A qualidade e a origem dos alimentos estão entre os fatores mais importantes nas decisões de compra dos consumidores europeus, numa altura em que cresce também a preocupação com a segurança do abastecimento alimentar.
Segundo o mais recente Eurobarómetro dedicado à agricultura e à Política Agrícola Comum (PAC), 79% dos europeus considera importante ou muito importante que os alimentos tenham sido produzidos na União Europeia.
O estudo mostra ainda que 89% valoriza produtos provenientes de cadeias de abastecimento curtas e a mesma percentagem considera importante que a produção respeite padrões mais exigentes de proteção ambiental e bem-estar animal.
Origem europeia ganha peso na decisão de compra
Esta foi a primeira edição do Eurobarómetro em que os consumidores foram questionados especificamente sobre a importância da origem europeia dos alimentos. Quase oito em cada dez entrevistados consideram esse fator importante ou muito importante, reforçando a relevância da proveniência na construção de confiança e valor associado ao produto alimentar.
A Comissão Europeia conclui que qualidade e origem são hoje dois dos principais motores das escolhas alimentares, juntamente com elementos como cadeias curtas, padrões ambientais, bem-estar animal e distintivos de qualidade.
Com base nestes resultados, Bruxelas pretende lançar uma nova campanha dedicada aos alimentos europeus, iniciativa anunciada anteriormente pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
95% considera agricultura essencial para o futuro da Europa
O reconhecimento da importância do sector agrícola é igualmente elevado. 95% dos europeus considera que a agricultura e as zonas rurais são importantes para o futuro da União Europeia, enquanto 93% atribui importância à garantia de um abastecimento alimentar estável.
A segurança alimentar surge também associada à crescente instabilidade climática. A maioria dos participantes considera que a segurança dos alimentos melhorou ou se manteve estável durante a última década, mas mais de nove em cada dez reconhecem que os fenómenos meteorológicos extremos podem afetar a segurança e o fornecimento de alimentos.
O resultado reforça a ligação entre produção agrícola, alterações climáticas e disponibilidade de produtos, numa altura em que a cadeia alimentar europeia enfrenta maior exposição a secas, cheias e outros eventos extremos.
Preços razoáveis são prioridade para 55%
Quando questionados sobre as prioridades futuras para a política agrícola e de desenvolvimento rural, 55% dos europeus aponta a necessidade de garantir preços razoáveis dos alimentos para os consumidores.
A garantia de um nível de vida digno para os agricultores surge logo depois, mencionada por 53% dos participantes.
Outras prioridades incluem assegurar um abastecimento alimentar estável na União Europeia, referido por 50%, proteger o ambiente e combater as alterações climáticas, com 47%, garantir formas sustentáveis de produção de alimentos, com 46%, e promover crescimento e emprego nas zonas rurais, com 45%.
Os dados mostram, assim, uma preocupação simultânea com preço, segurança de abastecimento, rendimento agrícola e sustentabilidade.
70% considera que a PAC beneficia todos os cidadãos
A Política Agrícola Comum mantém também um elevado nível de apoio. Cerca de 70% dos europeus considera que a PAC beneficia todos os cidadãos e não apenas os agricultores, enquanto aproximadamente 85% entende que aumentar a competitividade da agricultura deve ser uma prioridade importante desta política.
Mais de dois terços consideram também que a PAC está a cumprir um papel relevante na proteção ambiental e no combate às alterações climáticas.
Na avaliação mais detalhada da política, 78% considera que a PAC contribui para garantir um abastecimento alimentar estável, 71% associa-a à gestão sustentável dos recursos naturais e 70% considera que reforça a posição dos agricultores na cadeia alimentar.
Europeus apoiam comércio, mas exigem padrões elevados
O Eurobarómetro revela igualmente uma visão globalmente positiva sobre os acordos comerciais da União Europeia. 70% considera que estes acordos são positivos para os consumidores de produtos alimentares, enquanto 64% acredita que beneficiam a agricultura europeia.
Ao mesmo tempo, a exigência em relação às importações é elevada: 89% defende que produtos agrícolas provenientes de países terceiros só devem entrar na União Europeia se tiverem sido produzidos de acordo com padrões europeus de ambiente, bem-estar animal e condições laborais.
A perceção dos consumidores aponta, assim, para um equilíbrio entre abertura comercial e reciprocidade das condições de produção.







