A Fnac Darty registou em Portugal um crescimento de 9% em termos comparáveis no primeiro semestre de 2026, o desempenho mais elevado entre os mercados europeus do grupo.
As vendas da operação portuguesa atingiram 228,4 milhões de euros entre janeiro e junho, mais 6,7% em termos reportados do que no período homólogo. Só no segundo trimestre, a faturação ascendeu a 116,3 milhões de euros, correspondendo a um crescimento comparável de 8,2%.
O grupo atribui a evolução ao dinamismo das duas insígnias, Fnac e Darty, em todos os canais de distribuição.
Portugal supera crescimento do grupo
A nível global, a Fnac Darty alcançou vendas de 4.457 milhões de euros no primeiro semestre, um aumento de 0,6% em termos comparáveis e de 0,8% em valores reportados.
A atividade na região designada como resto da Europa cresceu 2,7%, para 1.878,1 milhões de euros. Além de Portugal, a Bélgica e o Luxemburgo registaram uma subida comparável de 5,8%, Espanha avançou 1,7% e Itália cresceu 1,1%. Na Suíça, as vendas recuaram 1,9%.
Em França, principal mercado do grupo, a faturação diminuiu 0,7% em termos comparáveis, para 2.578,9 milhões de euros.
No segundo trimestre, as vendas consolidadas totalizaram 2.147 milhões de euros, mais 0,4% em termos comparáveis. A atividade em França caiu 1,6%, enquanto o conjunto dos restantes mercados europeus cresceu 3,4%.
Comércio eletrónico aumenta 4,2%
As vendas online do grupo cresceram 4,2% no primeiro semestre e passaram a representar mais de 21% da faturação total. O click and collect esteve associado a perto de metade das vendas digitais, reforçando, segundo a Fnac Darty, a relevância da estratégia omnicanal. O crescimento online foi também apoiado pela atividade dos marketplaces.
Em sentido contrário, as vendas em loja foram penalizadas pela redução da afluência aos estabelecimentos localizados nos centros urbanos durante os períodos de calor intenso registados em maio e junho.
A Fnac Darty encerrou junho com 1.461 lojas, menos 23 do que no final de 2025. Portugal manteve uma rede de 49 estabelecimentos, dos quais 45 próprios e quatro franchisados.
Eletrodomésticos e serviços impulsionam atividade
Os eletrodomésticos apresentaram uma evolução positiva, apoiada pelas vendas de pequenos equipamentos para limpeza doméstica, café e produtos sazonais, como máquinas de gelados.
No grande eletrodoméstico, o crescimento foi impulsionado por aparelhos de ar condicionado e frigoríficos. A procura destes produtos beneficiou das temperaturas elevadas, embora o período homólogo já tivesse apresentado condições meteorológicas favoráveis.
Os produtos técnicos também cresceram, sobretudo devido aos computadores. A Fnac Darty associa esta evolução ao fim do suporte ao Windows 10 e ao início de um novo ciclo de substituição de equipamentos.
A televisão apresentou um desempenho positivo no segundo trimestre, beneficiando do Mundial de futebol e da procura por videoprojetores. Já as telecomunicações, o som e a fotografia registaram ligeiros recuos.
A área de diversificação cresceu a um ritmo próximo de dois dígitos, apoiada pela categoria de brinquedos. Os serviços mantiveram igualmente uma trajetória ascendente.
Os produtos editoriais recuaram, penalizados pela comparação com o lançamento da Nintendo Switch 2, em junho de 2025. O mercado do livro apresentou uma evolução negativa, enquanto o áudio continuou a beneficiar da procura por discos de vinil.
Margem bruta melhora e prejuízo operacional diminui
A margem bruta do grupo subiu 40 pontos base, para 29%, devido ao maior contributo dos serviços e a uma composição de vendas mais favorável.
O EBITDA corrente atingiu 197 milhões de euros, mais quatro milhões do que no primeiro semestre de 2025. O resultado operacional corrente permaneceu negativo em 34 milhões de euros, mas melhorou 10% face aos 38 milhões negativos registados um ano antes.
O resultado líquido das atividades continuadas atribuível ao grupo foi negativo em 82 milhões de euros, comparando com perdas de 66 milhões no período homólogo.
Na região do resto da Europa, o prejuízo operacional corrente diminuiu de 10,6 para 5,6 milhões de euros. Em França, manteve-se próximo dos 29 milhões negativos.
Perspetivas para 2026 mantidas
A Fnac Darty manteve as previsões para o conjunto do exercício, antecipando uma melhoria da margem operacional corrente e do cash flow operacional.
O grupo confirmou ainda a meta de alcançar pelo menos 20 milhões de euros em sinergias com a integração da italiana Unieuro até ao final de 2026.
A oferta pública de aquisição lançada pelo EP Group sobre a Fnac Darty encontra-se aberta desde 12 de maio. A conclusão está prevista para o segundo semestre, dependendo, entre outras condições, da autorização da Comissão Europeia.








