A reabertura da loja City do Tivoli, em Lisboa, reforça a aposta do Aldi Nord na expansão urbana em Portugal, num formato pensado para compras rápidas, conveniência e maior proximidade ao consumidor. Daniel Jurado, managing director national sales do Aldi Portugal, destaca o papel estratégico desta unidade remodelada, com cerca de 700 metros quadrados, percurso de compra simplificado e forte aposta em caixas automáticas. Um conceito que adapta o retalho discount aos ritmos e necessidades do centro da cidade.
A reabertura da loja City do Tivoli representa mais um passo da visão do Aldi para consolidar a sua presença nos centros urbanos portugueses. Com cerca de 700 metros quadrados, a unidade remodelada privilegia um percurso de compra mais rápido, numa maior concentração de categorias de conveniência e na introdução de sete caixas automáticas, numa lógica de aceleração do processo de compra e redução de tempos de espera.
Portugal foi um dos mercados pioneiros do grupo Aldi Nord na implementação do conceito City, atualmente presente em sete localizações nacionais: Campo de Ourique, Picoas, Areeiro, Príncipe Real, Benfica, Estefânia e Tivoli, todas em Lisboa. “Queremos estar muito próximos do cliente”, afirma Daniel Jurado, managing director national sales do Aldi Portugal, sublinhando que o modelo urbano apresenta uma afluência superior às lojas standard da cadeia. “Com as sete lojas, queremos chegar onde o cliente está, sendo que a loja do Tivoli é claramente a que maior afluência traz e maior sucesso tem”.
A localização, junto à Avenida da Liberdade, permite à operação captar três perfis distintos de consumidor: residentes no coração de Lisboa, trabalhadores dos escritórios e turistas. “É uma loja realmente muito internacional”, descreve o responsável, que destaca o peso crescente da compra imediata e da importância da proximidade em ambiente urbano. Assim, o conceito City procura responder aos hábitos de consumo nas grandes cidades, onde as compras de reposição diária, refeições rápidas e soluções grab-and-go ganham relevância face às compras mensais de grande volume.

Novo layout
Logo à entrada, a loja concentra categorias que são “as mais importantes para o cliente de proximidade”: frutas e legumes, bebidas frescas e refeições prontas. Numa organização pensada para maximizar a rapidez de circulação, a estratégia inclui máquinas de sumo natural, pizzas refrigeradas ou lasanhas prontas para consumo rápido, dirigidas sobretudo a consumidores que trabalham na zona. “Isto permite uma compra rápida: entro na loja e consigo imediatamente levar o que preciso. Estamos a responder às necessidades do cliente, com opções que, no contexto do escritório, em cinco minutos no micro-ondas, permitem ter uma refeição acessível e de boa qualidade. É precisamente isso que procuramos oferecer nesta entrada da loja.”
Ainda assim, a organização do espaço não deixa de estar condicionada pelas características físicas do próprio edifício, o que obriga a um planeamento mais cuidadoso e ajustado. “Com todas as limitações, como colunas e a dificuldade em criar mais corredores, a distribuição de mercadoria torna-se sempre um processo algo atípico e tailor-made. Ou seja, na preparação para abrir uma loja deste tipo, o trabalho é bastante mais intenso, porque é necessário pensar e adaptar tudo a estas condicionantes”, explica o gestor.

Aberta originalmente em 2022, a loja do Tivoli funcionou, segundo o Aldi, como um espaço de aprendizagem para o aperfeiçoamento do conceito City. “Esta loja dá-nos inputs muito claros para diferenciar a loja City da loja standard”, afirma. “O consumo do cliente é realmente diferente. Estamos a alargar naquelas categorias onde sabemos que há muita demanda”.
A loja disponibiliza atualmente cerca de duas mil referências, menos do que uma loja standard da insígnia, mas com uma seleção orientada para os produtos que são mais procurados no contexto de proximidade. Por exemplo, a cadeia reduziu a presença de produtos volumosos, como embalagens pesadas de ração animal.
A operação logística também foi ajustada às limitações físicas típicas do retalho urbano. Produtos de elevada rotação, como águas, refrigerantes e leite, foram posicionados perto da porta do armazém para facilitar a reposição e reduzir movimentações internas
Segundo o responsável, a remodelação incorporou conclusões recolhidas ao longo de quatro anos de operação, permitindo “aperfeiçoar e otimizar o conceito”, desde a reorganização das categorias até à introdução de novo mobiliário vertical para congelados, substituindo arcas horizontais tradicionais.
De facto, a dimensão da loja também impõe limites. “Um espaço com cerca de 700 metros quadrados significa que temos de reduzir em determinadas categorias, em que sabemos que, numa loja City, a necessidade é menor. Existe sempre este equilíbrio. Através de uma análise intensiva, construída ao longo de vários anos, conseguimos chegar a estas conclusões e oferecer a melhor proposta possível para o cliente”, adianta Daniel Jurado.

O número de módulos de conveniência passou de cinco para sete, enquanto os móveis de frio cresceram de 15 para 21 unidades, abrangendo charcutaria, queijos e iogurtes. O “anel exterior” da loja concentra as categorias consideradas estratégicas para o percurso de compra: conveniência, frio, carne fresca, padaria e congelados. “A carne fresca é uma categoria de grande sucesso neste tipo de lojas”, detalha. Já a padaria é um segmento historicamente forte no Aldi, mantendo destaque no percurso do cliente. No espaço dos congelados, os novos móveis permitem aumentar significativamente a capacidade e o espaço de exposição, tornando a apresentação dos produtos muito mais apelativa para o cliente.
O interior da loja foi estruturado com um corredor central para facilitar acessos rápidos aos corredores e, na área central, encontram-se corredores dedicados a produtos non-food, incluindo papel, detergentes para roupa e lava-loiça.
Portugal foi um dos mercados pioneiros do grupo Aldi Nord na implementação do conceito City, atualmente presente em sete localizações nacionais: Campo de Ourique, Picoas, Areeiro, Príncipe Real, Benfica, Estefânia e Tivoli, todas em Lisboa
A cadeia introduziu ainda elementos de compra por impulso distribuídos ao longo da loja, com os snacks, frutos secos, chocolates e bebidas a serem posicionados em zonas de maior tráfego. “São aquelas compras que o cliente talvez não tivesse planeado fazer em casa, mas que, no momento em que vê o produto, sente vontade de levar”, explica o responsável. “Já, por exemplo, com a categoria de pet food, trata-se claramente de uma compra planeada. Quem tem cães ou gatos sabe perfeitamente quando precisa de comprar comida ou areia para o animal. No fundo, este balanço entre categorias de compra por impulso e categorias de compra planeada é algo que consideramos estar muito bem implementado neste conceito de loja.”
Destaca-se também a área In and Out, uma das categorias diferenciadoras da insígnia. Trata-se da secção promocional de stock limitado, associada aos folhetos semanais, onde são apresentados os artigos em destaque à quarta-feira, bem como produtos de bazar lançados ao sábado e artigos de semanas anteriores. “O nosso objetivo é orientar o cliente de forma clara: quem consulta o folheto consegue identificar facilmente, em loja, os artigos em destaque. É importante garantir que o cliente veja o que está no folheto transmitido na loja”.
Já próximo das caixas, encontram-se categorias com elevada procura neste formato de loja, como cervejas, cosmética e baby food. A operação logística também foi ajustada às limitações físicas típicas do retalho urbano. Produtos de elevada rotação, como águas, refrigerantes e leite, foram posicionados perto da porta do armazém para facilitar a reposição e reduzir movimentações internas.

Reduzir tempos de espera
Uma das alterações mais visíveis foi a introdução de caixas automáticas. A loja passou a contar com sete caixas self-checkout e apenas duas tradicionais, uma escolha incontornável que reflete, precisamente, o tipo de compra rápida e prática que o Aldi quer proporcionar. Esta medida enquadra-se na constante preocupação em “melhorar processos, otimizar o tempo e procurar constantemente a melhor experiência para o cliente”, explica Daniel Jurado.
Nas caixas automáticas, os pagamentos são exclusivamente efetuados por cartão, evitando a utilização de numerário. O objetivo passa por tornar a experiência de compra mais prática, tanto para os clientes como para os colaboradores, eliminando também a necessidade de gestão de moedas no final do dia. Contudo, a loja mantém um colaborador de apoio permanente junto às caixas automáticas, sobretudo devido à complexidade associada à venda de produtos sem código de barras, como fruta, legumes ou artigos de padaria.
Apesar do curto período desde a abertura, segundo o gestor, a adesão dos consumidores tem sido “fantástica”, impulsionada também pelo perfil internacional dos clientes da zona.
Expansão urbana
O Aldi pretende manter um ritmo de expansão em Portugal entre dez e 15 novas lojas por ano, com uma estratégia que não se limita às grandes cidades. “Queremos crescer, queremos ter mais presença no mercado português, nomeadamente no Norte, mas também no interior do país, e a aposta passa claramente pela abertura de novos espaços”, adianta.
Neste contexto, o formato City ganha cada vez mais relevância na estratégia da cadeia. “É um formato fundamental”, sublinha o responsável, acrescentando que a empresa procura continuamente oportunidades para abrir novas localizações. “Em cidades como Lisboa ou Porto, a disponibilidade de espaços é limitada, o que torna este trabalho mais desafiante. Ainda assim, o nosso departamento de expansão tem feito um bom trabalho para que, nos próximos anos, possamos ter mais lojas deste tipo”, afirma.
O Aldi pretende manter um ritmo de expansão em Portugal entre dez e 15 novas lojas por ano, com uma estratégia que não se limita às grandes cidades
O objetivo passa por alargar este conceito a outras grandes cidades portuguesas, sustentado pelos resultados já alcançados. A loja do Tivoli, em particular, deverá servir de referência para futuras aberturas, sobretudo ao nível do layout, da organização das categorias, do mobiliário e da integração tecnológica. “A nível de conceito, é claramente um modelo a seguir”, destaca, referindo como elementos replicáveis o reforço das categorias de conveniência, a integração de equipamentos verticais de congelados e a instalação de caixas automáticas. “Esta loja traz-nos claramente um outro tipo de cliente. Estamos focados no centro e na proximidade, com o objetivo de oferecer uma proposta de valor assente na boa qualidade, no bom preço e num sortido ajustado às necessidades. Queremos proporcionar uma experiência de compra rápida e eficiente e acreditamos que estes são os fatores-chave para atuar com sucesso neste tipo de localização”.

Esta aposta num formato mais orientado para a proximidade, para a conveniência e para a eficiência operacional reflete uma adaptação mais ampla da insígnia às novas dinâmicas de consumo urbano. A evolução do modelo de loja acompanha também a transformação do perfil do consumidor e das suas rotinas de compra, cada vez mais marcadas pela rapidez e pela necessidade de soluções imediatas.
“Este balanço entre categorias de compra por impulso e categorias de compra planeada é algo que consideramos estar muito bem implementado neste conceito de loja”
Neste contexto, Daniel Jurado reconhece que o consumidor português se tem tornado progressivamente mais sensível ao modelo discount, num cenário influenciado pela pressão inflacionista e por uma maior exigência na comparação de preços. “Claramente, temos de oferecer os melhores preços, com uma estratégia de everyday low price, mantendo uma base de preços consistentemente baixa. A isto juntam-se, pontualmente, as nossas campanhas com reduções até 60%”, explica.
Ainda assim, a empresa considera que o sector do retalho evoluiu para formatos mais sofisticados, onde a variável preço, embora central, deixou de ser o único fator decisivo na escolha do consumidor. A experiência de compra, a conveniência e a perceção de qualidade assumem hoje um papel cada vez mais relevante na construção da proposta de valor. “O cliente compara”, afirma. “Podemos falar de preços baixos, mas, se a qualidade não for boa, o cliente sabe. Em conjunto com a nossa proposta diferenciadora de In and Out, um conceito que outros retalhistas em Portugal não têm, conseguimos reforçar o foco na proposta de valor ao cliente”, conclui.
Este artigo foi publicado na edição N.º 98 da Grande Consumo.








