A aceleração da transição geopolítica global está a desencadear uma era de complexidade “nunca vista em décadas”. E que coloca as empresas multinacionais e os investidores perante riscos crescentes de paralisia decisória.
A consultora Marsh alerta que, embora os líderes empresariais antecipem mudanças profundas nos próximos 12 meses, continuam excessivamente focados na volatilidade de curto prazo. Assim, não dedicam tempo suficiente à preparação estratégica para os impactos estruturais dessas transformações.
Pressão nas cadeias físicas e digitais
De acordo com a análise aos riscos políticos, independentemente do sector ou geografia, as empresas enfrentarão pressões acrescidas nas cadeias de abastecimento físicas e digitais. Perspetivam-se também potenciais perturbações decorrentes de conflitos físicos e cibernéticos. A Marsh alerta ainda para a crescente influência política nas decisões empresariais e para a reconfiguração das regras do comércio internacional.
A infraestrutura digital, incluindo energia para centros de dados, serviços em nuvem e comunicações por satélite, está a ser cada vez mais encarada sob uma lógica de competição geopolítica, numa corrida global pela liderança na Indústria 4.0.
Risco como catalisador de inovação
A Marsh defende que este contexto deve ser encarado como um catalisador para inovação e diferenciação e não apenas como fator de perturbação. Angela Duca, global head de credit specialties da Marsh Risk, sublinha que uma perspetiva de liderança partilhada sobre as mudanças geopolíticas, integrada no planeamento estratégico e operacional, pode oferecer maior clareza para assumir riscos e procurar novas oportunidades num ambiente desafiante.
Segundo a análise, a gestão eficaz deve combinar transferência tradicional de risco com desenvolvimento ativo de resiliência organizacional.








