in

O que vai mudar no consumidor após a crise pandémica?

Foto Shutterstock

Os comportamentos e as necessidades do consumidor irão alterar-se no rescaldo da pandemia por Covid-19, o que resultará em novos desafios para as marcas. De acordo com a consultora LLYC, irão acelerar algumas tendências, destacando-se 12 que será necessário considerar.

Do lado das marcas, começa pela flexibilidade na estratégia. As marcas terão de aumentar a sua capacidade de transformação e adaptação, quer das estratégicas como também dos próprios modelos de negócio.

Além disso, a necessidade de antecipação ganha relevância. Mais que nunca, as marcas vão procurar ter uma visão holística e estar um passo à frente. A análise predicativa ajudará a melhorar a capacidade de reação e a liderar a tomada de decisões.

A LLYC destaca, ainda que mas marcas pertencem às pessoas. As que ganharam em reconhecimento público na resposta à pandemia são as que adaptaram o discurso ao que os utilizadores estavam a promover nas redes sociais, tornando-se relevantes.

Outra tendência é o envolvimento com a sociedade e do papel social das marcas, que complementa o dos órgãos públicos.

Paralelamente, na fase do pós-crise, um dos grandes deveres das marcas será a construção de um verdadeiro e contínuo atavismo.

Por último, a consultora indica que a crise está a tornar ainda mais relevante a necessidade de uma comunicação autêntica e transparente.

Do lado dos consumidores, destacam-se também seis tendências. A evolução do comportamento do consumidor vai ficar marcada pelo isolamento social, pelo que na fase do pós-crise o consumo vai ser permeado de incertezas e da busca pela segurança, como aconteceu após a crise de 2008.

Outra tendência é a consciência pessoal. As marcas vão ter de se adaptar às expectativas dos consumidores, que estão mais conscientes do que os rodeia e ainda mais preocupados com o seu bem-estar. Já se está a testemunhar um “boom” de conteúdos à volta do mindfulness, fitness ou ioga. Ao mesmo tempo, as conversas sobre conciliação entre o pessoal e o profissional estão a ser intensificadas.

O isolamento vai também acelerar a digtalização. O lazer virtual, as compras online, ou o teletrabalho, por exemplo, estão a reeducar os hábitos do consumidor. Por outro lado, estão a intensificar-se os fenómenos de desintermediação, reduzindo obrigatoriamente o número de interacções entre as pessoas.

Em contrapartida, a grande “buzzword” do momento, a sustentabilidade, poderá vir a ser ofuscada por outras prioridades relacionadas com a saúde e segurança. Não obstante, o caso da China foi uma aprendizagem ao se desencadear um aumento da procura pelos produtos biológicos e uma crescente preocupação com o meio ambiente. Resta ver de que lado a balança vai cair quando o choque inicial da crise der lugar à reflexão.

O nível de exigência dos consumidores vai aumentar ainda mais. Estes aprendem mais rápido, procuram marcas úteis e concentrasse naquilo que simplifica a sua vida. A necessidade de informação constante causada pela situação de pandemia vai também aumentar as expectativas dos consumidores quanto à transparência do processo. Assim como, hoje em dia, as autoridades não se cansam de exigir dos cidadãos um comportamento exemplar, necessário para superar a situação, essa mesma cidadania irá exigir de volta, não apenas das instituições, mas também das marcas com as quais se relacionam.

Finalmente, irá surgir uma nova forma de empatia. A crise está a criar novas formas de entretenimento familiar e de aprendizagem da gestão das emoções, a reforçar a construção dos valores de equipa nas empresas e a importância do trabalho em conjunto para superar as adversidades. Um maior foco está também a ser colocado no bem-estar pessoal e relacional, sobre a acumulação ou o consumo desenfreado, em consonância com a previsível estagnação do crescimento económico. Paradoxalmente, a crise e a reclusão contínua também vão aumentar a sensação de isolamento e a explosão de sintomas próximos ao transtorno de stress pós-traumático.

Publicidade

Prejuízos do Casino multiplicam por 10

Coronavírus

País poderá levar dois anos a recuperar a economia