O Alibaba registou uma queda de 66,7% no lucro líquido no último trimestre de 2025, num resultado que reflete a forte pressão sobre a rentabilidade do grupo, mas também a aceleração da sua transformação estratégica rumo à inteligência artificial e cloud.
Entre outubro e dezembro, o gigante chinês reportou um lucro de 16,3 mil milhões de yuan (cerca de dois mil milhões de euros), num desempenho significativamente abaixo do registado no mesmo período do ano anterior.
Receita cresce, mas abaixo das expectativas
Apesar da quebra nos lucros, o Alibaba conseguiu aumentar ligeiramente as receitas. O volume de negócios cresceu 1,7%. Excluindo os negócios desinvestidos, o crescimento comparável teria sido mais robusto, rondando os 9%.
O desempenho do grupo foi marcado por dinâmicas distintas entre áreas de negócio. O comércio na China cresceu 6%, enquanto a nível internacional aumentou 4%.
O grande destaque foi o negócio de cloud, com um acréscimo de 36%.
Investimentos pesados pressionam margens
A quebra dos lucros está diretamente ligada a uma aposta agressiva em várias frentes, nomeadamente o quick commerce e as entregas rápidas. O Alibaba investiu ainda no desenvolvimento tecnológico. Com destaque para a inteligência artificial.
Consequentemente, as margens no curto prazo ficaram sob pressão, num contexto de concorrência intensa no mercado chinês, especialmente face a players a como JD.com e a Meituan.
De facto, o Alibaba está a reposicionar-se como uma empresa tecnológica, com a inteligência artificial no centro da sua estratégia. Segundo o CEO, Eddie Wu, a IA continuará a ser um dos principais motores de crescimento da empresa.
Novo modelo de consumo
A integração do modelo generativo Qwen na plataforma já ultrapassou os 300 milhões de utilizadores ativos mensais, reforçando o potencial desta aposta.
Mas a aposta do Alibaba em IA vai além da tecnologia – está diretamente ligada à evolução do comportamento do consumidor.
A empresa está a desenvolver modelos de comércio automatizado (agentic commerce) e de assistentes digitais que executam compras. Este movimento pode redefinir a forma como os consumidores interagem com plataformas digitais.








