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Marketplaces responsáveis pela maior mudança nos gastos dos consumidores desde o surgimento do e-commerce

Foto Shutterstock

A ascensão do modelo de marketplace – operado por plataformas como a Amazon, Expedia e eBay – está a impulsionar a maior mudança fundamental nos gastos dos consumidores, desde o surgimento do e-commerce, na década de 1990, segundo um relatório da OC&C Strategy Consultants.

O relatório “Trading Places” prevê que, até 2025, os gastos através dos principais marketplaces ultrapassarão a grande maioria dos pontos de venda de e-commerce nas categorias de retalho e viagens. Só em 2020, os marketplaces representaram mais de um bilião de dólares do total do consumo ocidental, nestas categorias, e 40% do total de gastos online.

Em todas as categorias já estabelecidas, o relatório estima que o crescimento dos marketplaces será de 15% ao ano, igualando os gastos no e-commerce direto em 2025.

 

Sofisticação da oferta

A adesão ao modelo de marketplace está a ser impulsionada pelas suas ofertas cada vez mais sofisticadas. Para os consumidores, trazem conveniência, escolha e valor. Para os fornecedores, fornecem acesso a uma grande base de clientes, além de serviços de valor acrescentado, como realização e pagamentos.

Os marketplaces são hoje a norma quando se trata de compras de livros, entrega de alimentos ou bilheteira, onde representam, pelo meno,s 25% dos gastos dos consumidores. Estão também a aumentar a sua quota nos sectores das viagens, vestuário e mobiliário.

Estas tendências foram aceleradas pela Covid-19. As condições comerciais criadas pela pandemia, onde os consumidores foram largamente obrigados a transacionar online, impulsionaram um aumento significativo da penetração dos canais digitais.

Os marketplaces estão rapidamente a tornar-se o primeiro porto de escala, tanto para clientes como para fornecedores, e os longe vão os dias em que estas plataformas eram um hub para o stock em segunda mão. Embora a Covid-19 tenha, sem dúvida, acelerado a mudança para online, o ganho inexorável de quota por parte dos marketplaces não mostra sinais de abrandamento“, afirma Mostyn Goodwin, partner na OC&C Strategy Consultants.

 

Domínio das plataformas norte-americanas 

O desempenho de plataformas como a Amazon criou um cenário altamente consolidado, em que os 10 principais marketplaces representam cerca de 70% do valor bruto de mercado (GMV), nos mercados ocidentais, com oito dos 10 principais mercados a ter origem norte-americana.

Apesar de muitos mercados europeus, como a Zalando, terem operações de sucesso, a maioria é simplesmente incapaz de competir com os seus homólogos americanos. A maior ameaça vem da China, de onde são originários três dos quatro maiores marketplaces a nível global. Espera-se que estes expandam a sua presença nos mercados ocidentais, até 2030.

 

Oportunidades

Além de ultrapassarem os gastos diretos de e-commerce em categorias como o retalho e as viagens, o relatório prevê que as próximas áreas a beneficiar dos marketplaces serão aquelas em que os compradores já utilizam a comparação de preços como parte da viagem de compras. Estas incluem serviços imobiliários, automóveis e serviços financeiros.

Os marketplaces também crescerão a sua dimensão em novas verticais, nomeadamente, produtos B2B. O mercado de bens em segunda mão também está preparado para crescer, com os consumidores a demonstrarem uma crescente consciência de sustentabilidade nas suas compras, o que, por sua vez, está a criar um conjunto mais alargado de segmentos de compradores e vendedores geograficamente diversos.

Por último, o panorama regulamentar está também a apresentar oportunidades para novos intervenientes, com os operadores estabelecidos na União Europeia a serem agora obrigados a suportar os custos de processamento do IVA.

Dado que o sector se mantém, relativamente, na sua infância, não faltarão oportunidades para que os novos atores e incumbentes funcionem de forma rentável. Os marketplaces surgirão em novos sectores e o sucesso de mercados ultra especializados, como o Vinted, mostra que pode valer a pena apostar num nicho. Dito isto, os gigantes do e-commerce devem confrontar-se com estas mudanças na indústria se quiserem evitar o destino dos retalhistas físicos e das agências de viagens“, conclui Mostyn Goodwin.

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