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Lucros da Sonae não resistem à pandemia

Prejuízos de 59 milhões de euros

A pandemia pesou nas contas da Sonae, que passou de um lucro de 18 milhões de euros, registado no primeiro trimestre de 2019, para um prejuízo de 59 milhões de euros, nos primeiros três meses deste ano.

O grupo retalhista português justifica este resultado negativo com o “registo prudente de contingências contabilísticas” no valor de 76 milhões de euros, relacionadas com a Covid-19, em particular, com o encerramento forçado da atividade em vários negócios.

Por causa da pandemia, o grupo optou por constituir provisões no valor de 44 milhões de euros referentes aos stocks da Worten e Sonae Fashion. O resultado foi ainda impacto por provisões, no valor de 18 milhões de euros, relacionadas com projetos desenvolvimento da Sonae Sierra.

Diz o grupo que, se estas provisões não tivessem sido constituídas, o resultado líquido teria sido semelhante ao registado no primeiro trimestre de 2019. “O início do ano foi muito positivo para a Sonae, com todos os nossos negócios a apresentarem fortes níveis de crescimento e a melhorarem os seus níveis de rentabilidade até fevereiro, demonstrando, uma vez mais, a solidez das nossas estratégias e propostas de valor. No final de fevereiro, a Sonae Sierra concluiu a transação Prime, um marco muito importante na sua estratégia de reciclagem de capital, que fortaleceu ainda mais a estrutura de capitais da Sonae. Em março, a pandemia Covid-19 atingiu as nossas principais geografias e começámos a viver um desafio sem precedentes. Embora todos os nossos negócios tenham sido fortemente impactados por esta situação, tenho orgulho em afirmar que nossa reação tem sido notável. Nos últimos dois meses, testemunhei o modo como cada um dos nossos negócios e equipas se adaptou rapidamente a este novo contexto”, afirma Cláudia Azevedo, CEO da Sonae.

Esta situação coloca-nos a todos à prova e a nossa resposta coletiva demonstra a capacidade que temos de unir forças e agir em conjunto por um propósito comum. Gostaria de destacar, em particular, os esforços notáveis que fizemos para manter abertas todas as nossas lojas de retalho alimentar e eletrónica, adaptar todas as nossas operações de e-commerce de forma a sustentar um forte aumento de 3-5x nas vendas online e manter as nossas redes de telecomunicações a operar sob níveis recorde de tráfego. Este contexto demonstra também a qualidade e a resiliência do nosso portfólio de ativos. Em tempos difíceis para muitas empresas em todo o mundo, o portfólio diversificado de negócios líderes da Sonae oferece-nos a garantia de que iremos atravessar esta tempestade e sair dela mais fortes. Esta confiança é reforçada pela nossa abordagem conservadora em termos de alavancagem e financiamento, que nos permite enfrentar os próximos meses com os olhos postos no dia seguinte à crise”, reforça.

Consciente de que “os próximos meses serão duros e todos os nossos negócios serão, de uma forma ou outra, materialmente impactados”, Cláudia Azevedo explica que “por razões de prudência, registámos já no primeiro trimestre um conjunto significativo de contingências non cash, no sentido de antecipar futuros impactos, nomeadamente na NOS, Sonae Fashion, Worten e Sonae Sierra. Além disso, nesta fase todos os nossos negócios estão a implementar iniciativas de preservação de recursos financeiros, não deixando de cumprir compromissos anteriormente assumidos e sem perder de vista oportunidades de investimento atrativas. Dada a capacidade de adaptação que as nossas pessoas e os nossos negócios têm demonstrado, estou mais certa do que nunca de que superaremos esta adversidade e estaremos preparados para responder rapidamente às mudanças estruturais que, sem dúvida, moldarão o nosso futuro”.

 

Vendas resistem

O desempenho consolidado da Sonae no primeiro trimestre foi marcado por dois momentos distintos: o período de janeiro e fevereiro, com desempenhos positivos em todos os negócios e o período desde março, com o início do surto de Covid-19, marcado pelo forte impacto em alguns dos negócios, positivo no caso do desempenho de vendas da Sonae MC e negativo na Sonae Sierra, na Worten em  Espanha e na Sonae Fashion, visto terem sido forçadas a suspender as suas operações desde meados do mês.

Globalmente, as vendas aguentaram o embate da Covid-19, subindo 7,1%, para os 1.552 milhões de euros. Nota para o forte contributo dado pela Sonae MC, cujas vendas cresceram, em termos homólogos, 14%.

Em relação ao EBITDA subjacente, a Sonae terminou o primeiro trimestre com 100 milhões de euros, menos 2,4% face ao ano passado. Esta redução é explicada pela desconsolidação de dois centros comerciais, consequência da transação Prime, nas contas estatutárias da Sonae Sierra.

Sem este impacto contabilístico, o EBITDA subjacente do grupo teria crescido 5%, apesar do forte impacto da pandemia na rentabilidade operacional da Sonae Fashion desde meados de março”.

A Sonae continuou a reforçar a sua solidez financeira, tendo a dívida líquida total diminuído 468 milhões de euros em termos homólogos, ou 27,5%, para 1.233 milhões de euros.

O investimento ascendeu a 60 milhões de euros, dos quais 46 milhões de euros realizados pela Sonae MC.

 

Sonae MC

No retalho alimentar, após um bom começo de ano, a primeira quinzena de março registou níveis de crescimento “sem precedentes”. Neste período, os formatos de retalho alimentar registaram crescimentos de vendas comparáveis de dois dígitos, com o canal online a atingir “níveis extraordinários de encomendas que levaram a Sonae MC a triplicar a sua capacidade de entrega”.

Uma vez implementadas as medidas de confinamento, a 15 de março, com uma restrição de apenas quatro clientes por cada 100 metros quadrados nas lojas, as vendas de retalho alimentar regressaram a níveis ”like for like” mais normais.

Alguns dos formatos foram considerados serviços não essenciais e, por isso, foram forçados a suspender o seu funcionamento, nomeadamente as cafetarias Bagga, os restaurantes Go Natural, a Dr. Wells em Portugal e as lojas da Arenal em Espanha. No cômputo geral, o volume de negócios da Sonae MC ascendeu a 1.194 milhões de euros mais 14% face ao ano passado, com um crescimento comparável de 10,6%.

O crescimento das vendas foi acompanhado pelo aumento dos custos operacionais relacionados com a Covid-19, nomeadamente com novas medidas de higiene e segurança, o prémio pago aos colaboradores para recompensar o trabalho na linha da frente, um mix de vendas diferente, “devido a um cabaz de compras com mais produtos básicos e a um desvio do consumo de categorias discricionárias e não alimentares”, e a suspensão forçada dos formatos não alimentares.

 

Worten 

No retalho de eletrónica, a Worten começou 2020 de forma positiva, registando um 6%, numa base comparável, até ao final de fevereiro. Em março, o contexto alterou-se significativamente com o surgimento da Covid-19 e a Worten teve de reagir rapidamente às medidas de confinamento. Em Portugal, todas as lojas permaneceram abertas, à exceção da Worten Mobile e das iServices localizadas em centros comerciais. No entanto, devido a regras de confinamento mais restritivas e a um impacto mais acentuado do surto, em Espanha, todas as lojas continentais foram encerradas, apesar de continuarem a suportar a operação online, enquanto que nas Canárias apenas seis lojas foram suspensas, duas das quais foram adaptadas de forma a satisfazerem encomendas online.

Em todas as geografias, o online apresentou um crescimento muito significativo, registando máximos históricos. Relativamente às categorias de produtos mais vendidas, destacaram-se os produtos de informática e entretenimento. “Graças à agilidade do modelo de negócio omnicanal da Worten, foi possível realocar rapidamente recursos para fortalecer as capacidades do online e de serviços. Para melhorar a resposta das encomendas online, a Worten aumentou significativamente a capacidade no seu armazém e assegurou um excelente desempenho em termos de prazos de entrega e satisfação dos clientes”.

Como resultado, o volume de negócios situou-se em 232 milhões de euros, praticamente em linha com o ano passado.

 

Sonae Fashion 

Para a Sonae Fashion, os primeiros dois meses do ano foram muito positivos, tanto ao nível de vendas como do EBITDA subjacente. No entanto, a propagação da pandemia Covid-19 teve um impacto muito significativo nos negócios. Na sequência da implementação das medidas de confinamento em todos os países em que a empresa opera, nas duas primeiras semanas de março, as vendas caíram acentuadamente e, em seguida, todas as lojas foram forçadas a fechar. O encerramento total levou a uma queda de 49% das vendas, em março, em termos homólogos.

Parte deste impacto severo nas vendas foi compensado pelo desempenho do canal online e, assim, a Sonae Fashion terminou o primeiro trimestre com um volume de negócios de 78 milhões de euros, uma queda de 19% em termos homólogos.

 

ISRG 

Dado que a JD Sports apenas irá publicar os seus resultados anuais a 7 de julho, a empresa ainda não possui contas totalmente auditadas do quarto trimestre de 2019 (trimestre consolidado nas contas do primeiro trimestre da Sonae). Por esse motivo, ainda não poderá apresentar informação detalhada sobre o desempenho operacional da ISRG no trimestre. “De qualquer forma, o negócio manteve o mesmo nível de desempenho dos trimestres anteriores, com taxas de crescimento de dois dígitos nas vendas e no EBITDA”.

 

Sonae FS 

A Sonae FS, em virtude do desempenho até meados de março (e alguns impactos positivos iniciais fruto da reação ao novo contexto), foi capaz de terminar o trimestre com um crescimento significativo face ao ano passado, com o volume de negócios a aumentar 14,4% para 9,4 milhões de euros.

A operação do Universo beneficia do facto de possuir uma proposta de valor orientada para o digital e, além disso, tem implementado várias iniciativas para desenvolver ainda mais a sua oferta digital, de forma a mitigar o impacto da atual crise.

Não obstante, a Sonae FS também sentiu os impactos negativos da crise mundial da pandemia e, desde meados de março, foi registada uma redução das transações no cartão de crédito não só devido à redução geral do consumo, mas também devido a impactos mais profundos nas transações com cartão de crédito em algumas categorias relevantes, como viagens e combustíveis. O crédito pessoal e o pagamento de serviços em ATMs, assim como os levantamentos de dinheiro, registaram também uma queda.

 

Sonae IM 

A Sonae IM não sentiu impactos significativos da crise da Covid-19 nos resultados do primeiro trimestre. No entanto, a magnitude e o grau de incerteza que um evento desta natureza envolve podem ter impactos nos próximos trimestres.

O volume de negócios situou-se em 26 milhões de euros.

 

Sonae Sierra

O primeiro trimestre da Sonae Sierra pode ser também dividido em dois períodos. O primeiro, até ao final de fevereiro, em que registou um crescimento do número de visitantes e vendas de 5% e 7,1%, respetivamente, em termos homólogos. Já durante o mês de março, o surto de Covid-19 impactou significativamente o sector imobiliário de retalho.

O volume de negócios foi de 46 milhões de euros, sendo que, numa base contabilística proporcional, o resultado líquido da Sonae Sierra foi positivamente impactado por um resultado indireto superior face ao ano passado, beneficiando, sobretudo, da mais-valia resultante da transação Prime, parcialmente compensada pela provisão para projetos em desenvolvimento.

 

NOS 

No primeiro trimestre, o volume de negócios da NOS caiu 3%, para 345 milhões de euros, refletindo principalmente o encerramento dos cinemas, em meados de março, e o adiamento de diversas estreias de filmes, o efeito negativo do tráfego e receitas de roaming e chamadas internacionais e a diminuição das receitas de canais premium desportivos, quando estes começaram a ser oferecidos gratuitamente.

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