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Portugueses voltam à “normalidade” da quarentena

À sétima edição do barómetro semanal da Nielsen sobre o impacto da pandemia Covid-19, relativa à semana 16, de 13 a 19 de abril, manteve-se a quarentena após a Páscoa, com o início do terceiro período do estado de emergência. As vendas de Fast Moving Consumer Goods (FMCG) registaram, nesta semana, 171 milhões de euros, uma diminuição de 1% face ao período homólogo, influenciada pela comparação com a semana da Páscoa de 2019, mais tardia.

Os valores de vendas registaram um decréscimo de 7%, comparativamente à semana anterior, uma tendência que se repete, já que, também em 2019, se assinalou uma evolução semelhante após esta data festiva.

A tendência verificada em Portugal não se encontra em linha absoluta com a realidade vista noutros países próximos. Se, em Itália, se registou uma diminuição acentuada do consumo nesta semana (-16%), em Espanha, o cenário foi o oposto, com um aumento de 24%.

O realce nesta semana 16 recaiu também no online, que atingiu o seu crescimento máximo: 289% no número de compras online e 244% no número médio de lares a comprar online.

Cuidados com animais de estimação e higiene pessoal e do lar dinamizam consumo

Neste período, destacou-se pela positiva o crescimento dos produtos para animais (comida e acessórios para cães e gatos) e da higiene pessoal e do lar, com incrementos de 18% e 14%, respetivamente.

Em sentido inverso, “surge uma tendência negativa entre os produtos alimentares (-3%) e as bebidas (-13%). Esta é plenamente justificada pelo facto de nos encontrarmos a comparar esta semana com a semana da Páscoa de 2019, na qual estas categorias alcançaram valores naturalmente mais elevados. Este efeito é expresso de forma ainda mais notória na categoria de confeitaria e doçaria, com uma quebra de 51%”, explica Marta Teotónio Pereira, Client Consultant Senior da Nielsen.

Regresso à “normalidade” da quarentena

Após um período em que os portugueses procuraram manter a normalidade das suas vidas e do seu consumo, numa época especial como é a da Páscoa, voltam agora a uma normalidade condicionada, à qual já estão habituados: a normalidade da quarentena. Passada a Páscoa, voltam a destacar-se, no contexto da alimentação, as categorias típicas da vida em quarentena, nomeadamente as bebidas quentes, conservas, congelados e produtos básicos”, explica Marta Teotónio Pereira.

O momento foi de quebra nos frescos, cujas vendas caíram 18% (quando comparadas com a semana homóloga, que incluía a Páscoa 2019). As frutas e legumes contrariaram esta tendência, crescendo 10%, uma vez que as refeições continuaram a ser confecionadas em casa, contribuindo para o forte crescimento dos legumes, e o crescimento de frutas ricas em vitamina C comprova que a preocupação com a saúde se manteve.

Promoção mantém evolução positiva

Nas promoções, a tendência positiva manteve-se face à semana 15, mas se, na semana anterior, este efeito promocional decorria da conquista de importância do folheto, ganhou agora expressão a redução temporária de preço.

Proximidade mantém relevância para o consumidor

O fator proximidade manteve um peso acima do verificado no período pré-Covid-19, com uma importância de 14,1% na semana 16, quando no período pré-Covid se situava nos 12,5%.

Todavia, nesta semana em que foi renovado o estado de emergência e em que os consumidores prosseguiram a sua vida em quarentena, foram os hipers que voltaram a ganhar peso: representam 27,3% do total de canais analisados na semana 16, contra 26,5% na semana anterior.

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