Durante anos falou-se do consumidor como alguém altamente sensível ao preço e pouco disponível para alterar hábitos de compra. Essa leitura já não corresponde totalmente à realidade, pois o consumidor mudou e mudou mais depressa do que muitas empresas esperavam. Hoje é mais informado, mais atento ao impacto das suas escolhas e, acima de tudo, muito mais exigente em relação ao valor real que recebe.
Mas há um detalhe importante: sustentabilidade. Para o consumidor deixou de ser apenas uma questão ideológica e tornou-se (cada vez mais) uma questão prática. Afinal, não procura apenas produtos ’verdes’, mas sim soluções que o ajudem a gastar menos energia, reduzir desperdício, melhorar conforto em casa e prolongar a vida útil daquilo que compra. É uma sustentabilidade muito mais ligada ao quotidiano do que ao discurso institucional e isso altera profundamente a forma como as empresas devem atuar.
Os dados mais recentes mostram precisamente essa mudança. Quase metade dos consumidores portugueses afirma já ter deixado de consumir marcas que considera prejudiciais para o ambiente, enquanto cresce a valorização de escolhas associadas à eficiência energética, reutilização e redução de desperdício.
No setor da casa, da renovação e da melhoria do lar, esta transformação é particularmente evidente. Durante muito tempo, a sustentabilidade foi vista como um conceito associado a investimento elevado ou a soluções apenas acessíveis para uma minoria. Hoje, o consumidor olha para eficiência energética, isolamento, poupança de água ou durabilidade como fatores económicos e não apenas ambientais, tendo ainda essa perspetiva para o médio-longo prazo. Na prática, isto significa que as pessoas estão menos disponíveis para comprar produtos descartáveis, menos tolerantes a consumos excessivos e mais conscientes sobre o impacto que a casa tem no orçamento familiar e na qualidade de vida. A crise energética acelerou esta consciência e o contexto económico veio reforçar isso mesmo.
Além disso, há outro aspeto a ter em conta: o consumidor está hoje muito mais informado. Hoje, antes de tomar uma decisão, o consumidor compara preços, lê avaliações, investiga materiais, procura certificações e tenta perceber se aquilo que lhe é prometido corresponde à realidade. O acesso à informação tornou o consumidor menos impulsivo e muito mais crítico.
Com este último ponto, o consumidor já não avalia apenas o produto, avalia o comportamento global das empresas. Quer saber de onde vêm os materiais, como são produzidos, qual o impacto ambiental da operação, se existe compromisso real com economia circular e se as mensagens de sustentabilidade têm correspondência prática. O greenwashing deixou de passar despercebido porque o consumidor atual tem ferramentas, informação e contexto para questionar.
Apesar de tudo isto, esta exigência não significa que o consumidor esteja disposto a pagar qualquer preço por sustentabilidade. Continua a existir uma enorme preocupação com acessibilidade e custo-benefício, em que se acrescenta o conceito da sustentabilidade.
Assim, as empresas devem olhar para sustentabilidade como um novo critério de confiança…confiança gerada no consumidor para sentir que aquele produto (realmente) o ajuda a viver melhor.









