A Beiersdorf encerrou o primeiro semestre de 2026 com vendas de 4.952 milhões de euros, menos 4,5% em termos nominais do que no mesmo período do ano anterior. Em termos orgânicos, excluindo os efeitos cambiais e as alterações de perímetro, a quebra foi de 3,5%.
O desempenho foi condicionado sobretudo pela NIVEA, que registou uma redução orgânica das vendas de 6,8%. Em sentido contrário, as marcas dermatológicas Eucerin e Aquaphor mantiveram uma evolução positiva, com a área Derma a crescer 7,8%.
O EBIT ajustado a efeitos extraordinários atingiu 768 milhões de euros, abaixo dos 836 milhões registados um ano antes, com a margem a recuar de 16,1% para 15,5%. O resultado líquido permaneceu praticamente estável, passando de 561 milhões para 558 milhões de euros.
NIVEA recua 6,8%
A NIVEA, incluindo a Labello, gerou vendas de 2.703 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, menos 7,5% em termos nominais e 6,8% organicamente. Só no segundo trimestre, a quebra orgânica foi de 6,7%, com a faturação a situar-se nos 1.361 milhões de euros.
A Beiersdorf atribui o desempenho a vários fatores temporários, entre os quais conflitos comerciais com clientes, um início mais tardio da época de produtos solares na Europa, redução de inventários por parte do retalho e o calendário dos lançamentos de inovação.
A crise no Médio Oriente e os desafios enfrentados pelo portefólio principal da NIVEA também pesaram nas vendas. Apesar da redução das entregas ao retalho, a empresa refere que as vendas ao consumidor final permaneceram em terreno positivo durante o semestre.
Plano de 18 meses para recuperar crescimento
Perante a evolução da sua maior marca, a Beiersdorf avançou com uma nova fase do reposicionamento iniciado na segunda metade de 2025. O grupo lançou um plano de recuperação da NIVEA com uma duração de 18 meses, centrado na inovação em diferentes categorias, no reforço da acessibilidade da marca e na adaptação da oferta às necessidades específicas dos consumidores de cada mercado.
A empresa vai também aumentar o investimento em comunicação e ativação. Só no segundo semestre de 2026, prevê aplicar mais 100 milhões de euros em media do que no mesmo período do ano anterior.
Segundo Vincent Warnery, CEO da Beiersdorf, as primeiras medidas de reposicionamento já produziram alguns sinais positivos em quota de mercado e volumes, mas estes permanecem demasiado concentrados em determinadas categorias e geografias para alterarem o desempenho global da marca.
O objetivo é colocar novamente o negócio numa trajetória de crescimento em 2027 e retomar um crescimento rentável a partir de 2028.
Eucerin e Aquaphor continuam a crescer
A área Derma manteve uma evolução distinta da NIVEA. As vendas alcançaram 837 milhões de euros no semestre, crescendo 6% nominalmente e 7,8% em termos orgânicos. No segundo trimestre, a progressão orgânica foi de 7,4%, apesar de uma base de comparação exigente.
A Beiersdorf destaca a evolução da Eucerin, apoiada em ingredientes como Epicelline e Thiamidol, e o crescimento em mercados como América do Norte, Brasil e China. A expansão da Aquaphor para a categoria de loções e cremes corporais deverá acrescentar novas oportunidades de crescimento à divisão.
Também a área Health Care, onde se encontram marcas como Hansaplast e Elastoplast, aumentou as vendas orgânicas em 4%, para 164 milhões de euros.
La Prairie regressa ao crescimento no segundo trimestre
A La Prairie fechou o semestre com vendas de 224 milhões de euros, uma quebra nominal de 7,6% e orgânica de 6,9%. A evolução foi condicionada no início do ano por perturbações temporárias nos grandes armazéns norte-americanos e no travel retail chinês.
No segundo trimestre, contudo, a marca de luxo regressou ao crescimento, com uma progressão orgânica de 2,2%. A Beiersdorf prepara para setembro o lançamento de uma nova linha de entrada, destinada a captar novos consumidores e ampliar seletivamente a distribuição.
tesa recupera no segundo trimestre
A tesa registou vendas semestrais de 839 milhões de euros, menos 2,1% em termos nominais e 0,9% organicamente. Depois de um primeiro trimestre penalizado por uma base comparável exigente, a atividade recuperou entre abril e junho, quando as vendas orgânicas aumentaram 2,5%.
A área continua, contudo, condicionada pelo desempenho do negócio de eletrónica. A Beiersdorf alerta ainda para o risco de eventuais limitações na disponibilidade de semicondutores durante a segunda metade do ano.
Beiersdorf revê previsões para 2026
Os resultados levaram o grupo a rever em baixa as perspetivas para o conjunto do exercício. A Beiersdorf passa a antecipar uma redução orgânica das vendas de um dígito baixo em 2026, quando anteriormente previa estabilidade ou um ligeiro crescimento.
No negócio de consumo, a margem EBIT ajustada deverá ser de pelo menos 11%, bastante abaixo dos 13,6% registados em 2025, refletindo também o reforço do investimento destinado à recuperação da NIVEA. Para o conjunto do grupo, a margem EBIT ajustada deverá atingir pelo menos 11,8%, contra os 14% alcançados no exercício anterior.
A empresa mantém, contudo, a ambição de regressar ao crescimento das vendas em 2027, estabilizando simultaneamente a margem, e alcançar novamente crescimento rentável a partir de 2028.








