É urgente definir uma estratégia para o agentic AI, uma forma de inteligência artificial capaz de agir de forma autónoma na experiência de compra. O alerta é dado pelo Institute of Grocery Distribution (IGD), que sublinha a urgência, antes que esta tecnologia transforme radicalmente o modo como os consumidores fazem compras e os produtos são descobertos nos ecossistemas de retalho.
Num relatório intitulado “Agentic AI and the future of shopping”, o IGD explica que, ao contrário da IA generativa tradicional — que responde a perguntas e cria conteúdo — o agentic AI opera de forma proativa. Ou seja, planeia e executa ações para alcançar resultados específicos, como fazer uma compra ou otimizar um orçamento. E fá-lo sem intervenção direta do utilizador.
A organização alerta que a adoção generalizada desta tecnologia tem o potencial de redefinir profundamente o percurso de compra. Entre as consequências estão a automatização da construção das cestas e reposição dos produtos. Além disso, o agentic AI também assegura a comparação em simultâneo de preços e disponibilidade em vários retalhistas, assim como a otimização das compras com base em critérios como orçamento, saúde ou sustentabilidade. A finalização do checkout não tem intervenção humana. A inteligência artificial completa todo o processo.
Segundo o relatório, estas capacidades já estão a emergir em mercados avançados como os Estados Unidos. As soluções vão desde assistentes autónomos de compras até fluxos automatizados de compra de ponta a ponta e agentes de planeamento de refeições personalizados.
Risco de “invisibilidade” dos produtos na prateleira
Um dos principais alertas emitidos pelo IGD é que os produtos podem tornar-se invisíveis no processo clássico de decisão. Os algoritmos determinam as seleções e a visibilidade a ser baseada em critérios distintos dos tradicionais displays ou posições em prateleira. Toby Pickard, retail futures senior partner na IGD, sublinha que “não é a visibilidade na prateleira que importa, mas sim a visibilidade perante os algoritmos”.
Embora o uso de ferramentas de IA para as compras de supermercado ainda seja baixo na maioria dos mercados, o IGD alerta que, tal como aconteceu com o online e outros serviços convenientes, a adoção poderá crescer rapidamente. Entre os especialistas, ainda há alguma incerteza sobre quando exatamente o agentic AI se tornará mainstream. No entanto, algumas previsões já apontam para a sua adoção em massa até ao final de 2026. “A incerteza não é sobre se o agentic AI mudará os comportamentos, mas quando. As empresas que começarem a preparar-se agora ajudarão a moldar a forma como o comércio inteligente se expande. As que esperarem poderão descobrir que o futuro já foi decidido sem a sua intervenção”, conclui Toby Pickard.
O que é o agentic AI?
O agentic AI refere-se a sistemas de inteligência artificial que operam autonomamente para planear, decidir e executar tarefas em nome de um utilizador, mesmo sem prompts constantes. Contrastando com a IA que apenas responde a perguntas ou produz conteúdo, estes agentes podem antecipar necessidades, agir sobre prioridades definidas e completar operações sem intervenção humana direta.







