comércio de rua Rua de Santa Catarina, Porto

Porto lidera tráfego no comércio de rua

Rua de Santa Catarina é a mais movimentada do país, mas Lisboa mantém a liderança no valor gasto e nas rendas comerciais

A Rua de Santa Catarina, no Porto, é a artéria comercial com maior tráfego pedonal em Portugal, mas Lisboa continua a destacar-se pelo maior valor gasto pelos consumidores e pelas rendas prime mais elevadas. As conclusões constam do estudo HighStreet Footfall, desenvolvido pela CBRE para analisar a dinâmica do comércio de rua nas principais zonas comerciais das duas cidades.

Segundo o estudo, a Rua de Santa Catarina regista uma média de 3.269 passantes por hora, liderando o ranking nacional. Seguem-se a Rua Garrett, em Lisboa, com 2.892 pessoas por hora, e a Rua Augusta, também na capital, com 2.408. A Avenida da Liberdade apresenta um fluxo médio de 1.267 passantes por hora, enquanto a zona dos Clérigos, no Porto, regista 850 pessoas por hora, condicionada pelas obras na Avenida dos Aliados.

A análise evidencia que cada localização apresenta um perfil comercial distinto. A Rua Augusta beneficia de um fluxo constante ao longo do dia, sustentado por uma oferta equilibrada entre moda e restauração. Já a Rua Garrett, que combina marcas de grande consumo e segmentos premium, concentra maior afluência ao final da tarde, impulsionada pela proximidade de zonas de lazer e entretenimento. A Avenida da Liberdade reforça o posicionamento como destino de luxo, com forte presença de marcas de alta joalharia e um aumento progressivo do movimento ao longo do dia.

A CBRE destaca, contudo, que o volume de passantes não determina, por si só, o valor das rendas comerciais. Apesar de Santa Catarina ser a rua mais movimentada, as rendas prime situam-se em cerca de 90 euros por metro quadrado por mês, abaixo dos cerca de 150 euros praticados na Rua Garrett e na Rua Augusta. A Avenida da Liberdade regista rendas de aproximadamente 125 euros por metro quadrado, enquanto os Clérigos rondam os 67,5 euros.

Entre os fatores que explicam estas diferenças estão a concentração do tráfego em determinadas zonas, o perfil da oferta comercial, o poder de compra das populações locais e a composição do turismo. Lisboa beneficia de uma maior presença de visitantes norte-americanos, geralmente associados a um maior nível de despesa.

O estudo conclui ainda que o retalho em Portugal mantém uma evolução positiva para além do comércio de rua. Os centros comerciais registaram melhorias consistentes nos últimos quatro anos em indicadores como afluência, vendas e taxa de ocupação, desempenho impulsionado pelo crescimento populacional e pelo reforço da eficiência operacional dos ativos.

No segmento dos retail parks, a consultora antecipa uma forte expansão até 2028, estimando a abertura de cerca de 180 mil metros quadrados de nova área comercial. Paralelamente, a CBRE prevê que o investimento imobiliário no sector do retalho possa atingir 850 milhões de euros em 2026, impulsionado por várias operações previstas até ao final do ano.

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