Garrafas reutilizáveis, sacos, lanyards, mochilas e artigos de escrita estão entre os brindes mais procurados em Portugal. Uma análise da Gift Campaign a mais de 3.300 encomendas mostra que as organizações privilegiam produtos úteis, quantidades ajustadas e investimentos orientados para ações concretas.
A velha caneta promocional não morreu, mas já não está sozinha. Divide hoje espaço com garrafas reutilizáveis, mochilas, sacos para portátil, lanyards, canecas, dispositivos USB e muitos outros objetos que levam uma marca para fora do momento em que são oferecidos.
Durante muito tempo, a escolha de um brinde foi guiada sobretudo pela intuição. Procurava-se o objeto mais original, a novidade capaz de chamar a atenção numa feira ou o artigo que ainda não tivesse sido distribuído pela concorrência. Mas olhar para aquilo que as organizações realmente compram conta uma história diferente. E bastante mais pragmática.
Uma análise da Gift Campaign, construída a partir de mais de 3.300 encomendas realizadas em Portugal, por mais de 2.100 clientes, revela que a utilidade continua a ser o principal passaporte de um brinde para o quotidiano de quem o recebe.

O objeto tem de conquistar espaço na rotina
A garrafa reutilizável é um dos exemplos mais evidentes desta mudança. Pode acompanhar o consumidor para o trabalho, para o ginásio, numa viagem ou numa atividade ao ar livre. É visível, duradoura e associa-se com facilidade a mensagens de hidratação, bem-estar e sustentabilidade.
Não surpreende, por isso, que as garrafas e os restantes produtos de hidratação estejam entre as famílias com maior presença nas encomendas analisadas. Ao seu lado surgem os sacos personalizados, oslanyards e acessórios de acreditação, as mochilas, os sacos para portátil, os cadernos, as agendas e as canetas.
O denominador comum não é a novidade. É a função.
Um saco transporta os materiais entregues num congresso. Um lanyard identifica quem participa num evento. Um caderno acompanha uma formação. Uma mochila prolonga a presença da marca muito para além do dia em que foi recebida. O brinde ganha valor quando deixa de ser apenas uma oferta e encontra um lugar natural na vida de quem o utiliza.
Também por isso, a sustentabilidade já não se resume a uma pequena secção do catálogo. Materiais reciclados, rPET, madeira e soluções reutilizáveis atravessam diferentes famílias de produtos. Mais do que um tipo específico de brinde, tornam-se um critério de escolha.
Nem todas as campanhas precisam de milhares de unidades
Outro mito desfeito pelos dados é o de que o merchandising corporativo pertence sobretudo às grandes campanhas. Em Portugal, uma parte significativa das encomendas responde a necessidades muito delimitadas: uma feira, uma ação interna, uma formação, uma iniciativa local, um welcome pack ou o lançamento de um projeto.
Mais de metade dos pedidos analisados situa-se entre os 100 e os 500 euros. A quantidade mediana ronda as 100 unidades, sinal de que as tiragens pequenas e médias ocupam um espaço importante neste mercado.
Há campanhas de maior dimensão – perto de três em cada dez encomendas ultrapassam os 500 euros –, mas a imagem dominante é a de uma compra controlada, pensada para um objetivo e para um público concretos.
A própria composição dos pedidos reforça essa leitura. Quase nove em cada dez encomendas concentram-se numa única referência. Em vez de acumularem vários objetos, muitas organizações escolhem aquele que melhor resolve a necessidade do momento.
É uma abordagem menos exuberante, mas provavelmente mais eficaz: definir primeiro o propósito da ação e só depois escolher o produto.
Cada sector procura a sua utilidade
Não existe, contudo, um brinde universal. Aquilo que funciona numa associação pode não ser a escolha mais adequada para uma clínica, uma escola ou um município.
Nas associações, organizações não governamentais e fundações, por exemplo, o merchandising está frequentemente ligado à comunidade e à participação. Vestuário personalizado, lanyards, sacos, garrafas e materiais de escrita ajudam a identificar voluntários, organizar jornadas, distribuir informação ou criar um sentimento de pertença.
Na educação e formação, os cadernos e as canetas mantêm-se relevantes, mas convivem com sacos, garrafas e soluções tecnológicas simples, como os dispositivos USB. São escolhas que se adaptam a feiras educativas, eventos académicos, ações de formação e conjuntos de boas-vindas para alunos ou participantes.
Na saúde e bem-estar, a confiança e a utilidade diária ganham outro peso. Uma peça de vestuário pode identificar uma equipa, enquanto um saco, um caderno ou uma garrafa pode acompanhar uma campanha de prevenção ou sensibilização.
Já na administração pública, os produtos reutilizáveis, os artigos de exterior e os brindes fáceis de distribuir ajustam-se a eventos culturais, atividades desportivas, campanhas locais e ações de proximidade. Nestes casos, o objeto não serve apenas para divulgar uma entidade: ajuda também a comunicar, organizar e envolver os cidadãos.
Há meses em que as marcas oferecem mais
Os brindes também têm calendário. A procura cresce e abranda em função dos eventos, das campanhas e dos ciclos de atividade das organizações.
Na base analisada pela Gift Campaign, novembro é o mês com maior peso, concentrando 15,4% das encomendas, seguido de outubro, com 12%. Em conjunto, os dois meses representam mais de um quarto da atividade anual observada.
A primavera constitui outro momento importante. Março e maio registam níveis elevados, associados a feiras, eventos, campanhas anteriores ao verão e atividades ao ar livre. Fevereiro e agosto aparecem, pelo contrário, como os meses de menor intensidade.
Para as organizações, esta sazonalidade traz uma consequência prática: esperar pelo último momento pode limitar escolhas. Entre selecionar o artigo, aprovar o grafismo, produzir, personalizar e entregar, existe um calendário que deve ser considerado logo no planeamento da campanha.
Quando um produto já não chega
Embora predominem as encomendas com uma única referência, há situações em que vários artigos fazem mais sentido em conjunto.
É o caso das acreditações. Um lanyard pode precisar de um porta-cartões, um mosquetão, um identificador ou um fecho de segurança. Não se trata propriamente de juntar brindes, mas de construir um pequeno sistema funcional para organizar participantes, visitantes ou equipas.
Noutros contextos, surgem os kits corporativos: caderno e caneta, saco e garrafa, mochila e garrafa ou saco e dispositivo USB. Combinações simples, pensadas para formações, eventos, ações de integração ou campanhas de fidelização.
Aqui, a eficácia depende da coerência. Um bom kit não é uma soma de objetos escolhidos ao acaso. Deve contar uma pequena história, responder a uma necessidade e fazer sentido para a pessoa que o recebe.
O melhor brinde pode não ser o mais original
A análise das encomendas portuguesas deixa uma conclusão pouco espetacular, mas relevante: o melhor brinde não é necessariamente aquele que provoca maior surpresa no momento da entrega. É aquele que continua a ser usado depois dela.
Num mercado marcado por orçamentos controlados e ações cada vez mais segmentadas, a pergunta deixou de ser apenas “o que está na moda?”. Importa perceber para quem se destina o produto, em que contexto será entregue, durante quanto tempo poderá ser utilizado e que relação estabelece com a identidade da organização.
A originalidade pode conquistar alguns segundos de atenção. A utilidade, quando bem escolhida, pode manter uma marca presente durante meses ou anos.









