Oiça este artigo aqui:
Uma reforma fiscal aplicada ao sector alimentar pode melhorar significativamente a saúde pública e reduzir o impacto climático, sem aumentar o preço final do carrinho de compras. A conclusão é de um estudo conduzido por investigadores da Chalmers University of Technology, na Suécia, que analisaram o efeito da alteração de impostos sobre diferentes categorias de alimentos.
O modelo proposto combina a eliminação do IVA sobre alimentos saudáveis, como frutas, legumes, leguminosas e cereais integrais, com a introdução de impostos sobre produtos com maior impacto negativo na saúde e no ambiente, como carne de vaca, cordeiro, porco, carnes processadas e bebidas açucaradas.
Segundo os autores, esta redistribuição fiscal permitiria evitar cerca de 700 mortes por ano relacionadas com dietas de baixo valor nutricional e reduzir as emissões de CO₂ em cerca de 700 mil toneladas, sem que os consumidores sentissem aumento nos custos das compras.
Impacto ambiental da alimentação supera emissões de todos os carros na Suécia
O estudo sublinha que, nos países de elevado rendimento, dietas pouco saudáveis causam mais mortes do que o consumo excessivo de álcool e aproximam-se do impacto do tabagismo.
No plano ambiental, o peso da alimentação é particularmente relevante: o impacto climático dos padrões alimentares suecos é estimado em mais do dobro das emissões de todos os automóveis particulares do país. A reforma fiscal permitiria reduzir as emissões alimentares em 8%, equivalente a retirar um décimo da frota de carros das estradas.
Os investigadores destacam que a solução é economicamente neutra, já que a redução de impostos sobre alimentos saudáveis compensa os impostos aplicados aos produtos de maior impacto.
Além disso, o estudo aponta benefícios económicos indiretos, incluindo a possível redução de custos de saúde pública e menor absentismo laboral, graças à diminuição de doenças relacionadas com a alimentação, como a obesidade e a diabetes tipo 2.
Embora a análise tenha sido realizada com base na Suécia, os autores acreditam que o modelo pode ser replicado noutros países de elevado rendimento.



