A Fast Retailing, grupo japonês proprietário da Uniqlo, aproxima-se da H&M em volume de negócios, numa evolução que poderá alterar a hierarquia dos maiores operadores mundiais do retalho de moda. A empresa encerrou o exercício fiscal de 2026, terminado a 31 de agosto, com receitas de 3,96 biliões de ienes (aproximadamente 22,39 mil milhões de euros), um crescimento de 16,6% face ao ano anterior e um novo máximo histórico.
O desempenho reforça a posição do grupo japonês face à rival sueca H&M, tradicionalmente considerada o segundo maior operador mundial de moda em volume de negócios, atrás da espanhola Inditex, proprietária da Zara.
A evolução foi destacada pelo Financial Times, que identifica o crescimento internacional da Uniqlo como um dos principais fatores de transformação do equilíbrio competitivo entre os grandes grupos de distribuição de vestuário.
A H&M registou receitas de 228,3 mil milhões de coroas suecas, aproximadamente 20,39 mil milhões de euros, no exercício encerrado em novembro de 2025. A Fast Retailing ultrapassa esse valor quando ambas as receitas são convertidas para euros à mesma taxa de referência, embora a comparação envolva exercícios diferentes e não permita, por si só, estabelecer uma classificação anual definitiva.
Europa e América do Norte tornam-se motores de crescimento
O crescimento da Uniqlo nos mercados ocidentais foi determinante para os resultados alcançados. No exercício de 2026, as receitas conjuntas das operações da Uniqlo na Europa e América do Norte atingiram 877,5 mil milhões de ienes (aproximadamente 4,96 mil milhões de euros), ultrapassando, pela primeira vez, os 724 mil milhões de ienes (4,09 mil milhões de euros) registados na Grande China.
Na Europa, as vendas cresceram 38,7%, para 512,6 mil milhões de ienes (2,90 mil milhões de euros), enquanto o lucro do negócio aumentou 69%, para 91,7 mil milhões de ienes (518 milhões de euros).
Na América do Norte, as receitas avançaram 34,6%, para 364,9 mil milhões de ienes (2,06 mil milhões de euros), acompanhadas por um crescimento de 53,3% nos resultados operacionais, que atingiram 67,9 mil milhões de ienes (384 milhões de euros).
Estes números demonstram uma alteração significativa na estrutura geográfica do negócio, com a Europa e a América do Norte a assumirem um peso crescente na expansão internacional da Uniqlo. Embora a Grande China continue a representar um mercado fundamental, o crescimento mais acelerado das operações ocidentais está a reduzir a dependência relativa do grupo japonês em relação à região.
Modelo diferente da fast fashion tradicional
Um dos principais fatores de diferenciação da Uniqlo é a estratégia comercial desenvolvida em torno do conceito LifeWear. Em vez de apostar sobretudo na renovação constante de coleções e na resposta imediata às tendências de moda, a marca privilegia peças funcionais, versáteis e concebidas para utilização quotidiana.
A proposta inclui vestuário básico, materiais tecnológicos e produtos adaptados a diferentes condições climáticas, procurando combinar qualidade, funcionalidade e preços competitivos. Esta abordagem permite à empresa trabalhar com linhas de produto mais duradouras e reduzir a dependência de tendências sazonais de curta duração.
A estratégia ganha relevância num contexto em que os consumidores procuram maior valor nas suas compras e em que as alterações dos padrões meteorológicos colocam desafios aos calendários tradicionais das coleções.
A Fast Retailing tem igualmente reforçado o controlo sobre o desenvolvimento dos produtos, a produção e a distribuição, procurando aumentar a eficiência operacional e proteger a rentabilidade.
H&M enfrenta concorrência crescente
A aproximação da Fast Retailing ocorre num período de transformação do mercado internacional de moda. A H&M continua a representar um dos maiores grupos mundiais do sector, mas enfrenta uma concorrência crescente de modelos comerciais distintos, desde operadores de moda de baixo custo até marcas que apostam na qualidade, funcionalidade e diferenciação.
No último exercício anual concluído, a H&M registou vendas de aproximadamente 20,39 mil milhões de euros, enquanto a Fast Retailing atingiu 22,39 mil milhões de euros no exercício terminado em agosto de 2026.
A diferença de cerca de dois mil milhões de euros ilustra a dimensão alcançada pelo grupo japonês. Contudo, a posição relativa definitiva deverá ser avaliada com base em exercícios comparáveis e tendo em conta a evolução cambial.
Inditex mantém liderança mundial
Apesar do crescimento da Fast Retailing, a Inditex continua a apresentar uma dimensão superior à dos seus principais concorrentes. O grupo espanhol, proprietário de marcas como Zara, Pull&Bear, Bershka, Stradivarius e Massimo Dutti, mantém uma posição destacada no retalho mundial de moda.
A Fast Retailing não esconde, contudo, a ambição de continuar a crescer e aproximar-se dos maiores operadores internacionais. Tadashi Yanai, fundador e presidente do grupo japonês, tem defendido uma estratégia de expansão sustentada pela internacionalização da Uniqlo, pelo desenvolvimento de novos mercados e pelo reforço de outras marcas do portefólio, nomeadamente a GU.
Para o exercício fiscal de 2027, a Fast Retailing prevê receitas consolidadas de 4,45 biliões de ienes (aproximadamente 25,13 mil milhões de euros), um crescimento esperado de 12,3%. A empresa pretende continuar a expandir a presença na Europa, América do Norte e mercados asiáticos, incluindo a Índia e o Sudeste Asiático.









