindo grandes cidades no Brasil e no Japão.

Outro elemento crítico é a evolução da interface de compra. Ferramentas como o assistente Rufus e funcionalidades interativas de áudio permitem aos consumidores obter recomendações em tempo real, aumentando a conversão no processo de compra.

Rentabilidade cresce

A rentabilidade acompanhou o crescimento do negócio. O resultado operacional atingiu 23,9 mil milhões de dólares (cerca de 22 mil milhões de euros), acima dos 18,4 mil milhões de dólares do homólogo de 2025.

O lucro líquido praticamente duplicou, fixando-se nos 30,3 mil milhões de dólares (aproximadamente 27,9 mil milhões de euros), ou 2,78 dólares por ação. Este valor inclui ganhos extraordinários de 16,8 mil milhões de dólares (cerca de 15,5 mil milhões de euros) relacionados com investimentos na Anthropic, evidenciando também a aposta estratégica da Amazon em inteligência artificial.

AWS lidera rentabilidade

A divisão de cloud Amazon Web Services (AWS) continua a ser o principal motor de rentabilidade. As receitas cresceram 28%, para 37,6 mil milhões de dólares (cerca de 34,6 mil milhões de euros). Por sua vez, o resultado operacional subiu para 14,2 mil milhões de dólares (13,1 mil milhões de euros).

A empresa sublinha que este é o crescimento mais rápido da AWS em 15 trimestres, sustentado pela forte procura por soluções de inteligência artificial e computação avançada.

De facto, a estratégia de investimento em inteligência artificial está a transformar transversalmente o grupo. O negócio de chips próprios ultrapassou uma taxa anual de receitas de 20 mil milhões de dólares (18,4 mil milhões de euros), com crescimento de três dígitos.

Parcerias com empresas como a OpenAI, a Meta e a NVIDIA reforçam a posição da AWS como infraestrutura de referência para modelos de IA.

Ao mesmo tempo, soluções como o Amazon Bedrock e os seus agentes inteligentes estão a ganhar tração junto de empresas, com um crescimento de 170% nos gastos dos clientes apenas num trimestre.

No e-commerce, esta camada tecnológica começa a ter impacto direto. Ferramentas de apoio a vendedores, recomendações automatizadas e experiências de compra conversacionais estão a redefinir a forma como consumidores e marcas interagem na plataforma.

Publicidade reforça monetização do ecossistema

Outro vetor de crescimento relevante é a publicidade, que já ultrapassa os 70 mil milhões de dólares (cerca de 64,4 mil milhões de euros) em receitas anuais. A integração de formatos publicitários no processo de compra, incluindo sugestões personalizadas via IA, está a aumentar a eficácia das campanhas e a monetização do tráfego.

Apesar do desempenho financeiro positivo, o cash flow livre caiu significativamente, para 1,2 mil milhões de dólares (cerca de 1,1 mil milhões de euros), face aos 25,9 mil milhões de dólares do ano anterior. Esta redução resulta de um aumento expressivo do investimento, nomeadamente em infraestruturas e equipamentos, que totalizou mais 59,3 mil milhões de dólares (54,6 mil milhões de euros). Grande parte deste esforço está direcionado para inteligência artificial e capacidade computacional.

Perspetivas: crescimento continua no segundo trimestre

Para o segundo trimestre, a Amazon antecipa vendas entre 194 mil milhões e 199 mil milhões de dólares (entre cerca de 178 mil milhões e 183 mil milhões de euros), o que representa um crescimento entre 16% e 19%.

O resultado operacional deverá situar-se entre 20 mil milhões e 24 mil milhões de dólares (18,4 mil milhões a 22,1 mil milhões de euros).

Andy Jassy, CEO da empresa, sublinha que a Amazon está “no meio de algumas das maiores inflexões da sua história”, destacando a convergência entre e-commerce, cloud, inteligência artificial e logística. Na prática, o grupo está a consolidar um modelo integrado, onde o e-commerce continua a ser o ponto de contacto principal com o consumidor, mas é cada vez mais suportado por tecnologia própria, dados e serviços de valor acrescentado.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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