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Rum e gin puxam pelo mercado das espirituosas

As bebidas espirituosas continuam a ser importantes dentro dos bens de grande consumo. Pela positiva, e com aumentos a dois dígitos, destacam-se duas categorias: rum e gin.  O whisky mantém-se como a principal categoria no mercado português, bem acompanhado pelos espumantes. Além da vodka, todas as categorias prosperam, embora o panorama se mostre pessimista perante o agravamento da carga fiscal nas bebidas espirituosas, nomeadamente o aumento da taxa de IABA delineado no Orçamento de Estado para 2017.

A categoria de gin parece ainda não ter esgotado o seu potencial de crescimento e continua a sua ascendência no mercado das bebidas espirituosas. De acordo com os dados da vaga de julho de 2016 do estudo TGI da Marktest, mais de um milhão de portugueses consumiram gin no último ano. “Ao contrário de um passado recente, em que eram sobretudo as marcas premium que estavam por detrás deste incremento, agora são também as marcas de preço inferior a explicar esta performance”, comenta a Nielsen.

Segundo os dados da consultora, a categoria apresenta um volume de 714,9 mil unidades, o que representa um crescimento de 17% no período analisado (ano móvel fim da semana 43/2016), e um valor de 14,1 milhões de euros, mais 15%. Assim, o gin distingue-se pela performance positiva, continuando a impulsionar o sector das bebidas, embora exista um abrandamento em relação aos valores apresentados em 2015. “Acreditamos que a tendência de crescimento do gin ainda vai perdurar. O ‘boom’ que se verificou com este crescimento veio sobretudo da variedade na oferta e novos rituais de consumo através da facilidade de ‘mixing‘”, refere Bruno Calvão, Head of Marketing da Pernod Ricard Portugal.

Apesar de dimensão mais pequena, em termos de valor, outra categoria se destacou em crescimento neste período, ganhando um novo fôlego junto do consumidor: o rum. “Apesar de ser uma categoria mais pequena, o aparecimento em Portugal de novos ‘players’, aliado ao aumento distributivo de outros já presentes, fez com que o rum seja aquele que apresenta o maior dinamismo de todos”, explica a Nielsen. A categoria apresenta uma dimensão de 137,1 milhares de litros e um valor de 2,4 milhões de euros, representando um crescimento de 19% em ambos os indicadores.

De acordo com um relatório da WIRSPA (West Indies Rum and Spirits Producers’ Association), intitulado “Década do Rum”, esta é a categoria que mais rapidamente cresceu entre 2000 e 2010 a nível internacional. “Há um enorme otimismo para o futuro da categoria, que está a ser movido por quatro fatores-chave: a amplitude do apelo para o rum, o crescimento de cocktails, a tendência global de ‘premiumização’ e o entusiasmo de profissionais de topo do comércio pela categoria“, diz o relatório.

Vodka destaca-se pela negativa
Pela negativa, apenas se destaca a categoria de vodka que mostra as únicas perdas no mercado nacional de bebidas espirituosas, com uma variação negativa de 5% em volume, com 741,1 milhares de litros, e de menos 4% em valor, com vendas de 8,4 milhões de euros. Segundo a Nielsen, “na grande generalidade da distribuição moderna, esta categoria até cresce em vendas. Contudo, o canal tradicional, apesar de ainda incipiente, apresenta decréscimos a dois dígitos”.

Contudo, “é importante relembrar que o mercado português continua a ter o seu grande peso na categoria de whisky”, refere Bruno Calvão. A categoria, que é a mais importante de todas, “no último ano tornou-se a mais dinâmica e é onde Jameson é a marca de whisky premium que mais cresce e contribui para esta performance, fruto da inovação através da introdução de novos produtos, como os recentes lançamentos de Jameson Caskmates, Jameson Crested e o Black Barrel, ou novos rituais de consumo, como o Jameson Ginger & Lime, uma proposta de consumo diferenciada e dirigida a um público que não é o consumidor habitual de whisky”.

Os whiskies apresentam um volume de vendas de 3,5 milhões de litros, uma variação positiva de 0,2%, e receitas na ordem dos 58,5 milhões de euros, o que representa um crescimento de 2%, sendo que “a grande fatia continua a pertencer ao Scotch, onde há a destacar a perda do segmento mais premium. Por outro lado, assistimos a um grande dinamismo do segmento Irish”, reporta a Nielsen.

Apesar do whisky tornar a ser o preferido dos portugueses, a categoria de espumante volta, mais um ano, a apresentar uma evolução positiva e representa 40,5 milhões de euros, com uma dimensão de 8,7 milhões de litros, apresentando uma subida de 8% das vendas em valor e em volume no período analisado.

Mercado em retoma
Segundo a Nielsen, “o conjunto destas cinco categorias de bebidas alcoólicas cresceu, neste último ano móvel, 5% em valor e 6% em volume. Constata-se que este dinamismo é bem superior, cerca de três vezes mais, ao alcançado pela média dos Fast Moving Consumer Goods (2%).

A contração do consumo de bebidas espirituosas em Portugal nos últimos anos foi causada pela crise económica, que teve um efeito particularmente negativo sobre as vendas entre 2008 e 2014. Este mercado registou um volume total negativo de 3% durante este período; no entanto, em 2015, as vendas deixaram de diminuir, com um crescimento de volume total de 1%, segundo a Euromonitor. “O mercado de bebidas espirituosas, que representa atualmente cerca de 2,6 milhões caixas de nove litros, sofreu um decréscimo de aproximadamente um milhão de caixas de nove litros na última década; no entanto, temos observado uma melhoria nos últimos 18 meses, apoiada pela dinâmica nos gins, que duplicou volumes nos últimos três anos, e na performance positiva na categoria de whisky quando comparado com 2015”, refere o responsável da distribuidora de bebidas.

Além do forte desempenho do gin, a estabilização das vendas esteve ligada à melhoria das condições de negócio, que se deve à ligeira recuperação verificada na economia do país e aos níveis crescentes do turismo. No entanto, o crescimento moderado registado em 2015 estava ainda abaixo das expectativas dos profissionais da indústria. “Tanto numa categoria (whisky) como na outra (gin), as marcas da Pernod Ricard têm sido as impulsionadoras e dinamizadoras deste crescimento em volume e valor. Quando o mercado de whisky cresce 1% em volume, o portfólio de whisky da Pernod Ricard cresce 10%, através dos desempenhos das marcas Jameson, Chivas, Ballantine’s e Passport. No caso dos gins, categoria com crescimento atual de 10% em volume, a Pernod Ricard, através do portólio premium até ultra premium, com as marcas Beefeater, Seagram’s Gin, Plymouth e Monkey 47, cresce a mais do dobro do ritmo do mercado (25%)”, conclui Bruno Calvão.

Orçamento de Estado
A Euromonitor alerta, contudo, que de acordo com os principais fabricantes portugueses de bebidas espirituosas, será difícil voltar a atingir o nível de vendas anterior à crise. Até porque a carga fiscal que atualmente incide sobre o universo de bebidas alcoólicas observa uma nova subida com o Orçamento de Estado para 2017.

No próximo ano, a indústria vai voltar a assistir a um aumento de 3% do Imposto sobre o Álcool e as Bebidas Alcoólicas (IABA). As bebidas espirituosas vão passar, assim, a pagar um renovado imposto, passando dos 1.327,94 euros por hectolitro atualmente em vigor para os 1.367,78 euros por hectolitro em 2017. Para a Pernod Ricard, este é um tema que tem sido e continuará a ser foco de preocupação “sendo que os constantes aumentos da carga fiscal vêm sobretudo prejudicar e impactar o consumidor, que já paga quase 50% em imposto na compra de uma garrafa de bebida espirituosa”.

Este artigo foi publicado na edição 42 da Grande Consumo onde é feita uma análise ao mercado das bebidas espirituosas.

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