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Relatório revela que Nestlé, Unilever, P&G e Kellogg’s beneficiam de trabalho infantil

Um relatório da Amnistia Internacional acusa nove multinacionais, entre as quais a Nestlé, Unilever, Procter & Gamble e Kellogg’s, de contribuírem para a exploração de trabalhadores na produção de óleo de palma na Indonésia.

Trabalho forçado, salários baixos, práticas discriminatórias, pressões e ameaças são algunas das práticas denunciadas no relatório intitulado “O escândalo do óleo de palma. As grandes marcas beneficiam da exploração dos trabalhadores”.

A Aministia Internacional alerta para as condições de trabalho nas plantações na Indonésia, o maior produtor mundial de óleo de palma, com uma produção de 35 milhões de toneladas por ano. Nomeadamente, é denunciada a utilização de crianças, as mais novas com oito anos, em trabalhos perigosos e difíceis. Estas plantações pertencem ao maior fabricante mundial de óleo de palma, a empresa agro-alimentar Wilmar, sedeada em Singapura e fornecedora de nove multinacionais: Unilever, Kellogg’s, Nestlé, Procter & Gamble, Colgate-Palmolive, Reckitt Benkiser, Elevance, AFAMSA e ADM, que utilizam o óleo de palma na composição de produtos de grande consumo, como chocolates, sabonetes, margarina ou combustíveis.

No site da organização não governamental foi lançada uma petição para interpelar as grandes marcas a pôr fim aos abusos nas plantações indonésias. “Não é normal que nove empresas, que registaram um volume de negócios conjunto de 325 mil milhões de euros em 2015, sejam incapazes de agir face ao tratamento indigno dos trabalhadores do óleo de palma que ganham uma miséria”.

Segundo a Amnistia Internacional, estas multinacionais fecham os olhos ao que se passa nas plantações e fábricas dos seus fornecedores, algumas certificadas como produtoras de óleo de palma sustentável. A ONG reclama também mais transparência das empresas quanto à composição dos seus produtos. “É necessário que detalhem a proveniência das matérias-primas dos produtos vendidos nos supermercados. Enquanto não o façam, tirarão proveito e serão, de certo modo, cúmplices das violações dos direitos dos trabalhadores”.

Apenas duas destas companhias – Kellogg’s e Reckitt Benckiser – confirmaram usar óleo de palma proveniente destas refinarias. A Colgate e a Nestlé reconheceram receber óleo de palma das refinarias Wilmar, na Indonésia, mas não designaram quais os produtos que o contêm. A Unilever e a Procter & Gamble não especificaram a lista de produtos e as outras três deram respostas vagas ou não responderam.

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