Chocolate preto em tablete, polvilhado com cacau, sobre uma mesa de madeira Foto Shutterstock

Mercado global de chocolate deverá atingir 136 mil milhões de euros em 2031

O mercado global de chocolate deverá manter uma trajetória de crescimento nos próximos anos, apesar da volatilidade do preço do cacau e da crescente pressão regulatória sobre o açúcar e a confeitaria.

Segundo a Mordor Intelligence, o sector deverá valer 119,62 mil milhões de dólares em 2026, aproximadamente 106,98 mil milhões de euros, e atingir 152,45 mil milhões de dólares em 2031, cerca de 136,34 mil milhões de euros, o que corresponde a uma taxa média anual de crescimento de 4,97%.

A expansão está a ser sustentada por uma combinação de “premiumização”, inovação de produto, procura por maior qualidade, novas formulações e diversificação dos canais de venda.

Europa concentra 43,6% do mercado

A Europa continua a ser o maior mercado mundial de chocolate, representando 43,56% do valor global em 2025.  A região beneficia de uma forte tradição de consumo, elevado peso das ocasiões sazonais e de gifting e de uma presença consolidada de marcas globais e fabricantes artesanais.

Ainda assim, o crescimento mais rápido deverá verificar-se no Médio Oriente e África, com uma taxa média anual de 5,96% até 2031.

Para os fabricantes, esta evolução aumenta a importância de adaptar os sabores, embalagens e ocasiões de consumo às especificidades culturais de cada mercado.

Premium cresce acima da média

O mercado continua a ser dominado pelo segmento mass market, que representava 76,81% do valor em 2025. Mas é o premium que deverá crescer mais rapidamente, com uma taxa média anual de 5,84% até 2031.

A Mordor Intelligence associa esta tendência à procura por produtos com maior teor de cacau, origem identificada, produção artesanal, ingredientes diferenciados e credenciais de sustentabilidade.

Em mercados maduros, conceitos como single-origin, bean-to-bar e edições limitadas estão a ajudar a justificar preços mais elevados e a transformar o chocolate de uma compra de indulgência massificada numa experiência mais sofisticada.

Chocolate negro ganha espaço

Leite e chocolate branco continuam, de longe, a dominar o mercado. Em 2025, estas duas variantes representavam em conjunto 64,54% das vendas globais.

No entanto, o chocolate negro deverá ser o segmento de produto com maior crescimento, com uma taxa média anual de 5,34% até 2031. A evolução é suportada pela perceção de que produtos com maior teor de cacau e menor teor de açúcar oferecem uma forma de indulgência mais compatível com as preocupações de saúde e bem-estar.

Para as marcas, esta tendência tem levado a um reforço das gamas com percentagens mais elevadas de cacau e posicionamentos associados a naturalidade, origem e qualidade.

Plant-based cresce mais de 6% ao ano

Outra das áreas com maior dinamismo é a das formulações sem ingredientes lácteos. Embora os produtos à base de leite representassem ainda 81,12% do mercado em 2025, as alternativas plant-based deverão crescer 6,11% ao ano até 2031.

A procura é alimentada não apenas pelo veganismo, mas também por consumidores com intolerância à lactose, restrições alimentares ou interesse em reduzir o consumo de ingredientes de origem animal. Isto está a obrigar fabricantes a trabalhar as alternativas vegetais sem comprometer atributos críticos como a textura, a cremosidade e o sabor.

Online é o canal que mais cresce

O estudo da Mordor Intelligence mostra ainda que os supermercados e os hipermercados continuam a ser o principal canal de venda de chocolate, concentrando 43,82% do mercado em 2025.

Não obstante, o retalho online deverá crescer 7,07% ao ano até 2031, muito acima da média do sector. A expansão está ligada ao crescimento das lojas próprias das marcas, à venda direta ao consumidor, às subscrições e aos operadores artesanais que utilizam o digital para chegar a públicos mais amplos sem depender exclusivamente da distribuição física.

Para os fabricantes premium, o online permite ainda

trabalhar melhor o storytelling, a origem, a personalização e o gifting.

Tabletes e barras continuam a dominar

Em termos de formato, tabletes e barras representavam 48,18% do mercado em 2025. Pralines e trufas deverão, contudo, crescer a uma taxa média anual de 4,98%, beneficiando sobretudo da procura premium e de ocasiões de presente.

De facto, a sazonalidade continua a desempenhar um papel importante no sector, com picos associados ao Natal, Páscoa, Dia dos Namorados, Ramadão, Diwali e Ano Novo Lunar. Isto incentiva as marcas a apostar em embalagens temáticas, gamas temporárias e sabores adaptados a ocasiões específicas.

Sustentabilidade torna-se argumento comercial e necessidade operacional

O aprovisionamento responsável de cacau ganha também maior importância. Consumidores e reguladores exigem uma crescente transparência sobre a origem, as condições laborais e o impacto ambiental, levando os fabricantes a investir em certificações, na rastreabilidade e em programas de sourcing direto. A Mordor Intelligence identifica a procura por cacau sustentável e ético como um dos principais motores estruturais do mercado.

Ao mesmo tempo, esta tendência funciona também como instrumento de mitigação de risco para as empresas expostas à volatilidade da oferta e aos desafios associados às principais regiões produtoras.

Efetivamente, apesar das perspetivas de crescimento, o sector enfrenta riscos relevantes. A volatilidade do preço do cacau e as perturbações na cadeia de abastecimento são apontadas como o principal travão ao crescimento, sobretudo na Europa e na América do Norte.

A isto juntam-se maior uma regulação sobre o açúcar, restrições ao marketing de produtos de confeitaria e a procura crescente por opções com menos açúcar e calorias.

Para os fabricantes, a resposta passa cada vez mais por uma combinação de ajustes de preço, redução de gramagens, “premiumização”, reformulação e inovação.

Chocolate procura conciliar indulgência e saúde

Uma das tendências mais interessantes é, de facto, a aproximação entre indulgência e bem-estar. O relatório identifica o crescimento de chocolates com menos açúcar, nutrientes adicionados, ingredientes vegetais e componentes funcionais, incluindo probióticos e adaptogénios.

Embora ainda sejam nichos face ao chocolate tradicional, estas propostas mostram como a categoria procura adaptar-se a consumidores que não querem necessariamente abandonar a indulgência, mas procuram justificá-la através de benefícios adicionais.

A inovação sensorial continua igualmente a desempenhar um papel importante. As marcas estão a introduzir especiarias, botânicos, frutos, frutos secos e referências culturais para criar produtos diferenciados. A Mordor Intelligence aponta o exemplo das propostas inspiradas em sabores do Médio Oriente, como combinações com pistácio, mostrando como tendências inicialmente regionais podem rapidamente ganhar escala internacional.  Para uma categoria madura, esta renovação constante de sabores e formatos ajuda a gerar experimentação e novas ocasiões de compra.

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