A produção de resíduos urbanos voltou a aumentar em Portugal em 2025, num contexto em que o país enfrenta metas cada vez mais exigentes em matéria de prevenção, reutilização e reciclagem.
De acordo com o Relatório Anual de Resíduos Urbanos 2025, elaborado pela Agência Portuguesa do Ambiente, foram produzidas aproximadamente 5,67 milhões de toneladas de resíduos urbanos, um crescimento de cerca de 2,1% relativamente ao ano anterior.
A evolução mantém a pressão sobre os sistemas de recolha e tratamento, num país onde a deposição em aterro continua a desempenhar um papel significativo no destino final dos resíduos.
Recolha seletiva continua minoritária
Os dados mostram que a recolha indiferenciada permanece dominante no sistema nacional. A recolha seletiva representa aproximadamente 24% dos resíduos urbanos recolhidos, enquanto a maior parte continua a ser encaminhada através dos circuitos indiferenciados.
Esta realidade condiciona a qualidade dos materiais recuperados e dificulta o cumprimento das metas de preparação para reutilização e reciclagem.
A separação dos resíduos na origem constitui um dos fatores críticos para melhorar o desempenho dos sistemas de gestão, especialmente nas frações de embalagens, papel, cartão, vidro e biorresíduos.
Reciclagem fica abaixo das metas europeias
Segundo os resultados do relatório, a taxa de preparação para reutilização e reciclagem situou-se em cerca de 39% em 2025. O valor permanece abaixo do objetivo europeu de 55% estabelecido para esse ano. As exigências irão aumentar progressivamente, com metas de 60% em 2030 e de 65% em 2035.
A deposição em aterro representa outro dos principais desafios. Portugal continua a enviar uma parcela significativa dos resíduos urbanos para este destino, numa altura em que a União Europeia pretende limitar a deposição em aterro a um máximo de 10% até 2035.
A comparação entre os indicadores exige, contudo, atenção às diferentes metodologias de contabilização, nomeadamente entre o encaminhamento direto para aterro e a deposição final após operações de tratamento.
Biorresíduos representam um desafio central
Os biorresíduos constituem a maior fração dos resíduos urbanos produzidos em Portugal, representando mais de um terço do total. A recolha seletiva desta categoria é particularmente importante para reduzir a quantidade de materiais biodegradáveis encaminhados para aterro e melhorar os resultados globais de valorização.
Apesar dos progressos realizados, a implementação de sistemas de recolha e tratamento de biorresíduos continua desigual entre municípios. A expansão destes circuitos implica investimento em infraestruturas, sensibilização dos cidadãos e adaptação dos serviços municipais.
Também a qualidade da separação na origem será determinante para aumentar a quantidade de resíduos efetivamente valorizados.
Indústria e distribuição têm responsabilidade na redução de resíduos
Os resultados do RARU 2025 têm implicações relevantes para as empresas de grande consumo e para a distribuição. A utilização de embalagens, a gestão dos excedentes alimentares e a prevenção dos resíduos nas operações comerciais fazem parte dos desafios que o sector enfrenta. As empresas podem contribuir para melhorar o desempenho ambiental através da redução de materiais desnecessários, do desenvolvimento de embalagens recicláveis, da reutilização e da melhoria dos sistemas de recolha.
No retalho alimentar, a prevenção do desperdício e a gestão eficiente dos produtos perto do fim da validade constituem igualmente áreas relevantes.
Contudo, a melhoria dos indicadores nacionais depende também da capacidade de recolha, triagem e tratamento disponibilizada pelos sistemas de gestão de resíduos.
Circularidade exige resultados efetivos
O crescimento da produção de resíduos urbanos e a distância relativamente às metas europeias mostram que Portugal continua a enfrentar dificuldades na transição para uma economia mais circular. O desafio passa por reduzir a quantidade de resíduos produzidos, aumentar a separação na origem e assegurar que uma maior proporção dos materiais recolhidos é efetivamente encaminhada para reutilização e reciclagem.
Para a indústria e o retalho, a evolução destes indicadores será igualmente relevante num contexto de reforço das exigências europeias sobre embalagens, gestão de resíduos e responsabilidade ambiental.









