in

Montiqueijo, queijos com ADN tradicional e simultaneamente inovador

Da pequena queijaria aberta, em Lousa, em 1963 já pouco resta. A empresa criada por Carlos e Ludovina Duarte percorreu um longo caminho, desde a época em que os queijos eram vendidos pelos próprios proprietários, em caixas específicas, em Lisboa. Hoje, o mercado da Montiqueijo é o mundo ou os seus queijos não impressionassem os paladares de consumidores tão distintos como os ingleses, franceses, belgas, polacos e até mesmo asiáticos. Com produção própria de leite, para assegurar a qualidade do produto do campo à mesa, a Montiqueijo tem hoje uma capacidade de fabrico de 40 mil litros. Valores impressionantes, mas que começam a ser poucos para a ambição e crescimento da empresa. Se 2016 foi um ano de crescimento e 2017 de consolidação do negócio, 2018 será outro ano positivo. Assim o garante Dina Duarte, diretora geral da empresa.

A tradição e a inovação estão no ADN da Montiqueijo, empresa que, recentemente, foi distinguida com o Prémio Nacional de Agricultura. “Somos uma empresa que valoriza a qualidade e o rigor tradicional da nossa produção, algo que tem passado de geração em geração. No entanto, reconhecemos a importância da inovação para o crescimento do negócio. Estamos sempre atentos aos nossos consumidores e procuramos inovar os nossos produtos de forma a dar resposta ou antecipar as necessidades e preferências do mercado”, introduz Dina Duarte, diretora geral da Montiqueijo.

Com base nesta filosofia, a empresa de Lousa tem vindo a alavancar a sua atividade. Em 2016, o volume de negócios cresceu 22% e 2017 foi mais um ano para consolidar o negócio. Negócio este que tem no queijo fresco a “estrela” em termos de vendas, embora o queijo curado ganhe cada vez mais peso na atividade da empresa.

O leite de vaca é a base da produção da Montiqueijo, que produz cerca de 40 mil litros de leite por dia, mas prevê um aumento desta capacidade durante este ano. A fábrica está a ser aumentada, para poder fazer crescer a produção e lançar novas referências de produto. Em 2017, vendeu 4.010 toneladas de queijo e produziu 5.888.772 unidades de queijo fresco. As exportações representam 5% do negócio, com a Montiqueijo a vender principalmente para os chamados mercados da saudade. “A nossa aposta principal é a Europa, onde já trabalhamos com distribuidores em Inglaterra, França e Bélgica. Pontualmente, trabalhamos para a Polónia. Estamos a também a trabalhar o mercado asiático, que é o mais desafiante por ser tão diferente do europeu”, afiança Dina Duarte.

Neste projeto de internacionalização, os maiores desafios estão relacionados com a frescura e manutenção de outras características dos queijos. “Não é fácil exportar queijos frescos, que têm uma validade curta, para mercados longínquos de Portugal, por isso temos apostado mais nos queijos curados, que têm uma validade um pouco maior e isso permite-nos chegar a mercados como o asiático”.

Inovar
Mas é o queijo fresco que, efetivamente, tem colocado a Montiqueijo na “boca do mundo”. Em 2016, foi lançado um novo formato em barra, distinguido com o selo Sabor do Ano e com o Prémio Intermarché Produção Nacional. “Para além dos dois prémios portugueses, temos conquistado várias distinções a nível internacional também com este produto, por exemplo, as duas estrelas douradas de Sabor Superior pelo prestigiado International Taste & Quality Institute – iTQi atribuídas ao queijo fresco em barra de tomate & manjericão, em 2017. É uma honra recebermos estes prémios que dignificam o nosso esforço em trazer novas soluções à mesa dos portugueses”.

Este formato de queijo foi criado para ser levado à mesa inteiro. Produzido de forma artesanal, é um queijo para momentos de partilha e confraternização entre família e amigos e diferencia-se pelo seu tamanho e forma fácil de cortar. “Sentíamos que faltava no mercado uma solução diferenciadora, que desse mais destaque ao queijo fresco num almoço de família, numa ceia de Natal, em momentos de convívio e partilha ao redor da mesa. Neste novo produto, mantivemos a receita que deu origem ao que é hoje a Montiqueijo e inovámos no formato que estamos habituados a ver. Os consumidores parecem gostar muito do formato e sabores deste queijo. Sempre que promovemos alguma ação nos pontos de venda, a recetividade é grande”, garante a diretora geral.

Sempre atenta aos hábitos alimentares do consumidor, os novos produtos lançados para o mercado vão ao encontro das novas tendências. “Lançamos produtos com menos ou mais gramagem, de acordo com a aceitação e exigência do mercado”. Recentemente, foi apresentada uma versão de 200 gramas do queijo fresco, que vem juntar-se à de 85 gramas já existente no mercado.

A questão da conveniência, com o crescimento dos produtos “on the go”, está também a influenciar a oferta colocada no mercado. “Consideramos que as oportunidades de crescimento estão no segmento dos produtos saudáveis e de consumo imediato, por exemplo snacks saudáveis. Para continuarmos a crescer e a satisfazer o consumidor, temos de nos adaptar às suas necessidades e gostos e, como tal, lançar novos produtos, disruptivos quer nos formatos quer nos sabores. Nesse sentido, vamos ter algumas novidades, mas que ainda é prematuro divulgar. Serão, contudo, novidades diferenciadoras”, assegura Dina Duarte.

Sustentabilidade
Mas o consumidor atual atribui também uma importância crescente à sustentabilidade dos produtos que consome, desde a origem até à mesa, e esta é também uma preocupação da Montiqueijo, que em 2014 decidiu investir na energia fotovoltaica. Graças aos 460 painéis solares instalados, foi conseguida uma autossuficiência média mensal de 19,8%, gerando 125.580 kWh de energia solar. “Através da geração de eletricidade solar, conseguimos evitar 162,8 toneladas de emissões de CO2 equivalentes ao CO2 que 1.732 árvores plantadas seriam capazes de absorver”.

A empresa foi, igualmente, pioneira a retirar o cincho dos produtos, garantindo maior qualidade aos queijos frescos e reduzindo a utilização do plástico em mais de 50 toneladas anuais. “Temos uma enorme preocupação ambiental, assumimo-nos mesmo uma empresa ‘eco friendly’. Para além da preocupação em apresentar a máxima qualidade nos produtos, e que sejam saudáveis, temos igualmente preocupações ambientais e, hoje em dia, dada a nossa central fotovoltaica, cerca de 30% dos nossos queijos são produzidos pelo sol, em média. Funcionamos segundo uma economia circular e conseguimos incluir o soro, uma substância rica em proteína, mas altamente poluente, na alimentação dos nossos animais, evitando assim a contaminação do meio ambiente”.

Um consumidor exigente, informado e preocupado com a qualidade e origem dos produtos que consome, é este o perfil do cliente Montiqueijo, que acredita poder continuar a crescer ao dar resposta às novas necessidades apresentadas pelo mercado. “Quem conseguir acompanhar as tendências, conseguirá crescer. Vivemos numa sociedade que procura ser cada vez mais saudável, as marcas que conseguirem enquadrar-se no segmento ‘Family First’ conseguirão certamente resultados positivos. As pessoas estão recetivas ao lançamento de novos produtos e gostam de experienciar novos sabores”, conclui.

Este artigo foi publicado na edição n.º 50 da Grande Consumo.

Publicidade

Este ano, a nossa previsão é de movimentarmos mais de 418 milhões de euros

45% do sector do retalho abordará modelo misto de espaços físicos e virtuais