O Grupo DIA estará a avaliar alternativas estratégicas para a operação na Argentina, que poderão passar pela venda da totalidade do negócio ou pela entrada de um parceiro no capital da filial.
Segundo informações avançadas pela imprensa argentina e espanhola, o grupo terá contratado o Banco Santander para procurar potenciais compradores ou investidores. O DIA recusou, contudo, confirmar a existência do processo, afirmando que não comenta “rumores de mercado” nem avalia especulações.
O processo encontra-se numa fase inicial, sem indicações sobre interessados, calendário ou avaliação financeira da operação. A entrada de um sócio permitiria ao grupo manter uma presença no mercado argentino, partilhando simultaneamente o investimento e o risco operacional.
Rede supera mil lojas na Argentina
O DIA entrou na Argentina no final da década de 1990 e opera atualmente mais de mil lojas no país. Cerca de um quarto dos estabelecimentos é explorado diretamente pela empresa, enquanto os restantes funcionam em regime de franquia.
A operação conta ainda com cinco centros de distribuição e aproximadamente 7.700 trabalhadores: 3.200 colaboradores diretos e cerca de 4.500 pessoas ligadas à rede de franchisados. O formato de proximidade concentra-se sobretudo na região metropolitana de Buenos Aires e nas províncias de Buenos Aires, Santa Fé, Córdoba, Corrientes, Entre Ríos, Salta e Jujuy.
Vendas recuaram para 1.510 milhões de euros
A filial argentina registou vendas brutas de 1.510 milhões de euros em 2025, uma quebra de aproximadamente 15% face ao exercício anterior. A evolução foi condicionada pela contração do consumo, pela diminuição de cerca de 10% do volume comparável e pela desvalorização próxima de 40% do peso argentino.
A operação terminou o exercício com um prejuízo líquido de 51,3 milhões de euros, comparativamente aos 12,7 milhões negativos registados em 2024. Apesar destes resultados, o grupo indicou, na apresentação anual, que as medidas de controlo de custos e disciplina financeira permitiram estabilizar os volumes durante o segundo semestre.
O negócio alcançou uma margem EBITDA ajustada de 1,3% na segunda metade do ano, um fluxo de caixa livre positivo de 3,1 milhões de euros e uma posição líquida de tesouraria de 61 milhões.
Argentina é um dos dois mercados do grupo
A Argentina ganhou maior peso estratégico depois de o DIA reduzir a sua presença internacional. Após sair de Portugal e do Brasil e alienar outros ativos, o grupo concentra atualmente a operação de supermercados em Espanha e no mercado argentino.
O CEO do Grupo DIA, Martín Tolcachir, tinha afirmado anteriormente que a operação argentina estava preparada para beneficiar de uma recuperação progressiva do consumo, mantendo o controlo financeiro e a proximidade com os clientes.
A eventual procura de um parceiro ou comprador sugere, contudo, que o grupo está a reavaliar a forma de permanecer no país, num contexto marcado pela volatilidade cambial, pelas margens reduzidas e pela incerteza sobre o ritmo de recuperação da economia.
Carrefour chegou a avaliar saída do país
O possível processo do DIA surge depois de o Carrefour ter analisado a venda da sua operação argentina. A cadeia francesa recebeu manifestações de interesse de grupos locais e regionais, mas acabou por manter o negócio por considerar que as propostas não correspondiam ao valor pretendido.








