Rua movimentada de Londres, decorada com bandeiras britânicas e cheia de peões junto a uma estação de metro Foto Shutterstock

Inflação no retalho britânico sobe para máximo de dois anos

Alimentação e produtos não alimentares aceleram em agosto, pressionados pelo aumento dos custos de energia, matérias-primas e componentes

A inflação dos preços no retalho britânico acelerou para 1,5% em agosto, o nível mais elevado desde fevereiro de 2024. Em julho, tinha sido de 0,9%, enquanto a média dos últimos três meses se situou em 1,2%.

Segundo a GlobalData, a evolução ocorre num contexto de pressão sobre os custos das famílias e dos retalhistas, com a inflação alimentar a acelerar para 2,8% e a não alimentar para 0,9%.

Alimentação acelera

A inflação alimentar passou de 2,2% em julho para 2,8% em agosto, acima da média trimestral de 2,5%.

A maior aceleração ocorreu na alimentação ambiente, que inclui produtos embalados e processados. A inflação nesta categoria mais do que duplicou, de 1,1% para 2,5%, acima da média trimestral de 1,8%.

A inflação dos produtos frescos recuou ligeiramente, de 3,1% para 3%, mantendo-se em linha com a média dos últimos três meses.

Helen Dickinson, diretora-geral do British Retail Consortium (BRC), atribui a subida ao aumento dos custos de energia, matérias-primas e commodities, que começa a refletir-se nos preços, sobretudo nos produtos de alimentação ambiente, habitualmente importados e processados.

Não alimentar também acelera

A inflação dos produtos não alimentares subiu de 0,2% em julho para 0,9% em agosto, acima da média trimestral de 0,6% e no nível mais elevado desde fevereiro de 2024.

Os produtos elétricos contribuíram para a subida, com o aumento da procura por chips de memória e armazenamento associado ao crescimento da inteligência artificial a pressionar os custos de componentes e, consequentemente, os preços dos equipamentos.

No vestuário, os retalhistas mantiveram os preços baixos durante o período de regresso às aulas, procurando oferecer valor às famílias.

Pressão sobre custos aumenta

Mike Watkins, responsável pela área de Retailer and Business Insight da NIQ, considera que a aceleração da inflação alimentar e não alimentar era expectável, em parte devido ao fim de algumas promoções de verão.

Os retalhistas continuam a manter os preços baixos para ajudar os consumidores a gerir despesas como energia e combustível, mas as pressões sobre as cadeias de abastecimento estão a aumentar e a concorrência em preço deverá intensificar-se nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, os custos operacionais permanecem elevados, reduzindo a capacidade dos retalhistas para absorver novos aumentos sem impacto no investimento, no emprego e nos preços.

A inflação dos preços no retalho permanece abaixo da inflação geral. O índice de preços no consumidor (CPI) aumentou 2,9% nos 12 meses até julho, segundo o Office for National Statistics. Os dois indicadores, contudo, abrangem cabazes e metodologias diferentes.

Com a inflação a acelerar na alimentação e no não alimentar, os retalhistas entram no outono sob maior pressão para equilibrar custos, preços e competitividade, numa altura em que se aproxima a principal época de consumo do ano.

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