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Maioria das empresas considera que a fraude está a aumentar em Portugal

Foto Shutterstock

A maioria das empresas nacionais admite que o número de organizações envolvidas em situações de fraude, no último ano, em Portugal, aumentou. De acordo com a segunda edição do “Deloitte Fraud Survey Empresas,” mais de metade (52%) das empresas inquiridas considera que o número de eventos fraudulentos aumentou, o que representa um acréscimo se comparado com os 47% verificados na edição anterior.

Os inquiridos mostram-se também menos otimistas em relação ao futuro, com 69% a afirmar que o número de ocorrências irá aumentar. Um valor que contrasta com o registado na primeira edição deste estudo, realizada em 2019, em que 74% das empresas consultadas era da opinião que as situações de fraude não iriam aumentar no futuro próximo. “No contexto atual, a atenção a fenómenos de fraude tem vindo a ganhar relevância no panorama empresarial português, como consequência de um maior ambiente de ‘compliance’ e de uma menor tolerância generalizada para estas situações. Importa, por isso, dar a conhecer aprofundadamente esta problemática, os seus riscos, causas e consequências para as organizações”, explica Vera Pita, Associate Partner da Deloitte.

 

Maiores ocorrências

Os sectores de serviços financeiros (47%), serviços não financeiros (20%) e tecnológico (14%) são aqueles onde a ocorrência de situações de fraude é, segundo os inquiridos, mais comum. Não existe uma alteração significativa nos resultados em relação à edição anterior, havendo apenas a destacar um desagravamento da perceção de que o sector de serviços financeiros é aquele onde ocorrem mais situações de fraude, com 57% em 2019, que comparam com 47% em 2020.

No entanto no sector tecnológico acontece exatamente o contrário, com 6% em 2019 e um agravamento para 14% em 2020.

Dentro das organizações, as áreas de “procurement” (38%), comercial (32%) e de financiamento e atividades relacionadas (26%) são identificadas como as mais propensas a situações de fraude, tal como já tinha sido verificado na edição de 2019.

Segundo o mesmo estudo, das empresas inquiridas, 18% declara que testemunhou situações de fraude, no último ano, identificando como principais impactos relacionados o desvio de fundos (48%), a perda de realização do negócio (38%) e a redução dos lucros (24%).

A participação de processo-crime (69%), o acordo disciplinar com despedimento (31%) e o processo disciplinar com suspensão de funções (24%) são as principais medidas adotadas pelas organizações.

 

Formas de fraude mais comuns

O tráfico de influências (60%), a corrupção (53%) e a escolha preferencial de parceiro (48%) são as formas de fraude mais comuns no mercado nacional, de acordo com os inquiridos. A inexistência de um sistema de controlo eficiente (44%) e a falta de valores éticos (41%) são consideradas as principais razões para a ocorrência de fraude no meio empresarial português.

A falta de competências internas no controlo de fraude (51%), a inexistência de políticas formalizadas e comunicadas (36%) e a falta de testes regulares a operações (35%) são os fatores relacionados com os processos de controlo interno que mais contribuem para situações de fraude, de acordo com esta análise.

Auditorias-surpresa a áreas da empresa (43%), formação sobre medidas antifraude (41%) e ação do departamento de auditoria interna (40%) são os tipos de controlo antifraude que as empresas consideram mais efetivos. As empresas do sector de serviços financeiros contrariam esta tendência, considerando que a utilização de ferramentas preditivas (59%) e a existência de um departamento totalmente afeto a prevenção e gestão de eventos fraudulentos (53%) são os controlos antifraude mais efetivos.

Segundo o estudo, 50% das empresas afirma não existir na sua organização um canal de denúncia (“whistleblowing”) com a finalidade de reportar eventos de carácter irregular e potencialmente fraudulentos. De referir que, das empresas que têm este tipo de mecanismo implementado, 78% adota um sistema online, 30% utiliza uma linha telefónica e 14% recorre a uma caixa física.

 

Advogados pessimistas em relação ao futuro

Além da edição para empresas, a Deloitte lança este ano a primeira edição do “Fraud Survey Advogados”. De acordo com o estudo, uma larga maioria dos advogados inquiridos (67%) considera que as situações de fraude irão continuar a aumentar, no futuro, no mercado empresarial português e cerca de 47% indica que os eventos de fraude têm vindo a aumentar no último ano. O mesmo documento regista que 50% dos advogados inquiridos refere que as leis em vigor para prevenção e remediação de fraude não são efetivas.

O tráfico de influências (55%), fraude contabilística e fiscal (53%) e escolha preferencial de parceiro (45%) são os tipos de fraude mais comuns nas empresas portuguesas, de acordo com as respostas dos advogados inquiridos. Adicionalmente, 48% afirma que a fraude interna é a forma mais comum com que têm que lidar.

Cerca de 35% dos advogados inquiridos considera o sector de serviços financeiros como o mais vulnerável a eventos de fraude e 38% declara que a área de “procurement” de uma empresa é a mais propensa a este tipo de situações.

A inexistência de um sistema de controlo eficiente (48%) e a falta de valores éticos (40%) são os principais motivos apontados pelos advogados para a ocorrência de fraude no contexto empresarial português.

Mais de metade dos advogados (52%) acredita que os clientes da sua organização não fazem uma adequada alocação de recursos com a finalidade de mitigar o risco de fraude. Não obstante, 77% considera que os mecanismos de prevenção de fraude têm melhorado nas empresas portuguesas.

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