Mais de dois terços das empresas do sector agrícola do sudoeste alentejano preveem enfrentar dificuldades no recrutamento de mão de obra na próxima campanha. Esta é uma das conclusões do inquérito anual aos associados da AHSA – Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos concelhos de Odemira e Aljezur.
Segundo o estudo, as empresas que antecipam este problema apontam as alterações legislativas na lei da migração e consequente complexidade burocrática dos processos de regularização e contratação de imigrantes (33%) como o principal fator. Outras causas incluem a procura por melhores condições de vida e de trabalho noutros locais e países (14%); o desequilíbrio entre a oferta e a procura (14%) e a falta de alojamento (9,5%).
Face às preocupações demonstradas, o inquérito confirma ainda a forte dependência de mão de obra, em particular de trabalhadores estrangeiros. Neste ponto, refira-se que 74% das organizações têm mais de metade dos seus postos de trabalho preenchidos por imigrantes, com a maioria (55%) a destacar uma proporção superior a 75%.
Apesar dos receios, as expectativas para o volume total de negócio durante o próximo exercício são globalmente positivas: mais de 60% das empresas espera um aumento e 29% antevê estabilidade. O mesmo se verifica no que diz respeito às previsões do valor das exportações, com mais de metade das empresas a predizer uma subida e 32% que se mantenha estável.
Luís Mesquita Dias, presidente da AHSA, sublinha a relevância dos dados: “Este inquérito confirma um sector dinâmico e resiliente, com perspetivas de crescimento ao nível do volume de negócio e das exportações, mesmo num contexto exigente ao nível do recrutamento e mão de obra”. E conclui: “As alterações legislativas na área da migração eram necessárias e fazem sentido, contribuindo para um enquadramento mais estruturado e equilibrado. No entanto, trazem consigo desafios operacionais e um período de adaptação que está a dificultar o acesso a trabalhadores estrangeiros, essenciais para a atividade. É importante garantir que este processo decorre com eficácia, minimizando impactos na capacidade de resposta das empresas no curto prazo”.
Empresas exportadoras
O inquérito sublinha também a forte vertente exportadora da agricultura do sudoeste alentejano: 65% das empresas exportam mais de 70% da produção, número que ascende a 77% no caso das que exportam mais de 40%. França, Reino Unido, Países Baixos, Espanha e Alemanha surgem em destaque como os principais mercados.
Relativamente aos resultados da atividade em 2025, a maior parte das empresas (75%) faz um balanço alinhado com ou acima das expectativas. Os dados evidenciam também que a maioria das empresas (81%) apresenta um volume de negócio anual superior a um milhão de euros e 45% mais de cinco milhões de euros.














