A Louis Vuitton foi considerada o retalhista mais “cool” do mundo em 2026 no relatório “The World’s Coolest Retailers 2026”, desenvolvido pela The General Store. Divulgado no World Retail Congress, estudo identifica 50 marcas internacionais que se destacam pela capacidade de combinar criatividade, experiência, relevância cultural e impacto comercial.
O ranking é liderado pela Louis Vuitton, seguida pela Haus Nowhere, projeto experiencial da IICOMBINED, grupo por detrás da Gentle Monster, pelo Printemps, pela Pop Mart e pela Casetify. O top 10 fica completo com Anta, Mecca, Nothing, Vans e Olive Young.
Criatividade passa para o centro da estratégia
Segundo o relatório, o retalho vive um momento em que a criatividade deixou de ser apenas um elemento decorativo e passou a estar no centro da proposta de valor. As marcas que mais se destacam são aquelas que conseguem criar universos próprios, experiências memoráveis e uma relação emocional com os consumidores.
A seleção teve por base três critérios: desempenho comercial, criatividade e capacidade de gerar resposta e envolvimento junto dos clientes. No documento, esta combinação surge como a definição contemporânea de cool: marcas que não se limitam a vender produtos, mas que criam cultura, comunidade e desejo.
Louis Vuitton distinguida pela loja-navio em Xangai
A Louis Vuitton ocupa o primeiro lugar do ranking graças à “The Louis”, uma estrutura em forma de navio instalada na Wujiang Road, em Xangai. O espaço reúne uma flagship de vários pisos, uma exposição imersiva dedicada à história da maison e o Le Café Louis Vuitton.
Para o relatório, a escolha de Xangai, historicamente ligada ao comércio e ao movimento, reforça a ligação da Louis Vuitton às viagens e à mobilidade. A marca é apresentada como um dos exemplos mais ambiciosos de como uma loja pode deixar de ser apenas um ponto de venda para se transformar numa afirmação cultural.
Experiência antes da transação
A Haus Nowhere, segunda classificada, é descrita como uma das expressões mais radicais de retalho experiencial. O projeto ocupa 14 pisos em Seul e combina instalações artísticas, produtos das marcas TAMBURINS e ATiiSSU, espaços sensoriais e uma lógica em que o espetáculo surge antes da venda.
A mesma tendência é visível noutras marcas do ranking. A Mecca, na Austrália, surge destacada pela sua flagship de Melbourne, que integra salão, tratamentos de pele, café, auditório, área de fragrâncias e dezenas de serviços. Já a Olive Young, na Coreia do Sul, é distinguida por transformar a loja em praça, estúdio de conteúdos, espaço de comunidade e plataforma de exportação cultural da K-beauty.
O retalho como media
O relatório sublinha também a importância crescente da loja física como meio de comunicação. A Casetify, por exemplo, é destacada por transformar capas de telemóvel num universo cultural através de uma flagship de cinco pisos em Seul, com laboratório de personalização, café de colaboração, áreas de socialização e espaços dedicados a sustentabilidade e upcycling.
A Vans, por sua vez, surge no top 10 graças à loja de Oxford Street, em Londres, onde uma rampa de skate atravessa o espaço e permite transformar a loja em palco para demonstrações, eventos, concertos e ativações ligadas à cultura urbana.
Marcas de escala e marcas de nicho convivem no ranking
Uma das conclusões mais relevantes do relatório é que a influência no retalho deixou de depender apenas da escala. A lista junta gigantes globais, como Louis Vuitton, Zara, Target, Rolex, Nespresso e Lululemon, a marcas de nicho ou mais recentes, como Rhode, Meadow Lane, Dumps World, Encré ou September Studio.
Esta diversidade mostra que o retalho mais relevante é aquele que tem uma proposta clara, diferenciada e difícil de copiar. O relatório defende que as marcas selecionadas partilham uma característica comum: tratam os consumidores como participantes de uma experiência e não apenas como compradores.
Para a The General Store, a excelência no retalho está a alargar-se. Já não se mede apenas pela eficiência operacional, pela dimensão da rede ou pela força da distribuição. Mede-se também pela capacidade de criar desejo, identidade, comunidade e relevância cultural.
O relatório conclui que os retalhistas mais interessantes não estão à espera que as condições de mercado melhorem. Estão a criar essas condições através de experiência, curadoria e uma recusa em serem marcas indiferenciadas.








