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O impacto da Covid-19 na sustentabilidade

Foto Shutterstock

Os crescimentos registados pelo e-commerce como consequência da pandemia de Covid-19 colocaram a nu não só a confiança dos consumidores neste canal, como também os efeitos sobre o meio ambiente: um aumento de 15% nos resíduos domésticos de embalagens e de veículos em circulação para a distribuição das encomendas.

O estudo “Sustentabilidade e COVID-19” da EAE Business School conclui um retrocesso nas medidas implementadas antes da crise sanitária para minimizar o impacto do negócio de comércio eletrónico no meio ambiente, como a reutilização de materiais ou a comparticipação de produtos e serviços, agora entendidos como práticas de risco.

 

Impacto do e-commerce

De acordo com o estudo, nos últimos meses, os resíduos domésticos de embalagens aumentaram 15%, devido ao aumento das compras online e sobreproteção dos alimentos devido à Covid-19.

De igual modo, também cresceram os resíduos gerados pelo uso de máscaras, luvas e outro material sanitário que, em combinação com os restantes, “limitou o tratamento e reciclagem, ao se dar prioridade à prevenção do contágio durante o processo de recolha e gestão”, explica Elena Búlmer, professora daquela escola de negócios e coautora do estudo.

De igual modo, a garantia da entrega das encomendas no próprio dia está a contribuir para o aumento do número de veículos dedicados à distribuição. “Este compromisso dificulta o planeamento antecipado das entregas e, em consequência, a otimização das diferentes rotas ou da capacidade de carga dos veículos, necessitando, por isso, de mais veículos para a entrega. O que gera um maior impacto ambiental direto e indireto, ao congestionar também as zonas onde operam”, assinala May López, também professora da EAE Business School e coautora do estudo.

O estabelecimento de políticas de devolução das encomendas sem custos adicionais para os clientes também propicia um maior número de devoluções, o que tem também consequências em termos de transporte e embalagem. Daí que, de acordo com as autoras do estudo, seja necessário reforçar os sistemas de transporte sustentável para se poder alcançar os objetivos fixados nas diretrizes de mobilidade europeias e o Pacto Verde Europeu.

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